Mercado imobiliário Foi a primeira vez que o valor médio de venda de apartamentos perde para a inflação no período desde 2010
Marina Brandão 18/7/14

Os preços de venda dos imóveis no País registraram queda real, ou seja, ficaram abaixo da inflação, no primeiro semestre. Na média de 20 cidades pesquisadas, o valor do metro quadrado dos apartamentos anunciados subiu só 1,38% no acumulado dos seis meses iniciais de 2015, segundo dados de pesquisa realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em parceria com o portal ZAP Imóveis.
Nesse período, a taxa inflacionária medida pelo IPCA (Índice de preços ao Consumidor Amplo) é estimada pelo mercado em 6,10%, de acordo com o relatório Focus do Banco Central, que coleta as projeções dos analistas financeiros – o número oficial da inflação de junho só será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dia 8. Foi a primeira vez que o estudo aponta retração real dos valores no período semestral desde o início da série histórica (em 2010).
O levantamento inclui três cidades do Grande ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano), que também tiveram os preços dos apartamentos perdendo do IPCA. O primeiro município teve a maior variação (2,35%) e os outros dois tiveram, respectivamente, altas de 2,13% e 1,26% no semestre.
No período de 12 meses até junho, a valorização imobiliária na região ainda é próxima da taxa inflacionária, que foi projetada em 8,82%. Nesse caso, São Bernardo e Santo André empatam, cada uma com valorização de 7,44%, enquanto São Caetano teve alta média de apenas 4,17%, ou seja, a metade da variação anual da inflação (8,82%).
É possível dizer que o setor deve seguir tendência de queda real, diz o economista da Fipe, Raone Costa. Segundo ele, isso ocorre tanto pela retração da renda da população quanto pelo crédito mais restrito. “Há alguns anos, quando os preços estavam altos, o desemprego vinha caindo e os juros também, agora tudo mudou”, salienta. Na região, por exemplo, de acordo com pesquisa do Seade/Dieese, o índice de desemprego subiu pelo terceiro mês seguido, chegando a 12,7% da população economicamente ativa (ou seja, o total ocupado ou em busca de colocação).
Para a diretora adjunta da regional do SindusCon-SP no Grande ABC, Rosana Carnevalli, a situação econômica do País, que leva à queda do consumo, colaborou para isso, além de leis de zoneamento mais restritivas, que encareceram as construções. “As construtoras preferiram segurar os lançamentos e desovar os estoques”, diz.
O mercado também foi afetado por mudanças nas regras da Caixa Econômica Federal para imóveis usados – a partir do maio, o teto financiável caiu de 80% para 50% no caso do SFH (Sistema Financeiro Habitacional), que utiliza recursos da poupança. “Isso abalou as pessoas que queriam trocar de imóvel ou sair do aluguel”, diz o delegado do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo) no Grande ABC, Alvarino Lemes.
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