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Casal transforma terreno em horta no Jd.Cristiane, em Santo André

Adelmira e Humberto cuidam de espaço da AES Eletropaulo e fazem plantio orgânico

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC
11/07/2015 | 07:00
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Ao se olhar para o alto na Rua Americana, no Jardim Cristiane, em Santo André, as torres de transmissão de energia em terreno da AES Eletropaulo se destacam. Abaixo delas, porém, o destaque é outro: uma grande horta orgânica, cultivada há 19 anos pelo casal Adelmira da Silva Rodrigues, 65 anos, e Humberto Rodrigues, 69.

O trabalho com plantio de alimentos já fazia parte da trajetória dos dois. Nascidos em Sergipe, foram criados na roça. E foi lá, na terra natal, que não só essa experiência teve início, como também o amor entre eles que, inclusive, são primos de primeiro grau.

“O Humberto foi embora de Sergipe ainda pequeno, então, não conhecia os primos. Em 1968, ele foi visitar minha mãe e, quando nos vimos, foi amor à primeira vista”, recorda. “Ele perguntou se eu gostaria de ir para São Paulo com ele. Estava de férias do colégio e fui. Estamos casados há 43 anos, mesmo tempo em que vivemos aqui no bairro”, conta Adelmira, que, da união, teve três filhos: Hebe Heide, Alexandre e Alberto.

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Por muito tempo, ela trabalhou como costureira e o marido desempenhou a função de eletricista, além de comerciante, com uma banca de jornal montada na garagem de casa. Certo dia, um vizinho ao terreno da AES Eletropaulo, que cuidava da área, estava com problemas de saúde e indagou se o casal conhecia alguém que topasse zelar por metade do campo. “Procurei quem aceitasse cuidar, mas ninguém quis, pois o mato estava alto, daria muito trabalho. Então, acabamos aceitando”, lembra Rodrigues.

Na parte de responsabilidade do vizinho, havia uma pequena horta e eles resolveram criar uma também, para o consumo da própria família. “Tiramos os pés de café, pois eles faziam sombra e a horta não sai se não tiver Sol”, explica o agricultor.

No início o casal plantou 30 pés de alface. A vizinhança começou a se interessar em adquirir os produtos fresquinhos. A outra metade do terreno foi cedida e o cultivo desenfreou, sempre com o cuidado de o plantio não colocar em risco a rede de energia elétrica.

Hoje, segundo Rodrigues, são 1.000 metros de horta, composta por grande variedade de verduras (com maço vendido a partir de R$ 2), tomate cereja, abóbora, alho poró, acerola, mexerica, limão, banana e vários outros itens, todos livres de agrotóxicos. A qualidade é tanta que a neta Bianca, 6, não resiste e, sempre que vai até o local, come os alimentos logo após serem colhidos.

Dependendo da quantidade, há possibilidade de entrega e os pedidos podem ser feitos pelo telefone 4451-2604 ou no WhatsApp, por meio do número 9-9298-6959. “Mas a gente dá muita coisa, quando as pessoas não têm condições de pagar. Para mim, o mais importante é o prazer de fazer, gosto disso”, ressalta Rodrigues.

“Esse espaço representa tudo para a gente. Traz orgulho muito grande cuidar disso aqui”, fala a mulher, com lágrimas nos olhos, que traduzem o amor e a dedicação com que ela e o marido ‘regam’ a horta. “Nossa vida está enterrada aqui”, completa. Ou melhor dizendo, Adelmira: está dando muitos frutos. Em todos os sentidos.

Agente de Saúde garante seus cuidados a crianças em creche

Por quase três décadas, a agente de Saúde Dirce de Almeida Felipassi, 51 anos, dedica sua vida a cuidar de crianças carentes na creche Lar Benvindo, que atende gratuitamente 80 pequeninos, com idade entre 2 anos e meio e 5.

A entrega ao trabalho é tanta que, em 27 anos de casa (a instituição tem 50 de atividade), ela atuou também como auxiliar de serviços gerais e professora.

A área da Saúde, no entanto, sempre foi o seu grande desejo. Antes de trabalhar na entidade, ela havia iniciado curso de Enfermagem, mas teve de deixar os estudos e o trabalho em um hospital para cuidar da mãe, que estava doente e morreu dois anos depois.

Após a perda, Dirce foi em busca de emprego e conseguiu uma oportunidade no Lar Benvindo, que, até então, funcionava como orfanato. “Quando entrei, em 1987, eram 67 meninos de 3 a 18 anos. Aos poucos, foram desativando o orfanato e passou a ser creche. Sou a única funcionária que está aqui desde aquele tempo.”

Dirce retomou os estudos, mas no setor de Educação, e por 18 anos foi professora no local. No entanto, a Saúde “estava no sangue”. “A diretoria perguntou se eu queria fazer um curso de agente de Saúde. Aceitei no ato. Estudei por quatro anos e agora essa é a minha função”, fala, com alegria.

Os cuidados agora envolvem curativo, aplicação de medicamentos quando necessário e auxílio no controle de nutrição.

Cada momento vivido na instituição tem uma lembrança marcante. “Quando o orfanato foi desativado, me marcou muito. Os meninos são como filhos para a gente e vê-los ir embora, é difícil quem não chora”, fala. “Depois, quando professora, vi que não são apenas eles que são dependentes da gente, mas nós também somos deles. Deitava na cama para dormir e escutava: ‘Prô’, ou outra hora: ‘Tia’. É uma coisa que emociona muito.”

Já o cargo de agente de Saúde, ela garante: é a realização de um sonho. “Depois de tudo que fiz, cheguei onde queria. Gosto muito de realizar o meu trabalho e garanto que dei o melhor aqui”, afirma.

Cabeleireiro constrói a vida no bairro

O pernambucano Jonas José da Silva, 47 anos, saiu de sua terra natal com o desejo de todo migrante: conquistar um emprego que lhe possibilitasse melhores condições de vida.

Chegando a Santo André, arrumou trabalho em uma empresa do ramo da borracha que produzia, entre outros produtos, tapetes de carro feitos com o material. A experiência de ter de depender de alguém para conseguir seu dinheiro não lhe agradou muito. “Vi que trabalhar para os outros é difícil”, lembra.

O desejo de ter independência financeira tinha um reforço: Silva planejava regressar um dia para o lugar em que nasceu. “Minha intenção era voltar e precisaria ter uma profissão para chegar lá e não depender de trabalhar para os outros. Aí veio na cabeça atuar como cabeleireiro. Fiz o curso e estou nessa caminhada há 17 anos”, conta.

O profissional atende todos os públicos. Diferentemente de grande parte dos salões, que cobram preços distintos para homens, mulheres e crianças, o valor do corte feito por Silva é único – R$ 15.

Dos pedidos femininos para o cabeleireiro, o alisamento das madeixas é o campeão. Porém, como atualmente ele não conta com nenhum ajudante, está se dedicando integralmente às tesouras.

Os planos de voltar a Pernambuco foram deixados de lado, ao menos por enquanto. Isso se deve à clientela fiel que conquistou nesses anos de atuação, caso do aposentado Orlando Biffe, 74. “Moro perto e venho cortar o cabelo com ele desde que o salão abriu. Faço isso porque só o Jonas acerta o corte do jeito que me agrada”, fala o cliente.

A preferência faz com que Silva se sinta não apenas lisonjeado pelo reconhecimento, mas também grato por tudo o que essa confiança lhe proporcionou. “Hoje tenho casa, carro. Todas as coisas que possuo veio disso aqui, o que tem um grande significado para quem veio do Nordeste sem nada. Para mim, ser cabeleireiro representa tudo na minha vida.” 




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