Primeiro partido a anunciar apoio à reeleição do prefeito Aidan Ravin (PTB), o DEM de Santo André hoje lamenta ser ‘refém' da aliança. A bancada da sigla na Câmara, composta por três vereadores, ameaça desconstruir o acordo por falta de contrapartida. Com a saída de Raimundo Salles da presidência democrata - hoje ele é pré-candidato ao Paço pelo PDT -, a legenda naufraga. A ajuda do governo, segundo eles insuficiente, pode resultar em perda de espaço no Legislativo.
A vinda do presidente estadual do DEM, Jorge Mudalen, em reduto andreense na semana passada para reafirmar o compromisso com Aidan, e sem passar ao conhecimento dos parlamentares, acirrou os ânimos dos vereadores, que afirmam que estão sendo "esquecidos" na legenda.
O vereador Toninho de Jesus (DEM) acusa Mudalen de beneficiar apenas a candidatura do assessor de Aidan e ex-parlamentar Marcos Medeiros, que trocou recentemente o PSDB pelo DEM. Segundo ele, o dirigente põe o correligionário "debaixo do braço sob proteção" pelo fato de serem ligados à mesma denominação religiosa: Igreja Internacional da Graça de Deus. "Não dá para misturar religião com política. Uma liderança deve primar pela ideologia partidária. É injusta essa resistência."
O Executivo, para Toninho, poderia contribuir para fortalecer o DEM, mas o desprestígio dos parlamentares eleitos ficou configurado com a nomeação de Antonio Feijó, outro assessor do prefeito, e a montagem da chapa de vereadores. "Merecíamos um pouco mais de atenção", classificou. "Espero que o Paço ponha a mão para atenuar o descontentamento. Se continuar assim, não temos alternativa se não procurar alternativas."
Medeiros admite que o governo encontrou dificuldades em compor chapas com pré-candidatos em todas as siglas aliadas. Segundo ele, na ocasião, com arco de alianças amplo, a distribuição ficou involuntariamente prejudicada. "Infelizmente não deu para deixar do jeito que gostaríamos. Não significa que estão descumprindo o acordo. Só não atingimos o alvo." O ex-parlamentar nega ter benesses por frequentar a mesma igreja de Mudalen. "Não existe essa pessoalidade. Até porque ele tem visão macro do Estado."
Segundo o vereador Luiz Carlos Pinheiro, o Pinheirinho (DEM), a inércia da direção tende a esvaziar a representatividade no Legislativo. "Não pode ficar com rabo preso, senão perde força política. Temos de bater de frente. Se necessário, pedir intervenção."