Setecidades Titulo Dia Internacional da Mulher

A guerreira que luta em meio ao lixo

Conheça aqui a jornada de Maria da Ajuda, que conseguiu
encontrar a dignidade em uma cooperativa de recicláveis

08/03/2012 | 07:00
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A necessidade em colocar comida na mesa tem levado muitas mulheres a profissões que exigem coragem, desprendimento e superação. Quando Maria da Ajuda Rosa de Almeida, 50 anos, chegou à cooperativa de recicláveis Cidade Limpa, em Santo André, há 11 anos, estava se recuperando de uma leucemia. Escondeu de todos que o corte de uma cirurgia ainda não havia cicatrizado. A falta de dinheiro, porém, era maior do que a preocupação com a saúde.

Estava doente e desempregada. Vim fazer uma visita e saí com um trabalho. Foi a minha salvação", diz. Maria, como muitas outras mulheres no Brasil, começou a trabalhar cedo, aos 8 anos. Já fez de tudo na vida, foi ajudante em restaurante, faxineira, lavadeira e ajudante de pedreiro. Natural de Guaratinga, na Bahia, se mudou com a mãe, pai e outros 11 irmãos ainda na infância para Jundiaí.

Aos 13 anos, um estupro marcaria sua vida para sempre. "Tive uma filha, que morreu com 2 meses, sem qualquer explicação. Foi difícil, mas confesso que senti um alívio. Era uma situação muito complicada." Os pais não aceitaram que a menina ficasse em casa após o ocorrido e arranjaram um marido para ela. Sete anos e dois filhos depois, Maria resolveu dar um basta no casamento infeliz. Logo arrumaria outro companheiro, com quem teve outros quatro filhos e viveu por 18 anos. "Ele tinha outras mulheres, o que ganhava no trabalho gastava com elas. Era eu quem sustentava a casa."

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Mas Maria não se entregou. Separou-se pela segunda vez e viu-se sozinha, com os filhos e doente. A luta contra a leucemia foi vencida, mas faltava comida em casa. O emprego na cooperativa de material reciclável ajudou a recuperar a dignidade. "Não é muito, mas é daqui que tiro meu sustento, Hoje meus filhos estão casados e tenho sete netos. Outros quatro estão para nascer", revela, com um largo sorriso. O preconceito é algo a ser enfrentado. "As pessoas torcem o nariz quando falo que sou catadora. Perguntam se trabalho com lixo e confirmo. Não há problema algum nisso." A catadora sonha em melhorar de vida e galgar degraus na empresa. Outro objetivo é encontrar, finalmente, o "homem dos sonhos". "Tem de ser honesto, sem vícios, carinhoso. Tem de ser perfeito."

Maioria

O sexo feminino é maioria na profissão de catadores de material reciclável, de acordo com dados do Movimento Nacional dos Catadores. A estimativa é de que 800 mil pessoas trabalhem na separação de lixo no Brasil, sendo que 90 mil estão no Estado de São Paulo. As mulheres representam 70% dos trabalhadores.

Na região, as prefeituras possuem levantamento sobre os trabalhadores nas cooperativas conveniadas. Em Santo André, das 69 pessoas cadastradas, 50 são mulheres. Ribeirão Pires tem 14 cooperadas para seis homens na Cooperpires. O programa Vida Limpa de Diadema conta com 26 catadoras, em um total de 50. Em São Caetano, são18 mulheres na função. São Bernardo, Mauá e Rio Grande da Serra não informaram.




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