Diário do Grande ABC

SETECIDADES


terça-feira, 17 de janeiro de 2012 7:00

Para o Estado, alvará é desnecessário

Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC

10 comentário(s)

A presidente da Fundação Casa, Berenice Gianella, afirmou, ontem à noite, que a obra das duas unidades de internação de adolescentes infratores no bairro Sacadura Cabral, em Santo André, independe de alvará de construção para sua continuidade. O que não foi o mesmo entendimento da Justiça local, que determinou à instituição a apresentação do documento em 30 dias, a ser emitido pela Prefeitura, sob pena de embargo da obra e fixação de multa diária.

Pelo novo embate jurídico, a Fundação Casa deve recorrer junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. "Temos várias decisões do TJ a nosso favor e que apontam a não necessidade de autorização da Prefeitura para construirmos as unidades", afirmou Berenice. Dos 59 prédios erguidos no Estado, nos últimos seis anos, pelo menos 20 foram objetos de ações judiciais, casos das cidades de Mirassol e Araçatuba, no Interior.

O que também foi confirmado pelo vice-presidente da Fundação Casa, Claudio Piteri. "A situação não é nova para a gente. O caminho é garantirmos uma liminar para dar continuidade à obra", apontou. Cada unidade custa ao Estado R$ 4 milhões - cada bloco possui 56 vagas (40 de internação e 16 de internação provisória). Independentemente da questão jurídica, a previsão de entrega dos dois prédios está entre março e abril.

A presidente disse que até ontem não havia sido notificada da decisão, fruto de ação civil pública interposta pelo Ministério Público.

CONTRAPARTIDA

O entendimento da Fundação Casa coloca abaixo qualquer pretensão do governo Aidan Ravin (PTB) de só conceder o alvará de construção das duas unidades à contrapartida da instituição estadual. A proposta de mitigação e compensação gira em torno de R$ 1,5 milhão.

Indagada sobre o motivo de ainda não ter concedido o alvará de construção à Fundação Casa, a Prefeitura de Santo André informou que, para a concessão do documento, "é necessária a assinatura do Termo de Compromisso, em que a Fundação Casa se compromete a executar as medidas definidas no Estudo de Impacto de Vizinhança". Até o momento, a administração concedeu apenas o alvará de uso do solo.

Entre as benfeitorias, a Fundação Casa teria de fazer, segundo o governo petebista, o paisagismo no entorno, construir sede ao Projeto Andrezinho Cidadão, reforma do campo distrital da Associação Esportiva Corinthians, mais conhecido como Corintinha, e diversas ações voltadas ao sistema viário.

"A obrigação constitucional e legal do Estado é construir a unidade ao atendimento do adolescente infrator e próxima da residência. Não daremos contrapartida", adiantou Berenice. O terreno foi fornecido pela Prefeitura. Em troca, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) doou a área de uma escola estadual desativada.

‘Virou moeda de troca', diz advogado sobre contrapartida

O fato de a Prefeitura de Santo André vincular a concessão do alvará de construção à série de benfeitorias a cargo da Fundação Casa é uma atitude recriminável para o advogado Ariosto Mila Peixoto, especialista em Direito Público. "É como se fosse moeda de troca. Trata-se de situação abominável e surreal de um poder público", afirmou.

Para a concessão de qualquer alvará de construção, seja de obra pública ou privada, deve-se obedecer a série de normas do Código de Obras e Posturas local. "A autorização do uso do imóvel, ou seja, da parte física, nada tem a ver com qualquer tipo de contrapartida. Do contrário, vira escambo. É obrigação legal de a Prefeitura oferecer, desde que o interessado tenha se adequado à lei municipal", apontou o especialista.
Até porque não pode haver destinação de recursos fora do objeto social da Fundação Casa, instituição ligada à Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania, do governo do Estado. "Dinheiro público é coisa séria", reforçou Ariosto.

E o advogado reforçou que a presidente da Fundação Casa, Berenice Gianella, pode incorrer, inclusive, em crime de improbidade administrativa. Santo André possui hoje 67 adolescentes infratores espalhados em unidades de internação do Estado.




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Comentários

Marcello Machado

17/01/2012 às 21:51

Em várias matérias publicadas pelo DGABC a prefeitura deixa bem claro que está querendo tirar proveito da situação, barganhar melhorias as proximidades, Corintinha lá no perto do Ipiranguinha? Favorecimento de clube de várzea,entre outros, estranho não? Daqui a pouco vai querer por seus infratores no vizinho.

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Andreia

17/01/2012 15:30

Agora a Fundação CASA está acima da lei? E como é que os jovens vão aprender a seguir a lei e virar cidadãos de bem nesta instituição?

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MDDF Santo André

17/01/2012 às 14:37

A lei municipal está clara. Qualquer empreendedor, público ou privado, deve elaborar Estudo de Impacto de Vizinhança, promover audiência pública, assinar termo de compromisso e implementar as medidas necessárias para mitigar e compensar o impacto da obra. Sem isso, a obra não receberá alvará e é ILEGAL.

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Marcello Machado

17/01/2012 13:00

Todas as cidades terão que comportar seus jovens infratores, sem exceção, pois todas têm... algumas mais, outras menos, mas têm! Sejamos racionais e paremos de pensar só no próprio umbigo, se não cuidarmos, um dia um dos nossos estarão lá, e aí vamos nos dar conta que não estamos no mundo dos sonhos...Acorda!!Gente!!!

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Ivan

17/01/2012 às 12:33

Se o governo se preocupasse com a situação dos jovens que ,estudam ,se preparam para o mercado de trabalho e depois devido ao alistamneto militar não conseguem emprego e ficam a mercê da boa vontade do exército,Mas parece que menor infrator dá mais ibope.

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Flavio P. Nogueira

17/01/2012 11:22

Paisagismo, obra viaria etc = alvará de funcionamento: Prefeitura x Estado que nada mais é doque representante da situação com obrigação de agir. Desafio: Prefeitura municipal de Santo André demonstrar qualidade na ação, pois se for por regra o paço municipal deve ser embargado; acessibilidade, idoso, gestante ausente.

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Diniz

17/01/2012 às 11:21

Construir uma lixao proximo a residencias de cidadaos de bem, e ainda por cima no lugar de uma Escola!.Agora nao falta mais nada. Sugiro o cemiterio do Curuca!

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Amaranto

17/01/2012 10:16

A contra-partida ideal seria muros mais altos com cerca elétricas em volta da unidade para impedirem fugas. E colocar esses delinquentes para trabalhar lá dentro, ocupando seu tempo para não ficarem pensando em bobagens.

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LEITOR CRITICO

17/01/2012 às 9:14

SAnto André quer ddepositar seus bandidos mirins em que cidade? Eles tem que ficar aqui mesmo, cada cidade deve cuidar de seus bandidinhos

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jose

17/01/2012 8:36

gostaria que os poderes municipal e estadual dessem ao povo exemplo de conduta social, não esta palhaçada politica que vemos, estas unidades são necessárias e não são suficiente nem para alojar os delinquente de s. andré, os politicos poderiam resolver o problema com uma lei que obrigue a detenção em suas cidades natal

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