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Cultura & Lazer

Publicado em quinta-feira, 2 de junho de 2011 às 07:06 Histórico

Navegando em mar de sucesso

Se depois da tempestade vem a bonança, o cineasta Cesar Cabral agora aproveita o momento para navegar tranquilamente pelas águas do sucesso. O andreense viu na noite de terça-feira, no Rio de Janeiro, o seu filme 'Tempestade' vencer na categoria de melhor curta-metragem de animação na entrega da 10ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, considerado o Oscar das produções nacionais.

"É um grande reconhecimento. Esse prêmio é especial pelo fato de que profissionais do mercado votam e acabamos sendo escolhidos por colegas", celebra Cabral, que assina a direção do desenho animado em stop-motion. "Trata-se de um filme muito querido e que está surpreendendo a todos cada vez mais."

A obra deixou para trás os concorrentes 'Bonequinha do Papai', 'Eu Queria Ser Um Monstro', 'Menina da Chuva' e 'Os Anjos do Meio da Praça'. A concorrência foi acirrada, mas a esperança sempre existiu. "Neste ano havia uma relação bem interessante de candidatos. Acho que a disputa estava em aberto."

Segundo contas do cineasta, o filme já rendeu à produtora Coala Filmes cerca de dez ‘troféus' desde seu lançamento no ano passado. Entre seus prêmios mais recentes estão três vencidos em maio no tradicional Cine PE, de Recife, incluindo o de melhor filme em curta-metragem.

Essa é a segunda vez que Cabral sai vitorioso do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Em 2009, ele trouxe para Santo André a estatueta de melhor animação por 'Dossiê Rê Bordosa', baseada em popular personagem criada pelo cartunista Angeli.

'Tempestade' acompanha o drama de um solitário marujo pelos oceanos. Fica cada vez difícil navegar conta de tempestades e o protagonista tem de superar as dificuldades para reencontrar a amada, já em terra firme. Muito do roteiro teve inspiração na música 'Eleanor Rigby', dos Beatles, e o visual dos cenários tem influências das pinturas do britânico William Turner (1775-1851).

O projeto foi realizado de maneira bem corrida, em oito meses. O cronograma foi apertado: um filme em stop-motion chega a levar cerca de um ano para ficar pronto. Foi necessário que oito pessoas estivessem envolvidas integralmente com o curta-metragem.

Além dos bons resultados pelo Brasil, a obra também tem marcado presença em outros países. O filme esteve na edição deste ano do Festival de Sundance, nos Estados Unidos, e parte na próxima semana para a França, onde está na programação do Festival de Annecy, tido como ‘Cannes das animações'.

Segundo Cabral, a experiência internacional é interessante. "É legal esse diálogo com outras culturas. Ele (o filme) tem um tema universal que acaba pegando as pessoas em todas as línguas, principalmente por não ter diálogos", explica.

O próximo passo do andreense e seus companheiros de barco é mostrar que também conseguem mostrar talento diante de um longa-metragem. "Os curtas são os passos que estamos dando para ganhar experiência o bastante para preparar um longa-metragem com a mesma qualidade." Se depender do currículo de seus projetos, já estão credenciados.



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