Política Titulo São Bernardo

Corte na merenda provoca crise política entre Cleuza e Nilza

Secretária de Educação é cobrada de forma áspera
pela primeira-dama devido a repercussão negativa

16/02/2015 | 07:00
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Andréa Iseki/DGABC
Andréa Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Secretária de Planejamento e Orçamento Participativo de São Bernardo, a primeira-dama Nilza de Oliveira (PT) culpou a titular da Pasta de Educação, Cleuza Repulho (PT), pela forte repercussão negativa do caso sobre o governo do prefeito Luiz Marinho (PT) ao determinar o corte em parte da merenda nas escolas da rede municipal. Aliadas históricas, Nilza e Cleuza proporcionaram áspera discussão no prédio do Paço. A primeira-dama teria chamado a secretária de Educação de ‘irresponsável’ por idealizar plano restritivo de alimentos, sem amplo debate.

Outra reclamação de Nilza foi pela falta de informações de Cleuza a lideranças do governo e aos vereadores. A postura da titular de Educação foi bastante repreendida por integrantes do primeiro escalão da administração petista.

A medida foi aplicada na pré-escola e Ensino Fundamental, que engloba 80 mil crianças, de 5 a 10 anos, no dia 5. O plano vetou o café da manhã aos estudantes no período matutino e o almoço aos que estudam no vespertino, sob a justificativa de casos de obesidade infantil e problemas relacionados a desperdícios de comida.

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O embate entre as petistas endossa a decisão de exonerar Cleuza, que só não foi desligada por Marinho julgar que o momento fortaleceria a oposição no município. Antes do episódio, Nilza era defensora da correligionária, até mesmo após o MP (Ministério Público) pedir sua prisão por irregularidades na compra de uniformes em 2010 e 2011. Segundo a Promotoria, cerca de R$ 4 milhões teriam sido desviados.

Em meio à queda na arrecadação no Paço, Nilza teria pedido sugestões a todos os comandantes de secretarias por contingenciamento de parcela do Orçamento. Entre eles Educação, Habitação e Transporte, nas quais, teoricamente, haveria ‘gordura’ de verba.

A partir deste cenário, Cleuza apresentou plano de corte de refeição. No entanto, a secretária de Educação garantiu, na ocasião, que a medida não geraria problemas ao governo.

CERTIFICAÇÃO

O retorno sigiloso da Prefeitura de São Bernardo em servir merenda escolar integral em algumas escolas da rede municipal ocorrerá a partir de quarta-feira.

O Diário teve acesso a comunicado da escola Professora Carmen Tabet de Oliveira Marques, da região do pós-balsa, informando que o procedimento foi revogado.

No material, o corpo diretivo da unidade educacional destaca “que recebeu ligação da seção de merenda escolar” do Paço (veja reprodução do comunicado acima) e reconsidera a exclusão no corte de alimentos, garantindo que os alunos voltarão “a ser atendidos da forma como acontecia no ano passado (café da manhã para período matutino e almoço e lanche no vespertino)”.

Autor da denúncia, o vereador oposicionista Julinho Fuzari (PPS) alegou que o documento comprova que, internamente, o governo “admite seu erro”. “Não tenho qualquer dúvida. O Executivo vem trabalhando de maneira discreta para retornar a alimentação completa nas escolas, porque viu que fez errado”, argumentou. 




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