Tecnologia
Andréa Iseki/DGABC

A Câmara de São Bernardo entregou ontem um tablet para cada um dos 21 vereadores e outros cinco para assessores técnicos do Legislativo. Cada aparelho foi adquirido ao custo de R$ 1.174, totalizando R$ 30.524.
Com o aumento de vereadores de 21 para 28 a partir do ano que vem, outros tablets devem ser comprados. A nova aquisição causou estranheza nos parlamentares. Alguns afirmaram não saber utilizar o equipamento, outros alegaram que a compra não deveria ser prioridade na Casa.
O presidente da Câmara, Hiroyuki Minami (PSDB), justificou a compra dos tablets para economizar gastos com impressão e papéis e adaptar a Câmara para as inovações tecnológicas.
"Estamos dando um instrumento para que os vereadores possam modernizar seu trabalho", disse o mandatário.
Segundo o tucano, a Câmara produz por ano cerca de 200 mil impressos que são utilizados nas sessões, volume que tende diminuir na medida em que os parlamentares estiverem familiarizados com o equipamento.
Minami ressaltou que haverá capacitação para os parlamentares se adaptarem ao tablet. "O vereador é responsável pelo equipamento. Fizemos uma portaria detalhando como ele deve ser utilizado." Os tablets foram comprados no sistema de pregão, no qual uma revendedora da marca Acer foi a vencedora.
A novidade não foi bem recebida por todos os vereadores. Mesmo sem testar o equipamento, Fábio Landi (PSD) disse que vai devolvê-lo. "Não fomos avisados e também não sei o valor ou se houve licitação para a compra", questionou.
A bancada petista foi a que se mostrou mais arredia ao uso dos tablets. Segundo o líder do partido na Câmara, Matias Fiúza, os petistas vão decidir em reunião se devolverão os aparelhos. "Eu particularmente considero desnecessário porque hoje há celulares com os mesmos recursos que um tablet", declarou o petista.
Para Tião Mateus (PT) existem demandas mais urgentes para serem tratadas pela Câmara. "Não sei usar isso, não sei nem como funciona", admitiu.
Segundo Minami, os colegas tinham ciência da compra dos tablets. "Eu disse no começo do ano passado que ia oferecer esse recurso."
Confusão - Perto do fim da sessão, o projeto de lei do vereador Gilberto França (PMDB), que sugere que um dos viadutos da avenida Lions seja nomeado Ademir de Melo, deflagrou bate-boca entre Ary de Oliveira (PSB) e Matias Fiúza - obra na avenida será entregue sábado.
O petista pediu o adiamento da matéria, enfurecendo Ary, que com o dedo em riste alegou que Fiúza estaria prejudicando o trabalho dos vereadores. O socialista considera que os parlamentares já possuem poder limitado, e que, se o batismo de espaços públicos for colocado em xeque, diminuirá ainda mais as atribuições.
Situação dos professores segue indefinida
Um dia após cruzarem os braços, um grupo de professores da rede municipal de São Bernardo realizou outra manifestação, ontem, na Câmara.
Cerca de 50 profissionais se reuniram com os vereadores na expectativa de conseguirem uma agenda com representante da Prefeitura para discutir o Estatuto dos Profissionais de Educação.
Durante a reunião, o líder do governo na Câmara, Antonio Carlos da Silva, o Toninho da Lanchonete (PT), assegurou aos professores que a administração municipal está de portas abertas para recebê-los. Apesar disso, a categoria deixou o Legislativo sem definição de uma data para discutir o estatuto.
O presidente do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos de São Bernardo), Giovani Chagas, chegou a se reunir com o secretário de Governo, Maurício Soares (PT), também sem sucesso.
"Queremos apenas um retorno da administração. Ficamos sabendo que a Cleuza (Repulho, secretária de Educação) não quis nos receber porque ficou incomodada com a manifestação de ontem (terça-feira)", disse.
Diplomático, Maurício Soares disse que o prefeito Luiz Marinho (PT) está conduzindo a negociação e que sindicato está fazendo seu papel de reivindicar.
Na terça-feira, duas manifestações - uma pela amanhã e outra à tarde - mobilizaram pelo menos 4.000 professores para pressionar o governo, mas, mesmo assim, o impasse continua. Amanhã, em outra assembleia às 19h, o professorado decide se cruza os braços por tempo indeterminado.
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