
Apesar das negativas do Planalto, o encontro de Fernando Henrique com Armínio aumentou as especulaçoes sobre volta dele ao governo. Além de Fernando Henrique, o assessor do megainvestidor George Soros esteve nesta quinta com o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhaes, com quem tomou café da manha. Depois, almoçou com Malan e ainda participou de várias reunioes no Banco Central.
Contribuiçao - Segundo o porta-voz do Planalto, o presidente "tem ouvido muitas pessoas que têm contribuiçao a dar nesse momento" e por isso ouviu Armínio Fraga. Fernando Henrique justificou ainda que é importante saber como os mercados internacionais estao acompanhando a reaçao que o Brasil teve à crise e o que esse setor acha das medidas que o Brasil tomou. "Ele (Armínio) é uma pessoa inteligente, foi diretor do Banco Central e tem uma larga experiência internacional", justificou o presidente, por intermédio de Amaral.
O tema do jantar, de acordo com o embaixador, foi "a conjuntura econômica". "E o presidente registra que na conversa se manifestou um claro consenso, em que nao há razao para colocar em questao a possibilidade de o governo fazer face à sua dívida interna", afirmou Amaral, após acentuar que o governo continuará a rolar a sua dívida interna e certamente honrará com todos os seus compromissos. No jantar, eles avaliaram ainda que o ajuste fiscal está caminhando bem e a dificuldade que subsiste ainda está na restauraçao da confiança que venha a fazer com que se equilibre os fluxos externos de recursos. Os boatos e a insegurança foram considerados naturais por Amaral.
Indagado sobre a possibilidade de, mais tarde, ser confirmado o ingresso de Armínio Fraga na equipe econômica, já que o ditado diz que onde há fumaça há fogo, o porta-voz reagiu com ironia: "eu acho que esse ditado sofre sérias contestaçoes com freqüência". E acrescentou: "no Brasil se costuma fazer demasiada fumaça".
Sobre a possibilidade de André Lara Resende voltar ao governo ou estar ajudando a preparar novas medidas, Sérgio Amaral reiterou: "ele também nao recebeu nenhuma incumbência do presidente em preparar coisa alguma". De acordo com o porta-voz, "se André Lara vier a participar do governo, possivelmente, será no Conselho de Assessores do presidente da República". E prosseguiu: "mas nao houve, ainda qualquer convite formal ou formalizaçao dessa contribuiçao".
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