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História de amor tem de ser sofrida?


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

27/02/2011 | 07:01


Parece que é sempre assim: os heróis das animações têm de enfrentar muitos problemas antes de serem felizes. No caso dos casais, então, geralmente surge um vilão para atrapalhar o romance. Em Gnomeu e Julieta, que estreia nas telonas na sexta (4), não é diferente. Antes de os protagonistas ficarem juntos passam por maus bocados.

Mas toda história de amor precisa ser sofrida? Na realidade, os personagens principais de qualquer filme devem enfrentar obstáculos, passar por algum tipo de conflito. Além de deixar a trama mais interessante e atrair a atenção do público, isso é necessário para que as pessoas se identifiquem de alguma forma com eles.

Para vencer as dificuldades e conquistar o que deseja, o protagonista tem de lutar bastante e percorrer caminho difícil. Também busca algo de que sente falta, assim como os humanos fazem na vida real.

FIM TRÁGICO? - As animações feitas para o público infantil não acabam em tragédia, como pode acontecer com produções voltadas para os adultos. O fim deve transmitir esperança e incentivar quem o assiste a superar dificuldades e ir em busca dos sonhos.

E o vilão? Apesar de comum, a presença dele não é necessária em todos os filmes. Aliás, o personagem mau existe principalmente para mostrar a diferença entre o certo e o errado.

No entanto, os desenhos animados nem sempre passam somente mensagens boas, segundo especialistas em psicologia. Em geral, os inspirados em contos de fadas muito antigos são modificados para transmitir recado diferente.

É o que acontece com a animação Cinderela. O filme passa a ideia de que a princesa é uma moça muito frágil, que precisa do príncipe para ser salva. No conto de fadas original, ela se esforça e conquista o que deseja sozinha.

 

Azul combina com vermelho?

Na Rua Verona, dois vizinhos se detestam há muitos anos. Ninguém sabe ao certo quando ou por que o rolo começou. O fato é que até mesmo os anões de jardim dos briguentos não se suportam.

No jardim vermelho do Sr. Capuleto vive Julieta; no azul da Sra. Montéquio está Gnomeu. Numa noite de travessuras, os dois se apaixonam sem saber que pertencem a famílias inimigas. Ao descobrirem o problema já é tarde demais para o romance acabar.

Em Gnomeu e Julieta o casal terá de provar para amigos e familiares que a briga é boba e os prejudica. E se você acha que já ouviu o título do filme em algum lugar, está correto. A animação em 3D é versão maluquete da famosa peça Romeu e Julieta, do inglês William Shakespeare (saiba mais ao lado).

E quem imagina que o filme só tem romance pode esquecer. A maioria das cenas é muito engraçada. Algumas das mais legais são as que os anões, loucos por cortadores de gramas, fingem não ter vida para enganar os humanos.

Os personagens também dão show. É impossível segurar o riso com a sapa de jardim Nanette, amiga de Julieta, e com o desesperado Benny, companheiro de Gnomeu. Apesar da graça, há tragédia na trama. Mas isso é surpresa.

E se a música é fundamental em qualquer filme, em Gnomeu e Julieta pode-se ficar despreocupado. A ótima trilha sonora é do cantor e compositor Elton John, responsável pelas canções de O Rei Leão.

 

Inspirado em peça teatral

Apesar de ter vivido entre 1564 e 1616, o inglês William Shakespeare ainda é considerado um dos escritores mais importantes da literatura mundial. Criou um montão de peças e entre as mais famosas está Romeu e Julieta. O autor demorou cinco anos para produzi-la.

A história se passa em Verona, Itália, onde dois jovens se apaixonam e depois descobrem que são de famílias rivais. Julieta é filha dos Capuleto e Romeu, dos Montecchios. Após muitos mal-entendidos, o casal azarado tem fim trágico.

Antes de Gnomeu e Julieta, a peça original ganhou outras adaptações para o cinema. As mais conhecidas foram produzidas em 1968 e 1996. Romeu e Julieta também inspirou outros livros, além do musical West Side Story.

 

Existem vários tipos de amor

Nas histórias do mundo da fantasia as crianças até podem se apaixonar como os adultos. Na vida real não é bem assim. Qualquer um pode amar na infância, no entanto, o sentimento é diferente do que os adultos têm. Em geral, nessa fase, apaixona-se por colega com características opostas. Quem é quietinho, por exemplo, pode gostar de alguém conversador.

No entanto, esse não é o único tipo de amor que se sente quando é criança. A gente ama os pais, avós, irmãos, entre outras pessoas muito queridas de maneiras diferentes. Isso não significa que um jeito é mais importante do que outro.

O amor traz felicidade, mas também pode provocar saudade, tristeza, ciúmes e até raiva, principalmente se a pessoa amada não corresponde ao sentimento do mesmo modo. O mundo não acaba quando isso acontece. Muita gente já passou pela mesma situação. Além disso, algumas formas de amor não duram para sempre; outras mudam com o tempo. Você vai entender tudo aos poucos, enquanto cresce.

Só não vale ficar muito triste por causa de amor. Para se sentir melhor, que tal brincar ou assistir a filmes engraçados? Se nada adiantar é importante procurar ajuda.

 

Todos superam desafios

A gente sente alívio danado quando o filme acaba bem, né? O problema é que os personagens passam por muitas dificuldades antes disso acontecer. Às vezes, até parece que nada vai dar certo. Mas é assim mesmo que funciona.

Quem é um pouquinho mais sensível pode até chorar quando Mufasa, pai de Simba, morre em O Rei Leão. Pior é quando o filhote é acusado de ser o responsável pela tragédia e precisa ir embora.

A princesa Fiona não suporta sua aparência de ogra. Acredita que nunca será feliz. No entanto, tudo muda quando ela se apaixona por um ogro de verdade: Shrek.

Confira nas páginas outros protagonistas que tiveram de lutar muito para superar obstáculos antes de ficarem juntos:

- Em O Rei Leão, Simba deixa a família e a amiga Nala ainda filhote, após a morte do pai. Enfrenta muitas injustiças antes de derrotar o maldoso Scar e ter final feliz.

- Para salvar o pai, Bela vai morar no castelo da Fera. Ela supera o medo e deixa de se importar com a aparência. Assim, descobre que o tal monstro não é mau.

- Em Shrek, Fiona vive aprisionada num castelo por causa de uma maldição. Após se apaixonar pelo verdão, ela deixa de ter vergonha e decide assumir quem realmente é: uma ogra.

- Ele é vira-lata e ela, cachorrinha de madame. Em A Dama e o Vagabundo, a cadela Lady não suportava cães de rua, mas muda de ideia após ser salva pelo valente vagabundo.

- Cinderela é humilhada pela madrasta e irmãs postiças. Mesmo assim é a escolhida para casar com o príncipe. No conto original ela não depende do moço para vencer.

 

Consultoria de Sérgio Pires, coordenador da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André, e de Suzy Camacho, psicóloga e autora do livro Guia Prático dos Pais

 



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