O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), dá sinais de que não está preocupado com a oposição a seu governo na Câmara, que retoma os trabalhos amanhã.
Para reforçar a tranquilidade que a maioria governista no Legislativo lhe confere, o chefe do Executivo alfinetou o vereador Admir Ferro (PSDB), principal figura da oposição na Casa. "O Admir pode deitar, rolar, dar parecer contrário para ser derrubado no plenário. Não importa como a oposição vai se posicionar, a única coisa que não pode é a minoria impedir que a maioria trabalhe", disse o prefeito.
Dos 21 parlamentares, dez estão na bancada de sustentação, formada por PT, DEM, PSD e PTB. Marinho conta ainda com o apoio ocasional de PSB e PMDB, siglas cotadas para estarem na base de apoio ao petista em seu projeto de reeleição.
Marinho alegou que respeita a independência da Casa, e garantiu não interferir nas decisões locais. "Os vereadores têm autonomia. Ano passado, eles postergaram alguns projetos para depois votar tudo de uma vez. Se essa é a técnica da Câmara, eu tenho que aceitar. Não posso ficar reclamando."
Em 2010, a votação do financiamento de R$ 323,3 milhões em contrapartidas do município para obras do Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal, estendeu os trabalhos do Legislativo até 27 de dezembro. Ano passado, o Plano Diretor levou 63 dias para ser votado, após intenso debate entre governo e oposição.
SEM OBRIGAÇÃO
Admir Ferro rebateu as críticas de Marinho. "Não me preocupo com isso. Ele reduziu a oposição a um nome. Não somos a maioria, mas não temos a obrigação de votar o que o prefeito mandou", disparou.
Segundo ele, a atuação dos oposicionistas é rejeitar o que é ruim para a cidade, apoiar o que for bom e denunciar o que está errado. "Já contribuímos com muitos projetos encaminhados."
Além de Ferro, a bancada oposicionista é formada pelos parlamentares Juarez Tudo Azul (PSDB) e o presidente da Casa, Hiroyuki Minami (PSDB), que não vota nos projetos em tramitação.
Embora os parlamentares Vandir Mognon (PSB), Marcelo Lima e Estevão Camolesi (ambos do PPS) se posicionem contrários ao governo na maioria das vezes, apenas os tucanos se declaram opositores de Marinho.