Política Titulo Santo André

Rafael Daniel é o
vice de Bonome

Do PMN, o sobrinho do prefeito de Santo André Celso
Daniel está na chapa do PMDB; família o apóia no pleito

13/05/2012 | 07:19
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Pré-candidato ao Paço de Santo André pelo PMDB, Nilson Bonome movimentou peça importante no xadrez político da cidade. Não chega a ser xeque-mate, mas neutraliza algumas jogadas dos adversários. O peemedebista definiu como vice de sua chapa Rafael Daniel (PMN), sobrinho do prefeito petista Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002.

Pelo trabalho desenvolvido até então, o chefe do Executivo virou referência em administração pública. Era um dos grandes quadros nacionais do PT. Assumiria em 2003 a chefia da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que no mesmo ano de sua morte venceu a eleição e assumiu o comando do Palácio do Planalto.

Não é à toa que a maioria dos políticos, petistas ou não - até mesmo de fora do município e do Estado -, reverencia a figura de Celso Daniel. Nas fronteiras andreenses, o prefeito Aidan Ravin (PTB), que tentará a reeleição, o pré-candidato petista Carlos Grana e até mesmo alguns tucanos falam em colocar em prática ideias e conceitos do chefe do Executivo, morto aos 50 anos.

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A entrada de Rafael Daniel no cenário é estratégica. Coloca um integrante legítimo da família para defender as teses de Celso. E evita, assim, o uso do sobrenome pelos concorrentes. "Minha história fala por si. Sempre convivi com meu tio. Trago valores como trabalho, seriedade, força de vontade e amor pelo próximo. Vamos dar continuidade aos bons projetos, mas também vamos criar outros", analisa o pré-candidato a vice.

Sobre o uso de seu sobrenome por alguns atores políticos, diz que é por conveniência. "Muitos podem falar, mas esse direito, de fato, está comigo. A responsabilidade, esse fardo, está aqui. Falar é fácil, mas fazer é outra coisa. Ter essa responsabilidade, esses predicados, pessoal, é genético", frisa Rafael, ao observar que a atuação do tio não tinha fórmula mágica. "Deixou uma cartilha, de visão de futuro. É trabalho."

Dentre as muitas situações que enfrentará na eleição, uma delas tem simbolismo peculiar: enfrentar o PT, partido o qual Celso Daniel foi um dos fundadores e ajudou a ganhar a atual projeção, de maior partido do Brasil. "Esse não é o PT do meu tio. Era um partido idealista. Falar do PT é complicado (embarga a voz e faz pausa). Igualou-se aos outros. Respeito como os outros, da mesma maneira (...) Sempre vai faltar o homem público Celso Daniel. Ele deu a vida pelo PT, com dignidade, que é o princípio básico para alcançar qualquer objetivo", enfatiza o sobrinho, que conviveu intensamente com o tio desde os dez anos - moravam no mesmo prédio.

A ligação foi tão forte que Rafael Daniel ficou com 70% do que era de Celso - inclusive carro, objetos, projetos e planos de governo. "A família sempre assinou embaixo. Sempre ouve respeito mútuo. Conheço todas as ideias. Umas já perderam o tempo, mas podemos modernizar, atualizar. Vamos divulgá-las na oportunidade certa", relata ele, que em 2008 tentou ser vereador pelo PMDB. Obteve 2.957 votos, ficou entre os 21 mais bem votados, mas não obteve vaga pelo quociente eleitoral. Teve sufrágios em todas as urnas.

O peemenista afirma ter o respaldo da família para a empreita eleitoral, a qual trata como recomeço. A mãe, Maria Elisabeth Daniel, e a tia, Maria Clélia Daniel, são as que acompanharão o processo mais de perto, pois ainda moram em Santo André. Os outros dois tios, Bruno José Daniel e João Francisco Daniel, estão fora do País. Dos oito primos, apenas um ainda está por perto - os demais estão em outros Estados e no Exterior. "Tenho apoio da família. Não há qualquer objeção. Se não haverá participação efetiva no pleito, ao menos há base para nós caminharmos na política", salienta Rafael, que antes da morte do prefeito mantinha contato direto com Lula, José Dirceu, Miriam Belchior, Gilberto de Carvalho, dentre outros petistas de renome. "Mas hoje não é mais assim."

O sobrinho de Celso Daniel era, inicialmente, pré-candidato ao Paço. Mudou de ideia para integrar a chapa do PMDB como vice por acreditar "num projeto sério" apresentado por Nilson Bonome. "Mostrou-se um ótimo administrador, gestor público. Assim como o PMN, tenho um nome a zelar", afirmou, referindo-se à atuação do peemedebista como secretário de Governo e de Saúde na gestão Aidan Ravin, a qual deixou em 31 de janeiro.

Definição de dobrada não evita apoios

A definição da sobrada com Nilson Bonome e Rafael Daniel não interfere nos apoios já declarados à empreitada de PV e PSL, por exemplo. Essas legendas terão participação efetiva num possível governo por meio de secretarias.

"Todos têm ciência dessa união. Alguns solicitaram a vaga de vice, mas souberam entender que o Rafael é a melhor opção. É um nome que irá, junto conosco, dar continuidade ao projeto que seu tio vinha desempenhando", discorreu o peemedebista. "Todos os aliados terão atuação importante na administração", completa.

Se há partidos que acreditam na pré-candidatura ao Paço de Bonome, o mesmo não se pode dizer dos dois vereadores da legenda. José de Araújo, presidente do Legislativo, e Sargento Juliano defendem coligação à tentativa de reeleição do prefeito Aidan Ravin. Para Bonome, ex-homem-forte da gestão petebista, os parlamentares aceitarão a candidatura própria ao Paço a partir da convenção partidária, em junho. Antes, já haverá sinalização. Dia 19 ele será empossado oficialmente presidente do diretório municipal do PMDB, em atividade com presença do mandatário paulista da sigla, Baleia Rossi, deputados estaduais e outras lideranças da agremiação.

"Em nenhum momento vi ou ouvi do Juliano alguma preferência. Agora, o Araújo tem o interesse de caminhar junto à administração por gratidão ao prefeito, pois o Aidan, junto comigo, articulou o nome dele para assumir a presidência da Câmara (no ano passado)", ressalta o pré-candidato. BS




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