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Fernando Nonato/DGABC

Ter cartão de débito ou crédito é conquista que exige responsabilidade. Não dá para sair comprando, ainda mais agora no fim do ano. É preciso planejamento para que o saldo da conta não ultrapasse o valor da mesada ou salário. Na prática, manter o controle não é fácil. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indica que em um ano o número de jovens entre 15 e 24 anos endividados dobrou: são 2,4 milhões.
Sandro Maskio, professor de Economia da Universidade Metodista, diz que a sensação do poder de compra é uma das causas do consumismo. "Mesmo sem dinheiro, adquire o produto e depois pensa em como pagar. Aí é que mora o perigo."
Para não correr risco de fazer parte da estatística, Caio Rossi, 17 anos, de Santo André, optou pelo débito. Assim quando atinge o limite, o cartão é bloqueado. "Com o de crédito não dá para saber quanto gastei, apenas quando chega a fatura e nem sempre tenho dinheiro", diz o garoto, que já ficou zerado.
Caio gasta com mangás, roupas e saídas com a namorada. Uma das paixões são carros em miniatura. "Em um mês comprei 20." Em média, cada um custa R$ 5. E, apesar de às vezes, perder o controle com o cartão, passou a valorizar o dinheiro desde que começou a receber mesada, com 8 anos. "Aprendi a guardar para coisas que queria. Ao trabalhar extrapolei nos primeiros meses, mas depois estabeleci metas", diz o garoto, que dá metade do salário para o pai colocar na poupança. Ele quer um carro em 2012.
PLANEJAMENTO
Disciplina é fundamental para não se dar mal no fim do mês. "Deve ter o pé no chão e perguntar se realmente precisa daquilo", dá a dica Radamés Barone, professor de Economia da Universidade Municipal de São Caetano. Ele também acha importante a orientação dos pais.
O mais indicado é começar com mesada (dinheiro em espécie) e depois ter cartão de débito. "Crédito e cheque dão impressão de que tudo é possível e fogem do controle." Outro cuidado é em relação aos juros. Que tal juntar grana e depois realizar o sonho? "As compras parceladas podem sair mais caras do que à vista", avalia o professor. Por isso, atenção com a fatura do cartão de crédito: se não tiver grana o suficiente, pague o que puder e elimine a dívida já no mês seguinte por causa dos juros.
Quando o excesso vira problema
É difícil alguém não se identificar um pouco com Rebecca Bloomwood, do filme Os Delírios de Consumo de Beck Bloom. A garota formada em Jornalismo tem compulsão por compras. A revista onde trabalha está falida e o emprego dos seus sonhos está fora de alcance, mas ela consegue vaga em revista de finanças e se vê em contradição constante. Enquanto encoraja os leitores escrevendo sobre finanças pessoais, precisa lidar com os cobradores que a perseguem por extrapolar o limite dos cartões de crédito. Seu salário nunca é suficiente no fim do mês. A amiga com quem divide o aluguel dá conselhos e aos poucos Beck cai na real.
DICAS
Antes de comprar, pare, pense e se pergunte: preciso mesmo desse produto?
Faça planejamento todo início de mês. Que tal aproveitar o fim do ano para estabelecer metas para 2012?
Sempre que comprar algo anote ou guarde os tíquetes do cartão. Nem sempre dá para lembrar de tudo o que se compra. Também ajuda a não ultrapassar o limite.
Se trabalha, reserve parte do salário para poupança ou futura compra, como carrro ou intercâmbio.
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