Festa Em Ribeirão Pires, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar
completa 300 anos e moradores se preparam para festa

O templo religioso mais antigo do Grande ABC, inclusive tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) fica no alto de um morro no bairro Pilar Velho, em Ribeirão Pires. Dali, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar parece observar os moradores da área afastada do Centro da cidade, de casinhas simples e gente humilde, mas com muita fé. São os mesmos moradores que pedem mais atenção ao poder público não apenas na época da tradicional Festa do Pilar, em maio, mas durante todo o ano.
O que se vê agora no acesso à capela e principal via do bairro, a Avenida Santa Clara, é abandono. Há mato alto e crateras que fazem o motorista colocar o pé no freio. Também falta iluminação e segurança para espantar a ‘juventude' que vem beber e usar drogas no terreno da igreja. "A gente tenta cuidar, meu marido sempre corta o mato, mas não dá para fazer isso no terreno inteiro", afirma a dona de casa Alaíde Nario Pinto de Moraes, 68 anos, 32 deles vivendo "bem pertinho da casa de Deus".
Outra família que vive no terreno elevado ao lado da igreja e do Cemitério do Pilar, alçado a cemitério indígena nas comemorações à santa no ano passado, é a do estudante Eduardo Cosmo Ferreira, 19, que nasceu ali. Seu pai, Braz Soares, 73, toma conta do terreno, mas não consegue fazer muita coisa sem o apoio da Prefeitura. "Mesmo assim, gosto de viver aqui. Não me acostumo com a cidade não", garante Ferreira.
Com o abandono do local, era de se esperar que houvesse ali pouca movimentação religiosa, mas não é o que acontece. Na parte baixa do bairro vive a dona de casa Ilda Priscila de Paula Souza, 65, uma das mais ativas devotas de Nossa Senhora do Pilar. É ela quem está à frente da mobilização pelas comemorações dos 300 anos da igreja, em 25 de março de 2014. "O maior presente seria conseguir a restauração da capela."
Na pequena igreja há missas todos os domingos, às 10h30, e grupo de orações às segundas-feiras, sempre às 19h30. Para receber melhor seus fiéis, que vêm não apenas do bairro, mas de toda Ribeirão Pires, é preciso consertar o assoalho, que está afundando, e resolver o problema das goteiras. "A última grande reforma feita aqui foi na década de 1980. Precisa de cuidados urgentemente."
Enquanto a restauração da igreja e da imagem da santa, que também está prejudicada pela ação do tempo, não chega, o jeito é começar a comemorar. E um presente vindo direto de Zaragoza, na Espanha, região onde surgiu a devoção a Nossa Senhora do Pilar, ajudou nisso. "Uma senhora espanhola que conhecemos aqui no Pilar Velho mandou essa imagem da santa diretamente do Santuário de Saragossa. A ideia é que até 2014 ela passe por diversas casas de famílias da cidade", explica a dona de casa Conceição Pereira de Paula, 58, cunhada de Ilda e que atualmente é a protetora da santa.
Ambas concordam em um ponto: se forem feitas melhorias na Igreja do Pilar, o bairro também melhora. "Nossa vida é essa igreja. Ela faz parte da história", diz Ilda.
Passado da área e da cidade está desaparecendo
A sensação de que se está no Interior pode ser sentida por todo o bairro do Pilar Velho, apesar da recente movimentação intensa de funcionários por conta das obras do Trecho Leste do Rodoanel. O túnel Santa Luzia deve ser construído na antiga pedreira Santa Clara, mas por enquanto a obra segue embargada pela Prefeitura por não possuir alvará.
É logo à frente da pedreira que se vê um conjunto de casinhas coloridas e desgastadas que podem dar a impressão de serem inabitadas. No entanto, ainda vivem ali cinco famílias, das cerca de 25 que ocupavam a antiga vila de trabalhadores da pedreira. "Eles foram saindo e derrubaram as casas. Eu fiquei, gosto daqui", afirma a dona de casa Íris Gonçalves da Silva, 48 anos.
Ela pouco sabe sobre a história do local, que abrigou os primeiros operários da pedreira. "A casa era do meu marido, mas ele faleceu e eu fiquei. Aqui é bom para vender pastel para os moços da firma e, agora, da obra."
Em 2010, o Pilar Velho perdeu ainda outro patrimônio: a Igreja de Santa Luzia, que passou 20 anos abandonada e sucumbiu à força das chuvas de verão. Até então, o prédio estava avariado, com pichações e depredações. Historiadores do município insistiram durante anos para que a Prefeitura iniciasse o processo de tombamento da igreja. Agora, há projeto para reerguê-la, mas não há verba.
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