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Setecidades

Publicado em terça-feira, 16 de agosto de 2011 às 07:30 Histórico

Designer de carros é raridade no País

O que faz o visual do carro popular Celta ser diferente do luxuoso Camaro? Este é o papel do designer automotivo, profissional que desenvolve as aparências interna e externa dos veículos produzidos pela indústria automobilística.

Nos primeiros sete meses deste ano, foram fabricados 2,02 milhões de veículos, 4,3% a mais que no mesmo período de 2010. Apenas em junho, as montadoras criaram 612 vagas no setor. A média de venda de carros novos chega a 14,5 mil por dia. Neste cenário, desenvolver um produto que se diferencie no mercado é um desafio e tanto.

Não existe hoje graduação específica na área de design automotivo. A maioria dos profissionais faz cursos de design de produtos ou desenho industrial. A porta de entrada para o mercado é saber desenhar. Mas somente esta habilidade não garante emprego, conforme o designer automotivo da General Motors Leandro Trovati, 33 anos. "É preciso estar antenado na moda, em novas tendências e ter capacidade de vender ideias", destacou ele, que é responsável pelo design do interior dos automóveis.

Para Trovati, o mais importante não é ter portfólio cheio de desenhos. "É melhor ter cinco ou seis projetos fechados na manga, pois a capacidade de pensar o todo é valorizada."

Como a carreira não tem formação específica, ingressar neste setor pode ser tarefa mais complicada, mas compensa: o salário mensal de um designer automotivo em início de carreira varia de R$ 3.000 a R$ 5.000. Colega de Trovati na GM, Gabriel Clemente, 32, participou de concurso de design produzido por uma indústria automobilística. Venceu e conquistou um estágio.

Clemente sempre foi apaixonado por desenho. "Certa vez um professor de química do colégio veio olhar meu caderno e viu que não tinha nenhuma matéria, só desenhos. Ele me disse que precisava melhorar minhas notas, mas que tinha certeza que trabalharia com criação."

Além do concurso, Clemente passou cinco anos na Alemanha, período que considera crucial em sua carreira. "A experiência no Exterior é importante porque a Europa está muito mais avançada na questão do design que o Brasil. Lá é possível ver conceitos e ideias que podem ser aplicados conforme a nossa realidade." 

INGLÊS
Background, appeal, design. Falar inglês é tão básico quanto desenhar para quem deseja desenvolver veículos. "Nossa base de trabalho é a comunicação, e o inglês é utilizado na rotina da empresa", explicou o designer Marcos Miwa, 33.

Também há diferenças entre o designer automotivo de interiores e exteriores. É fácil entender o porquê: o exterior é como uma mulher bonita, que atrai o consumidor à primeira vista. Porém, se o interior não tiver conteúdo, ou seja, não for funcional e, ao mesmo tempo, belo, o carro não vende. Está aí o grande desafio: atrair o consumidor primeiro pelos olhos, e depois pelo coração.

 

Debate sobre profissões desperta sonhos 

A pouca idade não é empecilho para escolher a profissão, pelo menos para os jovens estudantes que participaram ontem, em Mauá, do primeiro dia de provas do 5º Desafio de Redação, concurso literário promovido pelo Diário. Para os alunos que cursam até o 2º ano do Ensino Médio, o tema proposto é Profissões do Futuro. Já para aqueles que estão no 3º ano, prestes a fazer vestibular, o assunto é Profissões do Petróleo e Gás.

O estudante da 7ª série do Ensino Fundamental Wesley Alves, 13 anos, da EE Zaíra VIII pretende tornar-se analista de sistemas, uma das profissões que constam na cartilha produzida pelo Diário. O apreço pela tecnologia começou quando o padrasto trouxe um computador para casa. Para conseguir seu objetivo, ele tem consciência de que deve continuar os estudos. "Tenho vontade (de fazer um curso na área), mas dá um desânimo às vezes, pelo alto valor da mensalidade". comentou.

A vice-diretora da escola, Sandra Cristina Delmiro Oliveira, ressaltou que os temas escolhidos neste ano permitem que os estudantes reflitam sobre os profissionais que estão em falta no nosso País. "A escola é o caminho para que eles possam ter uma carreira", disse.

A prova será avaliada e fará parte da média dos alunos. Além disso, aqueles com as melhores redações serão premiados com um kit de material escolar.

Já na EE Mirna Loide Correia Ferle, na Vila São João, o aluno da 6ª série Kevin Logan, 12 anos, contou que deseja ser arquiteto. E o menino vê em si mesmo algumas qualidades que justificam a escolha. "Em casa, mudei tudo. Ajudei a escolher o piso e a arrumar os azulejos da parede", disse.

A discussão sobre o futuro profissional despertou sonhos e ansiedade. Enquanto medicina e áreas relacionadas à administração ainda são maioria na escolha de carreira, novas áreas ganham destaque para alguns estudantes. É o caso de Letícia Oliveira Santos, 15, que com a notícia do descobrimento do pré-sal decidiu seguir carreira no setor de petróleo e gás e já faz curso técnico na área. "Estou adorando. Meu objetivo é trabalhar em uma plataforma". Empolgada com a redação, Letícia também relacionou em seu texto a futura profissão e a preocupação com o meio ambiente. (Bruno Martins e Luana Arrais)



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