Banho-maria União é improvável, avaliam apoiadores do vereador do PMDB

Pré-candidato a prefeito de São Caetano, o vereador Paulo Pinheiro (PMDB) vai manter a possibilidade de ter um vice petista na eleição de outubro em banho-maria pelo menos até meados de junho. Nesse período, o parlamentar promete realizar pesquisas de opinião para avaliar se, de fato, o PT vai agregar densidade eleitoral ao seu projeto político.
Mesmo com a atitude ousada do PT, que decidiu em encontro no domingo investir na parceria com o PMDB e abandonou, por ora, a pré-candidatura própria a prefeito do vereador Edgar Nóbrega, grande parte do grupo peemedebista se mantém cética. Essa fatia de apoiadores de Pinheiro tem mostrado resistência à possível união, destacando que a rejeição petista na cidade pode mais prejudicar do que ajudar.
Nos bastidores, a reprodução da parceria nacional é dada como impossível. Um dos argumentos na base do PMDB é de que populares que aprovam a pré-candidatura de Pinheiro ao se depararem com o parlamentar, fazem questão de aconselhá-lo a não se alinhar ao PT.
"Não podemos dizer não a quem quer ajudar. Por isso vamos iniciar as pesquisas no próximo mês para definir essa questão", pondera Pinheiro. O peemedebista diz não considerar o pequeno prestígio petista na cidade e mantém o discurso de ‘nem sim nem não'. "Só quero avaliar o que pode agregar."
Em pesquisa estimulada realizada pelo Ibope entre os dias 11 e 15, Pinheiro lidera com 36% ante 34% de Regina Maura Zetone, pré-candidata governista - empate técnico levando-se em consideração a margem de erro de cinco pontos percentuais para mais ou para menos. O petista apresenta 6% de intenções de voto. O peemedebista também tem a menor taxa de rejeição, 14%, enquanto Edgar registra o maior índice, 20%.
O lado petista não descarta a possibilidade de forças maiores, como executivas estaduais e nacional dos respectivos partidos, terem papéis fundamentais no casamento. "Não sei se há necessidade, mas se essa conversa for algo que falte para selar a união, nós vamos fazer", avisa Edgar. Ele também avisou que já dialogou com caciques de seu partido, como o presidente nacional, o deputado estadual Ruy Falcão. "É intenção dele de que estejamos unidos em São Caetano", completa.
A principal intenção do PT é compor a chapa e indicar o nome do vice. Edgar voltou a dizer que se considera um nome forte e a união "faria bem a São Caetano". No entanto, o petista não quer impor o próprio nome como condição de apoio. O partido deve se reunir novamente para definir o nome a ser indicado.
O PT quer desenrolar esse namoro antes das convenções, de 10 a 30 de junho, ocasião em que a legenda apenas avalizará as diretrizes eleitorais. "Se não der certo vou lamentar, mas vamos seguir caminhando e com a nossa pré-campanha como já estamos fazendo", afirmou Edgar.
TJ anula atos da intervenção estadual
Em julgamento de mérito em primeira instância, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) anulou os atos da comissão provisória do PMDB estadual que promoveu dissolução do diretório de São Caetano do partido. Mas, a decisão não desatou o nó jurídico que envolve a legenda na cidade.
O juiz Álvaro Luiz Valery Mirra justifica que não deu liminar para a direção municipal anterior voltar ao comando da sigla "dada a impossibilidade de manutenção do diretório municipal de São Caetano, novamente dissolvido por força de deliberação da comissão executiva nacional do PMDB".
O magistrado refere-se à outra intervenção, encabeçada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, posterior ao andamento do processo. O que, teoricamente, daria validade ao ato que colocou o vereador e pré-candidato ao Paço pela oposição, Paulo Pinheiro, na presidência municipal do partido.
Os integrantes do diretório anterior, alinhado com o governo José Auricchio Júnior (PTB) e que pretende apoiar a pré-candidata da administração ao Palácio da Cerâmica, Regina Maura Zetone (PTB), tem outra avaliação sobre a decisão do TJ. Para eles, a nulidade dos atos da executiva provisória estadual, que dissolveu a direção municipal, também invalida a filiação de Paulo Pinheiro ao PMDB - o ingresso ocorreu em outubro, quando a nova direção assumiu o comando.
E, mais do que isso, se valer a intervenção da executiva nacional, a entrada do vereador na legenda ocorrera no prazo inferior a um ano, o que o impossibilitaria de concorrer à Prefeitura. Agora, a direção anterior, de ideologia governista, vai consultar o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) para saber o que está em vigor.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.