Automóveis Titulo Serviço

O que fazer com o carro alagado?

25/01/2012 | 07:00
Compartilhar notícia
Claudinei Plaza/DGABC
Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Na tarde do dia 17, tudo que anda sobre rodas parou no Grande ABC. Trens, motos, caminhões e carros foram impedidos de trafegar devido à submersão das principais vias (e trilhos) da região. De acordo com o Saneamento Ambiental de Santo André, o município recebeu 69 milímetros de chuva.

Foram pouco mais de 60 minutos de temporal, que teve como resultado uma série de intempéries, entre elas, centenas de carros alagados. Agora, a pergunta é: o que fazer nesta situação?

De acordo com especialistas, o ideal é não tentar enfrentar os alagamentos. Mas caso esta tenha sido a única opção para sair do perigo, o primeiro passo é levar o veículo para uma análise mecânica.

DGABC

Seja um simples contato com a água, ou mesmo a completa invasão, o proprietário que tiver seguro pode entrar em contato com a empresa, pois hoje quase 100% das companhias cobrem os custos com danos causados por enchentes. Mas é bom pesar na balança, pois, às vezes, a franquia supera o valor do conserto.

Mesmo assim o índice de sinistralidade sobe nesta época do ano. "Se compararmos os meses de janeiro e fevereiro de 2011 contra igual período de 2010 constatamos um aumento de, aproximadamente, 37% em nossas indenizações por enchente", afirma Jaime Soares, gerente de auto da Porto Seguro.

É bom lembrar que, caso o montante do conserto ultrapasse 75% do valor do carro, as seguradoras consideram indenização integral.

Para a maioria dos mecânicos, caso a água tenha atingido o capô do motor, já é considerada perda total, uma vez que invadiu o painel de instrumentos, danificando os componentes eletrônicos - sim, aqueles que comandam praticamente tudo no veículo.

Em alguns casos é necessário apenas lavar os bancos, carpetes e revestimentos. Serviço feito em oficinas de higienização, como a Lancia Renovadora, em Santo André, que teve aumento de 50% na demanda neste início de ano. Preços partem de R$ 300.

Na parte mecânica, "os casos podem variar entre uma simples lavagem e verificação de filtros e velas (cerca de R$ 500), até a necessidade de refazer o motor, o que pode custar R$ 5.000 e levar duas semanas, se pegarmos como exemplo um carro popular", explica Cesar Samos, diretor do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo e especialista em manutenção e recuperação de veículos alagados.

Os casos mais graves em relação à mecânica são gerados pelo calço hidráulico, que acontece quando "o propulsor aspira a água suja, alterando o trabalho dos pistões e, em consequência, danificando outros componentes", explica Gerson Burin, analista técnico do Cesvi Brasil.

 

Manutenção preventiva

 

Todos os anos o brasileiro enfrenta graves consequências por não realizar a manutenção preventiva antes de pegar a estrada durante as viagens de férias. E, ao contrário do que muitos pensam, o mesmo cuidado é necessário quando o motorista está prestes a enfrentar período de chuvas.

É isso mesmo! De acordo com o engenheiro mecânico Denis Marum, o ideal é fazer revisão de chuva, verificando vários componentes do veículo. "No meio do temporal pode-se perceber que era necessário trocar a bateria, por exemplo, pois o acionamento das lanternas, do desembaçador traseiro, do rádio, entre outros equipamentos, acaba sobrecarregando a parte elétrica e, em consequência, exigindo mais do componente", diz

Marum também aponta a importância de checar as palhetas do para-brisa antes do período das chuvas, pois podem estar ressecadas, tornando-se ineficientes. "Além disso, a água do esguicho deve ter líquido desengordurante, as luzes das lanternas precisam funcionar perfeitamente, os pneus não podem estar carecas e as borrachas das portas necessitam de bom estado de conservação para vedar a entrada de água", explica.

No mais, é prudente verificar o sistema de freios e o funcionamento do desembaçador traseiro.

 

Verificação na hora da compra

 

Além de balançar as estruturas das cidades, as chuvas torrenciais que ocorrem nesta época do ano podem mexer também com o bolso do brasileiro. Não há um percentual correto, mas muitos proprietários acabam vendendo o carro quando este foi vítima de enchente.

Para saber se sua próxima aquisição trata-se de um carro alagado, é bom ficar atento. De acordo com Silvio Rivarola, diretor do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo e especialista em funilaria e pintura, "a primeira recomendação é verificar se as partes internas das dobradiças e revestimentos do porta-malas contêm vestígios de sujeira."

Para Reinaldo Agostinho, proprietário da Lancia Renovadora, em Santo André, "quando o serviço é benfeito, não há como notar que o veículo foi vítima de alagamento, salvo a verificação do feltro (fica no assoalho, embaixo do carpete, para aliviar o calor gerado pelo escapamento) que, quando trocado, difere do modelo original de fábrica."

Além disso, o carro alagado sempre apresenta panes posteriores. "É comum acender luzes no painel (como a dos freios ABS, por exemplo) e alterações no funcionamento dos vidros e travas elétricas, pois suas centrais entraram em contato com a água", diz Rivarola.

Os profissionais consultados pelo Diário também frisaram que as suspensões podem esconder vestígios de enchentes, como grama e barro, por exemplo. Mesmo com sujeira parecida, os veículos atolados se diferem pela falta do mau cheiro, que é forte e difícil de ser eliminado.

A dor de cabeça do próximo proprietário também pode se esconder nos componentes eletrônicos do veículo em questão, que oxidam facilmente através do contato com a água de enchentes.

É importante frisar que as revendas idôneas têm a prática de consultar o histórico de sinistro de alagamento. Em caso positivo, o veículo não é comprado.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;