Música Cantora Roberta Sá investe em outros ritmos e deixa a
voz fluir no lançamento de seu 5° disco, 'Segunda Pele'

"A diferença é que canto de maneira mais relaxada, como se tivesse voltado ao meu estado natural de cantar como criança, consegui resultado melhor da minha relação com o canto, mais livre, mais menina, mais passarinho", conta Roberta Sá sobre o seu momento, que culminou no lançamento de "Segunda Pele" (Universal Music, preço médio R$ 25), seu quinto disco.
Confluência entre o reencontro de Roberta com sua voz, a oportunidade de levar mais músicos ao palco e ao estúdio e o desejo de incorporar a riqueza dos sopros à música, o projeto apresenta uma cantora que é capaz de muita gente achar que desconhecia. Mais sensual, em letra e ritmo, ela também conta que há também uma transformação em seu lado feminino.
"Comecei a perceber que me escondia muito do público, com roupa comportada, muito composta. A maturidade me trouxe tranquilidade na exposição. Agora é a falta de problema em mostrar, me revelar do jeito que eu sou. Estou me sentindo muito à vontade na minha pele."
Da felicidade da festa à suavidade do amor, da crítica social à busca pelo paraíso, há espaço para um leque de canções e uma variedade de interpretações. O disco conta com participações de Mário Adnet, Daniel Jobim, Orquestra Criôla, A Parede, do uruguaio Jorge Drexler e da dupla de kora e cello formada pelo africano Ballaké Sissoko e pelo francês Vincent Segal.
A maioria das composições é de jovens contemporâneos, como Pedro Luís, Mário Sève, Carlos Rennó, Lula Queiroga, Moreno Veloso e Dudu Falcão. Há ainda a revisita à clássica "Deixa Sangrar", de Caetano Veloso, interpretada por Gal Costa nos anos 1970. E uma pérola resgatada do baú de Wilson Moreira, "No Arrebol", que virou reggae.
"Queria fazer um disco que fosse rico nos arranjos de sopro. Acho um tratamento muito luxuoso você ter oito, nove músicos tocando em cada faixa, o que só foi possível graças ao patrocínio (o projeto foi bancado pela Natura)", diz.
"Meus outros trabalhos eram mais minimalistas, com menos elementos. Esse disco traz a atmosfera de festa, que era o que eu queria traduzir", completa Roberta, que acredita que até seus sambas eram menos para fora que suas músicas de agora. "O samba que eu fazia não era tradicional. Era com elementos mais contemporâneos, que no universo do samba profissional não são muito usados."
Segunda Pele - O melhor passeio por "Segunda Pele" é através do lirismo. Composições que não podem ser enquadradas em estilos ou influências, carregam na rebuscada massa sonora algo que transporta o ouvinte para além, como a bela "Lua", que abre o disco em tom de apoteose com a percussão e os sopros homenageando o luar e o seu poder transformador. "Pavilhão de Espelhos", no resultado da união do kora do cello, é outra grata viagem do passeio que passa por incontáveis paradas de alegria, como em "Bem a Sós", "O Nego e Eu" e "Deixa Sangrar".Para finalizar, o suave reggae "No Arrebol", que aponta o caminho da perfeição, numa miríade de paisagens e sensações que dão tom à ideia do paraíso.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.