Maior da história Campeão paulista da Segunda Divisão pelo clube em 1975,
ex-atacante travava luta contra diabetes e estava internado

A torcida do Santo André encerrou o Carnaval em luto. Morreu na tarde desta terça-feira, aos 59 anos, o ex-jogador Tulica, principal artilheiro da história do clube com 63 gols, na década de 1970. Ele estava internado há quase um mês, passou por quatro cirugias na perna esquerda - inclusive amputações - no período e morreu à tarde no Hospital Municipal de Santo André. O causa, até o fechamento desta edição, não havia sido confirmada pelos médicos.
Tulica estava com problemas de circulação em razão de diabetes e foi encaminhado ao HM de Santo André em 26 de janeiro. Duas semanas depois, foi transferido ao Mário Covas e recebeu alta na sexta-feira. No sábado, teve sangramento na perna esquerda e foi levado novamente ao Hospital Santo André, onde foi detectada anemia profunda.
Como o corpo não havia sido liberado, os familiares não sabiam informar quando começaria o velório, que será no Cemitério Camilópolis, em Santo André, mesmo local do enterro, hoje. Deixou viúva, três filhas e um neto.
HISTÓRIA
Tulica foi um jogador que está praticamente em extinção no futebol brasileiro atual. Com faro de gol, logo foi descoberto na várzea de Utinga, em Santo André.
Chamado para defender a cidade nos Jogos Abertos de Bauru, em 1970, sagrou-se campeão vencendo na final Santos, representada por jogadores do Peixe.
Com as boas apresentações, Tulica acertou com o Ramalhão para defender as categorias de base, mas não demorou muito para se profissionalizar.
O sucesso fez com que ele trocasse o Ramalhão pelo Santos, onde permaneceu por um ano. Foi emprestado ao Atlético Carazinho-RS antes de continuar a história no Ramalhão.
Em 1974, foi vice-campeão da atual Série A-2 do Paulista e, em 1975, conquistou o título, sendo um dos principais jogadores daquele time.
Mas, como na época não havia acesso, o Santo André vendeu alguns jogadores e Tulica transferiu-se ao Atlético Goianense. Ainda jogou no Vila Nova antes de defender o Fluminense sem muito sucesso.
Acertou no início da década de 1980 com o Grêmio Mauaense, onde encerrou a carreira de jogador e treinou o time principal.
Também trabalhou nas categorias de base do Ramalhão e na sede social do clube/CW.
Amigos lamentam morte do ex-jogador
Humilde e bom de bola. É assim que Tulica é definido por quem o conheceu. Ovídio Simpionato, presidente da Tuda (Torcida Uniformizada Dragão Andreense), ficou emocionado ao saber da morte do eterno ídolo do Ramalhão.
"Como poucos, ele empurrava a bola para dentro do gol. Hoje não existe mais jogador como ele. Só fazia lindos gols", elogiou Ovídio. "Mesmo nos seus anos de glória, ficava ao lado dos torcedores."
Ex-jogador do Ramalhão na década de 1980, Lance destacou a importância de Tulica. "Foi um dos maiores jogadores que atuaram no Santo André, se não foi o maior. Joguei algumas partidas contra ele e foi meu olheiro quando fui técnico do Santo André em (1996). Conhecia muito de futebol", recordou Lance. "Tulica era a bandeira, o símbolo deste clube, é uma perda inestimável", lamentou.
O diretor de futebol do clube, Sérgio do Prado, decretou que o jogo do Santo André diante do Red Bull terá um minuto de silêncio. "É uma perda lamentável porque é uma pessoa muito boa", destacou o dirigente. "O Santo André o ajudou até aonde pôde. Estamos tristes e lamentamos porque o clube perdeu um dos seus maiores artilheiros."
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