Luto Considerado quieto e até um pouco tímido pelos amigos, Chico Anysio só não era modesto em número de criações. Em quase 81 anos de idade (comemoraria no dia 12 de abril), dedicou-se à carreira de humorista por 65 anos e criou mais de 200 personagens, segundo seus próprios cálculos. Apenas na telinha, apareceu por mais de quatro décadas, entre períodos de ‘geladeira' - aos quais respondia com declarações sarcásticas.
Criado no Rio desde os 7 anos, era vascaíno doente em uma família que torcia pelo Botafogo. Seguindo o manual dos meninos apaixonados por futebol, aspirava uma posição nos gramados. O sonho, porém, não durou muito. Nos anos 1950, foi contratado como locutor e ator pela Rádio Guanabara. Nos testes, disputou vaga com o então iniciante Silvio Santos e ficou em segundo lugar.
A fantasia de se tornar profissional dos campos serviria depois como base para um de seus mais marcantes personagens na televisão: Coalhada, jogador estrábico e de vasta cabeleira que se dizia craque, mas era espinafrado pela torcida por sua pouca habilidade com a redonda. Os conhecimentos do esporte bretão valeram também em participações como comentarista esportivo, incluindo na Copa de 1990.
NA TELINHA - Na telinha, começou na TV Rio, no fim da década de 1950. Foi na extinta emissora que nasceu o Professor Raimundo. O personagem, que Anysio interpretou até o ano passado em participações no humorístico Zorra Total, resumiu bem sua identidade como criador e incentivador dos novos humoristas.
Pelas carteiras da escolinha, passaram nomes da velha guarda de humoristas, como Zezé Macedo e Grande Otelo e outros destaques da nova escola, que incluíram Cláudia Jimenez (Dona Cacilda), Pedro Bismarck (Nerso da Capitinga), o conterrâneo Tom Cavalcante (João Canabrava), além dos filhos Lug de Paula (Seu Boneco) e Nizo Neto (Seu Ptolomeu). "Criou personagens, textos, números e esquetes sensacionais que ficarão para sempre", afirma Paulo Bonfá, organizador do evento Risadaria.
PLIM PLIM - A partir do momento em que se tornou artista exclusivo da Globo, os personagens adquiriram mais popularidade. Na emissora carioca, fez Chico City, Chico Total, Chico Anysio Show, Estados Anysios de Chico City e Escolinha do Professor Raimundo.
Nesses e em programas especiais, apareceram personagens que ainda povoam o imaginário de quem viveu entre os anos 1960 e 2000. Entre os quais, o apresentador vaidoso Alberto Roberto, o coronel Pantaleão, o velho Popó, Bento Carneiro, o vampiro brasileiro (do bordão "Minha vingança sará malígrina!") e o Jovem, que resumia, repleto de sarcasmo, a atitude dos adolescentes dos anos 1980.
VIDA PESSOAL - Caçula de oito irmãos, Chico Anysio teve, ele mesmo, o mesmo número de filhos. Antes de Malga, foi casado, em ordem cronológica com Nancy Wanderley, Roseli Rondelli, Regina Chaves (que fez parte do grupo As Frenéticas), Alcione Mazzeo e a então ministra da Economia do governo de Fernando Collor, Zélia Cardoso de Mello, mãe de seus dois filhos mais novos.
Além de Anysio e os filhos, a família de artistas tem ainda a diretora de TV Cininha de Paula, a atriz Maria Maia, o ator Marcos Palmeira e o cineasta Zelito Viana.
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