Antigo Existem amores platônicos, paixões fugazes e até mesmo o conhecido amor de Carnaval. Mas - embora alguns não acreditem - há, sim, sentimentos para a vida inteira.
Aqui não falaremos dos relacionamentos entre homens e mulheres que resultaram em matrimônios vitalícios, mas de um amor diferente, entre o homem e a máquina.
Sim, é bastante comum ouvir dizer que o brasileiro é apaixonado por carro (isso até foi slogan de comercial de uma rede de postos de combustível) mas, por outro lado, poucos levam essa paixão a ferro e fogo.
Um desses fissurados é o representante comercial Fábio Carmona, que desde criança alimentava uma paixão avassaladora pelo Maverik. "Quando eu era criança, com uns 8 ou 9 anos de idade, mais ou menos, ganhei um caminhão cegonha de brinquedo, onde, dentre os carros, havia o Maverick. Isso deve ter despertado o desejo", relembra.
Desde então, Carmona já teve uma infinidade de outros veículos (inclusive motos), mas na cabeça - e no coração - a vontade de comprar o Maveco persistia.
Há quatro anos ele resolveu arregaçar as mangas e correr atrás daquele sonho de infância através de pesquisas pela internet.
E eis que há quase quatro meses, Carmona encontrou a raridade que sempre vislumbrou ter na garagem de casa. "Após longa busca, encontrei um restaurador no Rio Grande do Sul que tinha cerca de 40 Mavericks no acervo. Escolhi este por ser um V8", conta entusiasmado.
O histórico do veículo é desconhecido, o que se sabe é que quase tudo foi trocado, desde as rodas até a transmissão. "É praticamente 100% novo", conta ele.
Encomendado, é hora de botar as mãos no carro, que chegou de plataforma, impecável, pintado nas cores vermelha e preta, uma réplica fiel da versão GT, datada de 1976, assim como a miniatura que você vê no detalhe da foto acima - presente de um amigo de infância.
Não! Não adianta perguntar o valor pago pelo carro. Quando questionado, Carmona lança a (sabia) frase, "Para mim, sonho não tem preço."
Já casado, pai de duas filhas e com 39 anos de idade, o representante comercial faz questão de frisar: "O que importa não é o dinheiro investido, mas se eu estou feliz com a minha conquista."
Uma voltinha a bordo do Maveco
O motor V8 302 de 5 litros foi retrabalhado e está totalmente zerado. O proprietário Fábio Carmona não descuida de nenhum detalhe e almeja, "Ainda vou deixar esse motor com 400 cv..."
Questionado se pretende expor o veículo em feiras, exposições e afins, Carmona diz que não quer alimentar os olhos dos antigomobilistas e que seu uso se restringe a passeios com a família nos fins de semana.
Aproveitando a deixa da reportagem, resolvemos dar uma voltinha a bordo do modelo entre a Rodovia Anchieta e a Estrada Velha de Santos, trecho suficiente para sentir a força do veoitão.
Tudo remete a esportividade, desde a suspensão até os detalhes internos como o miolo do volante, que traz a inscrição da versão GT. Cinto de dois pontos, sistema de ar-condicionado, assentos revestidos em couro, tudo foi reconstruído artesanalmente (e com muito capricho).
Hora de pular para o banco do motorista. Tudo é diferente, desde o freio de estacionamento - uma alavanca do lado esquerdo do painel - até os engates do câmbio (manual de quatro marchas). Mas, no momento da condução, o detalhe mais gritante é o freio - extremamente leve, contrastando com os demais comandos, todos bastante rígidos, como mandava a tradição.
Provocando torcicolos
Dirigindo ou sentados no banco do carona, a situação mais inusitada é ver a reação das pessoas nas ruas quando se deparam com este Maverick.
Pescoços e mais pescoços se torcem à medida em que o veículo vai passando. Alguns se empolgam com o ronco do motor, outros com o estado (impecável) do carro. Mas o fato é que o Maverick vai despertando paixões por onde quer que passe.
"Quando fui mandar instalar o som (único item do veículo que foge à originalidade) me ofereceram 10% a mais do que o valor que eu paguei pelo modelo", conta Fábio Carmona que já foi alvo de flashes em semáforos, estacionamentos, entre outros locais, "Todo mundo quer fotografar", comenta satisfeito.
"Vender o carro?! Jamais! Este é um sonho realizado que deverá me acompanhar por toda a vida", argumenta ele, enquanto seleciona um CD com músicas dos anos 1970, afinal, "aqui o pacote é completo. O negócio é reviver a época", brinca.
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