Caso Eloá

O tenente da PM (Polícia Militar) Paulo Sérgio Squiavano reforçou em seu depoimento nesta quarta-feira que a invasão ao apartamento de Eloá Pimentel só ocorreu após os policias ouvirem um disparo feito dentro do local. Esta foi a mesma versão apresentada ontem pelo capitão do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) Adriano Giovanini.
Squiavano, que comandou a ação de invasão, foi ouvido por pouco mais de uma hora e meia e suas respostas foram curtas e diretas. Na época do crime, ele era membro do Gate.
O tenente lembrou que houve uma mudança no planejamento da PM no último dia do sequestro. A ordem passou a ser invadir o local mediante qualquer som de disparo de arma de fogo ou sinal de perigo à vida das vítimas. Squiavano contou que a polícia utilizou apenas balas de borracha e que sabia que Lindemberg Alves Fernandes tinha montado uma barricada com móveis atrás da porta, mas que este era o único modo de entrar no apartamento de Eloá.
O tenente relatou que a polícia ocupou o apartamento vizinho ao da vítima e que com a ajuda de estetoscópios e copos conseguia ouvir o que se passava do outro lado da parede. Por diversos momentos, Squiavano disse que houve discussões entre o réu e a vítima e, até mesmo, escutou Eloá sendo agredida. Ele afirmou que sempre sentiu que a intenção de Lindemberg era tirar a vida da ex-namorada. "Não havia chance disso não acontecer."
O policial desmentiu uma afirmação feita pela defesa e contou que não ouviu os envolvidos rindo ou ouvindo música alegre. O ambiente era tenso.
O tenente confirmou que teve algumas oportunidades de atirar contra o acusado, mas que a ordem era de negociação. Contudo, ele fez questão de lembrar que o réu estava agressivo no último dia de cárcere e que não queria conversar com os policiais.
Apesar dos depoimentos de Squiavano e Giovanini irem contra ao de Nayara Rodrigues, amiga de Eloá, que afirma ter escutado apenas três disparos, todos feitos após a invasão da polícia, o tenente confirmou que só a resistência do Lindemberg em negociar já seria um motivo suficiente para invadir o imóvel.
Apesar dos testemunhos dos policiais, as famílias de Eloá e Nayara estudam processar o Estado por conta da atuação policial, que, segundo elas, teria sido falha.
O tenente depôs no terceiro e provavelmente o último dia de julgamento de Lindemberg, acusado de matar Eloá em outubro de 2008, após mantê-la refém por cerca de 100 horas dentro do apartamento da vítima, em Santo André. Um júri formado por seis homens e uma mulher decidirá se o réu é ou não culpado pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, cárcere privado e disparo por arma de fogo. (Com informações de Cadu Proieti e Rafael Ribeiro)
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