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Meio bicho, meio gente

Juliana Paes é a protagonista da nova versão de 'Gabriela'
escrita por Walcyr Carrasco com estreia marcada para junho

Sara Saar
Enviada a Salvador
23/05/2012 | 07:00
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Retirante de curvas acentuadas, nascida no sertão nordestino, Gabriela é a mulher mais desejada de Ilhéus nos anos 1920. Já interpretada por Sônia Braga em 1975, a personagem que representa a liberdade será vivida agora por Juliana Paes, protagonista da nova versão de Gabriela, novela que estreia no dia 19, às 23h, na Rede Globo, com direção de Mauro Mendonça Filho.

"É gostoso saber que tenho um grande personagem para defender. Dá um friozinho na barriga porque é uma grande responsabilidade", comenta a atriz sobre a cozinheira, que foi retirada do romance "Gabriela, Cravo e Canela". Lançada em 1958, a obra é de Jorge Amado (1912-2001), que completaria o centenário de nascimento em agosto.

Na trama, Gabriela atravessa o sertão e chega a Ilhéus, no interior da Bahia, onde conhece o "moço bonito" Nacib (Humberto Martins), por quem se apaixonada em meio a encontros e desencontros. "Personagens servem para repensarmos os nossos valores: a minha vida está ligada aos meus desejos ou só me importo com o que pensam de mim? Estou vivendo independentemente dos códigos morais?", exemplifica Juliana, que não assistiu a muitas cenas da primeira versão para não cair na armadilha de imitar um trabalho que foi muito bem feito.

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Segundo Martins, a novela propõe a discussão de costumes e "é atemporal porque trata de assuntos que ainda não foram resolvidos". Naturalmente sensual e ingênua, Gabriela representa o espírito livre, alheia aos costumes da época, na qual os casamentos eram arranjados. "Em geral as relações eram de profunda hipocrisia porque o homem via a mulher como objeto e tinha amantes. A mulher era feita para procriar e cuidar da casa", explica Ary Fontoura, que interpreta o coronel Coriolano. "De lá para cá, o ser humano não mudou muito, não", acredita o ator.

Enquanto trancam as mulheres em casa, os coronéis se divertem no famoso Bataclan, o cabaré mais agitado de Ilhéus, comandado por Maria Machadão (Ivete Sangalo). "Estou me achando ótima. É o início de uma grande jornada. Os meus fãs vão ficar loucos ao me verem", acredita a sempre bem-humorada Ivete, que gravará dias seguidos para conseguir cumprir a agenda de shows aos fins de semana.

Há décadas, coronéis controlam a cidade a ponto de ninguém dar passo sem aprovação deles, sobretudo de Ramiro Bastos (Antonio Fagundes). Eles fazem poucas praças e algumas estradas, mas nada de porto ou ferrovia. O cenário se transforma com a chegada de Mundinho Falcão (Mateus Solano). "Ele traz movimento para a cidade que está na inércia. Mundinho vem para mostrar a necessidade de progresso", diz Solano.

É um prazer para Solano contracenar pela primeira vez com Fagundes, que adianta: "é um duelo bem gostoso". Durante a trama, Mundinho se apaixonará justamente por Jerusa (Luiza Valdetaro), a neta predileta de seu maior inimigo político. A vontade de Ramiro era que a bonita e delicada jovem se casasse com Juvenal (Marco Pigossi), filho do coronel Amâncio (Genézio de Barros), o seu compadre. Surge então um amor proibido, repleto de encontros às escondidas.

Para José Wilker, que interpreta o coronel Jesuíno, não existe remake de Jorge Amado. "Quando se faz clássico, faz clássico, é uma versão nova. E a juventude que não assistiu a primeira terá oportunidade agora de assistir à adaptação de Walcyr Carrasco", diz. Segundo Fagundes, "essa é oportunidade para as pessoas voltarem a ler Jorge Amado".

Na trama, o coronel Jesuíno é marido da sinhazinha Mendonça (Maitê Proença), que se envolve com o dentista Osmundo (Erik Marmo). "Ela se depara com um sentimento que nunca havia acontecido para ela. É uma mulher de comportamento exemplar, mas se apaixona e precisa lidar com isso, que para ela é a pior coisa que poderia acontecer", adianta Maitê. "Osmundo tem uma visão de mundo não comum. Amigos caçoam dele porque não tem interesse de ir ao bordel", exemplifica Marmo.

* A repórter viajou a convite da Rede Globo.




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