Nacional Titulo

Galeria Pagé faturava R$ 17 milhões por mês, diz polícia

Do Diário OnLine
05/12/2003 | 23:32
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e funcionários da Secretaria Estadual da Fazenda voltaram nesta sexta-feira à Galeria Pagé, na região da rua 25 de Março, no centro de São Paulo. Em dois dias de operação, cerca de R$ 20 milhões em produtos foram apreendidos e 150 inquéritos instaurados.

Segundo os investigadores, o local conhecido por vender produtos contrabandeados faturava R$ 17 milhões por mês — cada uma das 170 lojas movimentava cerca de R$ 100 mil mensais. Além disso, 22 lojas não possuíam cadastro de funcionamento e outras 118 apresentavam documentação irregular.

Na quinta-feira, a ‘Operação Cacique’ apreendeu cerca de 800 mil produtos entre aparelhos eletrônicos, brinquedos, tênis, relógios e CDs. De acordo com a polícia, 90% das mercadorias verificadas são contrabandeadas, 8% são falsificadas e 2% são sonegadas. A Fazenda estima que apenas 5% do que era vendido na Galeria Pagé era legal.

Em uma das lojas, os policiais descobriram uma porta falsa. Na sala secreta foram encontrados cerca de 500 aparelhos de CD de carro roubados. Duas pessoas foram presas.

DGABC

Centenas de comerciantes e consumidores que estavam no local na manhã de quinta foram identificados. Cerca de 360 pessoas, entre proprietários e funcionários de lojas, foram encaminhadas ao Deic e indiciados.

Nesta sexta, os policiais e funcionários da Fazenda estão terminando de embalar e transportar os produtos apreendidos — ação que pode terminar no sábado. A principal via de acesso à galeria, a rua Comendador Afonso Kherlakian, foi novamente bloqueada.

CPI da Pirataria — O presidente da CPI da Pirataria, deputado Luiz Antonio Medeiros (PL-SP), foi à galeria para acompanhar a operação. Ele informou que quer promover uma acareação entre o proprietário da Galeria Pagé, Reinaldo Kherlakian, e o irmão dele, Ricardo Kherlakian, que é ex-administrador do local.

Em depoimento à Assembléia Legislativa de São Paulo, Ricardo acusou Reinado de evasão de divisas e de ter gastos incompatíveis com os rendimentos declarados.

A administração da galeria motivou o rompimento entre os irmãos Kherlakian. Reinaldo, que já havia prestado depoimento à CPI, disse que 80% dos contratos de locação fechados por Ricardo eram irregulares. Ricardo, por sua vez, negou as acusações e revidou, afirmando que o irmão é beneficiado financeiramente pelas irregularidades praticadas na galeria, a ponto de ter adquirido recentemente um apartamento em Miami, um Porsche e uma Ferrari.

Ricardo disse que chegou a pedir a abertura de um inquérito contra o irmão, mas o pedido foi negado pelo juiz Ali Mazloum da Justiça Federal. Mazloum é um dos investigados na operação Anaconda que apura venda de sentenças e outras irregularidades envolvendo juízes e policiais federais.

Patrocínio- Alguns policiais que participaram da operação estavam usando uma camisa com patrocínio do Shop Tour. Integrantes do Deic disseram que o material foi fruto de uma doação, mas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que a utilização de logomarcas de empresas particulares por policiais é ilegal.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;