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Vereador Cosmo do Gás é assassinado em Sto.André

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Três homens invadiram residência em busca de
R$ 200 mil e atiraram nas costas do parlamentar


Gustavo Pinchiaro
Do Diário do Grande ABC

10/03/2015 | 07:00


O vereador de Santo André Cosmo Rodrigues Cardoso, o Cosmo do Gás (PDT), 46 anos, foi assassinado na madrugada de ontem. Três homens encapuzados invadiram a residência do parlamentar, no bairro Sítio dos Vianas, por volta das 4h em busca de R$ 200 mil em espécie. Um dos assaltantes atirou nas costas do pedetista e o bando fugiu do local a pé, levando apenas três relógios e um celular. O caso é investigado pelo 6º DP (Jardim do Estádio). A polícia não trabalha com hipótese de crime político e investiga latrocínio (roubo seguido de morte).

Cosmo, que chegou a ser levado ainda com vida ao PA (Pronto Atendimento) da Vila Luzita, deixa três filhos – um menino de 11 anos e duas meninas, uma de 9 anos e outra de 16 – e a mulher, Fabiana Pereira Cardoso, 35 anos, grávida de 3 meses. O parlamentar foi agredido com violência na frente de seus familiares por não entregar a quantia pedida pelos assaltantes. O filho foi o único que assistiu ao pai ser alvejado.

O corpo do vereador chegou à Câmara por volta das 13h de ontem para o velório e foi carregado até o salão pelos parlamentares Donizeti Pereira (PV), Evilasio Santana, o Bahia (DEM), Luiz Zacarias (PTB), Marcos Pinchiari (Pros), Almir Cicote (PSB) e Toninho de Jesus (PSD). Familiares, amigos e personalidades políticas compareceram para prestar condolências à família. O pedetista será enterrado hoje, às 9h, no Cemitério Santo André, na Vila Humaitá.

Eleito pelo PDT em 2012, com 2.719 votos, Cosmo iniciou a carreira política como assessor parlamentar de Geraldo da Silva Souza, o Isqueiro, morto em 2010 em decorrência de úlcera gástrica. Após a morte de seu padrinho político, o pedetista chegou a prometer que só retornaria ao Legislativo na condição de vereador.

No currículo parlamentar de dois anos e três meses, deixa como legado participação em grupos independentes que se formaram para cobrar melhorias do Executivo. O mais recente é o G-12, estabelecido na eleição para presidência da Casa e para pleitear mudanças nas Pastas de Educação, gerida por Gilmar Silvério, e Saúde, por Homero Nepomuceno.

Cicote foi um dos primeiros a receber a notícia. “Tinha uma ligação perdida do Cosmo no meu celular às 5h. Pensei que tivesse esbarrado no telefone sem querer, mas logo vi que também enviou uma mensagem pedindo ajuda. Liguei para o celular dele e corri à casa dele para amparar a família.”

Emocionado, Pinchiari lembrou que Cosmo e sua família eram pacientes de seu consultório odontológico. “Foi mais que um colega, um amigo verdadeiro, uma pessoa batalhadora, honesta, com um coração maravilhoso e cheia de sonhos.”


Viúva não crê em crime político; família pede investigação do caso

Viúva do vereador assassinado Cosmo Rodrigues Cardoso, o Cosmo do Gás (PDT), Fabiana Pereira Cardoso relatou os cerca de 20 minutos de duração da ação dos três homens encapuzados e afirmou não crer que o crime tenha motivação política. Familiares pediram Justiça e que o caso seja apurado pela Polícia Civil.

“A única coisa que eu espero é Justiça. O Cosmo não merecia morrer do jeito que morreu. Sempre foi um homem trabalhador, não precisou roubar nada de ninguém. Sempre foi um homem honesto e morreu na frente dos filhos, de uma forma muito cruel. Não merecia”, lamentou Fabiana.

Os três homens encapuzados adentraram à residência do parlamentar, na Rua das Minas, Sítio dos Vianas, às 4h20, pela varanda, depois de escalarem o edifício vizinho, onde funciona uma fábrica de roupas íntimas. “Estava dormindo ao lado do Cosmo e tomei um susto. Tentei gritar, mas ele logo tapou minha boca e o Cosmo acordou. Eles me trancaram no quarto com as minhas duas filhas e arrastaram meu marido para a cozinha”, disse Fabiana.

A viúva contou ter ouvido os gritos do marido enquanto apanhava dos bandidos. “Um deles chamou o Cosmo pelo nome e pediu os R$ 200 mil. Nunca guardamos dinheiro em casa. Mas eles diziam que sabiam que o dinheiro estava lá. Ameaçaram até a levar minha filha, mas o Cosmo disse: ‘Se mexer com a minha filha eu te mato’. Foi aí que ele começou a apanhar mais”, descreveu.

Cosmo, segundo Fabiana, tentou oferecer o cartão do banco com a senha e informou que era possível retirar até R$ 2.000 por dia. Os bandidos recusaram a oferta e o vereador tentou entregar os relógios e o celular, que acabaram furtados. “Se eu tivesse o dinheiro, teria entregado”, conta Fabiana, que disse ter apenas ouvido o disparo da bala que atingiu seu marido nas costas quando estava deitado no chão da cozinha, ao lado do filho de 11 anos.

Aos colegas de Câmara, Cosmo chegou a confidenciar que sofreu ameaças e que teria a filha mais velha sequestrada. Muitos deram conselhos para que ele se mudasse do Sítio dos Vianas, região periférica de Santo André, localizada na divisa com São Bernardo. “Se ele vinha sofrendo ameaças, eu não sei. Mas sempre quis me mudar daquela casa. Só que o Cosmo não queria de jeito nenhum. Dizia que não iria abandonar quem lhe deu voto e que lutaria pelo seu povo.”

Sogro do parlamentar, Adinoel Pereira da Trindade pediu que o caso seja apurado com rigor e os responsáveis, punidos. “Conhecia todos no bairro. Se precisasse, usava o próprio carro para atender as pessoas.”
 

Suplente promete postura independente

Dono de quatro mandatos no Legislativo andreense, Carlos Roberto Ferreira (PDT), que substituirá o vereador assassinado Cosmo Rodrigues Cardoso, o Cosmo do Gás (PDT), prometeu atuar de forma independente na Câmara, sem se postar no governista G-9 ou no opositor G-12. A posse do suplente está marcada para quinta-feira, já que a sessão ordinária de hoje está suspensa por luto.

“Eu tenho perfil de vereador independente, não me atenho a questões partidárias nem de grupo. Então, essa coisa de G-9 e G-12 pouco interessa à cidade. Vou procurar projetos que sejam positivos para a população e desenvolvimento do município. Se um deles apresentar um projeto nessa linha, pode contar comigo”, declarou o pedetista, que é o segundo suplente da coligação PRB-PDT, mas assumirá o posto porque Adonis Bernardes, primeiro suplente da chapa, morreu em setembro de 2013.

A entrada de Ferreira no Legislativo ocorre em meio à ação do prefeito Carlos Grana (PT) para desidratar o G-12, grupo que tinha Cosmo como integrante e estava focado em fiscalizar problemas e cobrar soluções na Saúde e Educação. O bloco, inclusive, tem criado barreiras para aprovação de projetos de lei, como a pavimentação do bairro Recreio da Borda do Campo.

Ferreira conversou ontem com o presidente da Câmara, bispo Ronaldo de Castro (PRB), e acertou o retornou ao Legislativo para quinta-feira. Na ocasião, a Casa promoverá no plenário homenagem a Cosmo com discursos de lembranças da passagem do pedetista. “É uma situação muito desconfortável. Preferia assumir essa vaga se ele tivesse sido eleito deputado (federal ou estadual) ou até convocado para assumir uma secretaria. Mas alguém tem de assumir essa cadeira, é para isso que existem os suplentes”, comentou.

O futuro parlamentar foi eleito vereador em 1988 e 1992 pelo PTB. Os dois últimos mandatos foram conquistados em 2000 e 2004 pelo PSB.
 

Grana lamenta tragédia e sessão na Câmara é suspensa

O prefeito de Santo André, Carlos Grana (PT), classificou o assassinato do vereador Cosmo do Gás (PDT) como “tragédia para a cidade”. O petista decretou luto oficial por três dias.

“O Cosmo era uma pessoa simples, tranquila, creio que não tinha inimigos, era um político sério. Estamos de luto. Entrei em contato com a polícia, que me disse que vai se empenhar em buscar a solução e ir atrás dos esclarecimentos necessários. É um momento de dor da família. Confio que a Justiça vai desvendar esse caso. Precisamos consolar a família, que é a grande vítima deste episódio”, disse o chefe do Executivo, que confirmou que comparecerá ao enterro do parlamentar, no Cemitério Santo André, na Vila Humaitá.

Embora em lados opostos politicamente – Cosmo formava a bancada independente à gestão petista –, Grana afirmou que possuía bom relacionamento com o vereador.

“Tínhamos relação amistosa, aberta e de muito carinho. O Cosmo vem do Paraná, assim como a minha família. Nós conversávamos muito sobre as histórias de cada um no Paraná. A última vez que estive com ele, há cerca de um mês, no meu gabinete, ele me mostrou um vídeo da filha dele andando a cavalo de janeiro, lá na cidade onde ele tem um sítio. Essa é a imagem e a lembrança positiva que ficam para mim”, declarou.

O presidente da Câmara de Santo André, bispo Ronaldo de Castro (PRB), suspendeu a sessão legislativa que aconteceria hoje. Os trabalhos serão retomados na quinta-feira.



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