Quinze partidos em Santo André protocolam amanhã postura favorável ao aumento do número de cadeiras na Câmara, mesmo após rejeição quase unânime da proposta em plenário, em setembro. A pressão serve para que os vereadores retomem a discussão da alteração à Lei Orgânica do Município, acrescentando seis vagas - passaria de 21 para 27.
O grupo de legendas, composto por PMDB, PTB, DEM, PV, PR, PPS, PSDC, PRP, PCdoB, PSL, PSC, PMN, PTdoB, PRTB e PHS, assinou o documento.
Para formalizar a proposta, os partidos farão uso da tribuna e estão convocando os filiados a comparecer no Legislativo. O manifesto defende que a quantidade de vereadores não reflete todos os estratos da população, haja vista que a composição da Casa é apenas de homens "em desacordo com os princípios da representação e da proporcionalidade". O documento avalia que seria "equívoco histórico" manter o número.
Do total de adeptos ao acréscimo, só PMDB, PTB, DEM e PV têm representatividade na Câmara. Os peemedebistas, desde o início das discussões, sempre encabeçaram a frente pelo aumento. Os três últimos, entretanto, estão mudando de lado. Na votação, eles contribuíram para enterrar a proposta. O PTB, legenda do prefeito Aidan Ravin, analisa a chance de conquistar mais cadeiras caso o projeto passe na Casa. As siglas nanicas anseiam pela majoração por conta da diminuição do coeficiente eleitoral, o que ampliaria a possibilidade de alcançar uma vaga.
A ampliação das cadeiras elevaria o custo da Câmara em R$ 6 milhões ao ano. A proposta necessita de 14 votos a favor. Somente com PT e PSDB contrários, que representam nove sufrágios, o aumento naufraga. O presidente do diretório petista, Luiz Turco, assegura que o partido, com seis vereadores, não vai ser o fiel da balança para reverter a situação. "Vamos manter nossa postura avessa. Não entraremos nessa gelada."
O vereador Marcelo Chehade (PSDB), favorável na primeira apreciação, adiantou que é contra o retorno da matéria. O tucano alega que só votou positivo ao acréscimo anteriormente por integrar a mesa diretora. "Apenas obedeci a lei na outra ocasião. Porém, agora é diferente. Nem assinar eu assino. Não vejo necessidade."
O líder do governo, Donizeti Pereira (PV), justifica que não vai seguir os passos do partido. Segundo ele, a discussão passou. "Faz quatro meses que já rejeitamos. O debate, na oportunidade, poderia ser amplo, mexendo na estrutura, diminuindo assessores, para que, de fato, não tivesse gasto." Ailton Lima (PTB) sustenta que não há sentido para o aumento. "Voto contra."