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Pedagogia está entre as três carreiras mais procuradas do País

Do total de estudantes do Ensino Superior no Brasil, 44,5% cursam a graduação


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

11/11/2014 | 07:00


O Brasil tem atualmente 7,3 milhões de estudantes matriculados em instituições de Ensino Superior, sendo que o curso de Pedagogia corresponde a 44,5% do total de matrículas. A graduação está, inclusive, entre as três carreiras com maior procura pelos universitários (614 mil alunos), atrás de Administração (800 mil) e Direito (769 mil).

Os dados do Censo da Educação Superior do MEC (Ministério da Educação) de 2013 mostram que, apesar da falta de atratividade em decorrência de salários baixos e condições de trabalho muitas vezes inadequadas para a carreira, a vocação tem falado mais alto.

O cenário é comemorado pela coordenadora do curso de Pedagogia da Anhanguera de São Bernardo, Sandra Regina Augusto. “É uma grata surpresa observar que, contrariando a percepção da sociedade, há sempre grande procura pelo curso de Pedagogia”, diz.

A especialista destaca ainda que a carreira já chegou a ser a principal alternativa para mulheres, mas que nos últimos anos também passou a atrair os homens. “Na minha geração, nove em cada dez meninas queriam ser professora. Apesar da procura menor, os poucos alunos se mostram excelentes”, considera.

A faixa etária dos estudantes que ingressam em Pedagogia também vem sofrendo mudança, conforme ressalta Sandra. “De uns cinco a seis anos para cá, observamos o ingresso de mais jovens recém-saídos do Ensino Médio na graduação, o que mostra uma escolha pela carreira e não apenas pela titulação, como acontecia há cerca de dez, 12 anos.”

PREOCUPAÇÃO

Embora o MEC aponte aumento de 50% no número de matrículas nos cursos de licenciatura nos últimos dez anos no País, com crescimento médio de 4,5% ao ano, a falta de educadores no futuro é uma preocupação. Isso porque a estimativa é que sejam necessários 2 milhões de novos professores até 2024 para atender as metas do PNE (Plano Nacional da Educação).

Em dez anos – entre 2003 e 2013 –, o número de matrículas na disciplina de Português no Ensino Superior avançou 1.000%. No entanto, entre 2010 e 2013 houve queda de 13%. O cenário é o mesmo para Matemática, tendo em vista que em 2010 eram 82.792 estudantes na área, número que caiu para 80.891 – 2,3% menos.

Anualmente, cerca de 200 mil discentes concluem carreiras como Letras, Pedagogia, Matemática, Educação Física, Química e Física, número que tem se mostrado insuficiente para a demanda atual. Segundo o Censo Escolar de 2013, 67,2% dos professores do segundo ciclo do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) não têm licenciatura na disciplina que ensinam. Já no Ensino Médio, a parcela de docentes sem a formação adequada é de 51,7%.

Para o pró-reitor de graduação da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marcos Antonio Biffi, o principal desestímulo à carreira docente hoje em dia está relacionado à remuneração. “Estamos falando de jovens das gerações X, Y e Z, que pensam em dinheiro como forma de sucesso profissional”, comenta.

Na visão de Sandra, existe desvalorização geral das carreiras da licenciatura. “Essa ideia de que professor ganha mal precisa ser desmistificada. É necessário valorização no geral, não só de salário”, aponta. 



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