O PSDB definiu ontem que vai abrir processo de expulsão contra tucanos que apoiam o governo do prefeito Oswaldo Dias (PT), em Mauá. É a primeira ação anunciada como resposta à denúncia publicada pelo Diário no dia 1º, de que cerca de 20 aliados do vereador Edimar da Reciclagem (PSDB) ocupam cargos em comissão na administração petista.
No pente fino, iniciado ontem e que deve seguir até amanhã, o primeiro filiado encontrado pela cúpula com cargo no governo do PT é Flávio Nicolau Freire, que trabalha na Secretaria de Serviços Urbanos. Ele ingressou no PSDB em 1º de dezembro de 2008, menos de dois meses após a eleição de Edimar à Câmara.
"Eu penso, tenho neurônios. Sei o que faço e sou partidário. O PSDB não pode estar junto do governo do PT. Quem acha que pode, que saia logo. Não precisa ficar fazendo média", justifica o presidente municipal da legenda, Márcio Canuto. O encontro dele com o mandatário estadual, o deputado Pedro Tobias, previsto para ontem, foi adiado por compromissos do parlamentar na Assembleia. Assim, possíveis punições a Edimar ainda serão estudadas.
Canuto rebateu a declaração do vereador de que o tucanato não pode "continuar amante da família Damo", em referência à provável adesão da sigla à pré-candidatura a prefeita da deputada estadual Vanessa Damo (PMDB). "O PSDB não pode ser amante, muito menos, da família Dias e do PT", disparou, argumentando que a aliança com o PMDB "não foge da ideologia de oposição" tucana.
DENÚNCIA
Pré-candidato a prefeito de Mauá pelo PSDB (assim como Edimar), Mateus Prado denunciou que a manutenção de aliados de vereadores no governo integra esquema que chama de "mensalinho". "Os cargos do Edimar custam R$ 1 milhão por ano aos cofres do município. Não posso concordar com isso. Ele não tem mais condição ética de ser candidato." Mateus afirmou (mas não comprovou) que o "mensalinho" é usufruído também por Irmão Ozelito (PTB), pré-candidato a prefeito.
Ao saber da denúncia, Edimar considerou estar sendo "fritado" pelo partido. "Mas isso não me preocupa porque todo mundo que conhece o Mateus sabe que ele é louco. Precisa ser internado." O vereador anunciou que vai registrar boletim de ocorrência hoje contra a fala do correligionário.
"O Mateus antes de julgar alguém tem de disputar uma eleição e ganhar para saber o que é ser vereador. Julgar é muito fácil, provar é outra coisa. Isso é invenção", declarou, negando a existência do esquema. Sobre não ter mais condição ética de ser candidato a prefeito, Edimar lembrou o histórico de militância de Mateus, que iniciou a vida política no PT, foi para o Psol, retornou ao PT e depois passou por PSDC e PV até chegar no PSDB. "Ficou a vida toda desconstruindo partido. Quem não tem moral é ele."
Ozelito não retornou os contatos da equipe do Diário para comentar o assunto.