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Bons salários atraem novos garçons

13/05/2000 | 15:40
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Foi-se o tempo em que a classe média só se sentava à mesa para ser servida. Tao interessantes quanto os cardápios, os salários dos restaurantes de redes americanas e bares temáticos do Rio têm atraído jovens secundaristas, universitários e até gente graduada, de olho em salários iniciais acima de R$ 1 mil para garçons sem experiência com a bandeja.

As vagas sao disputadas a tapa. No banco de currículos do restaurante Outback do New York City Center, pelo menos 900 candidatos aguardam uma chance de atuar ao lado dos bem humorados e teatrais waiters - ou atendentes, como sao chamados os garçons do badalado steak house que já tem duas lojas na Barra.

Com direito a duas folgas semanais _ coisa rara entre garçons - eles chegam a ganhar R$ 1.500 por mês, somadas as comissoes, gorjetas e o salário fixo.

Depois de voar por quase cinco anos, a ex-comissária de bordo Marcelle Jenezi, 23 anos, mandou às favas o uniforme da Varig e assumiu o avental do Outback. "Provavelmente nao ganharia isso em uma loja e optei pelo trabalho como atendente. Hoje sou gerente de frente e ganho em torno de R$ 1.600 por mês", conta Marcelle, que antes nem pensava em trabalhar em restaurante.

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A moda, que surgiu nos Estados Unidos, ganha mais força na Barra da Tijuca. O mais americano dos bairros cariocas é o celeiro dos restaurantes que buscam garçons bacanas. Só na semana passada, 200 novatos foram selecionados para começar o treinamento no Hard Rock Café, que será inaugurado em junho.

"Fizemos mais de 5 mil entrevistas. Os universitários e jovens de classe média se enquadram em muitas dessas funçoes. Mas ter cultura e falar inglês nao basta. O jovem tem que demonstrar vontade de trabalhar, ser comunicativo e querer servir", conta o gerente geral da casa, Marcelo Polite.

Para os garçons, os ganhos mensais serao de cerca de R$ 1 mil. Nada mal, se comparado, por exemplo, como o salário inicial de um garçom da rede La Mole, que nao passa dos R$ 600.

A remuneraçao proporcionada pelas redes americanas é comparável aos vencimentos de garçons de elite e com vasta experiência. Para atingir o patamar entre R$ 1.500 e R$ 2.000, o garçom Alfredo Antônio Gouveia, 59 anos, já acumulou 42 anos de profissao - os últimos 24 no Bar Lagoa, na Zona Sul. "Hoje nossa atividade está um pouco achincalhada. Tem muita gente fazendo graça, mas poucos têm vocaçao", avalia Alfredo.

Entre os felizardos escolhidos pelo Hard Rock, está o estudante de comunicaçao da UFRJ Micael Langer, 25 anos. Depois de morar por dois anos em Israel e na Austrália, Micael voltou com disposiçao para enfrentar qualquer tipo de trabalho, e correu para se inscrever assim que soube da seleçao para o restaurante.

A bandeja e o avental também foram a tábua de salvaçao para Valmer Chedid, 27 anos, hoje maitre do Rock in Rio Café. Depois de cursar um ano de Direito e um ano e meio de Agronomia, Valmer começou a trabalhar como garçom. Hoje, comandando o trabalho noturno nas mesas do bar temático do Barrashopping, ele fatura cerca de R$ 1.500, e pretende seguir carreira com turismo e hotelaria.




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