Diário do Grande ABC

SETECIDADES


sexta-feira, 23 de setembro de 2011 7:30

Aluno atira em professora e se mata em São Caetano

Do Diário do Grande ABC

5 comentário(s)

Reconhecida pelo excelente desempenho educacional por índices e exames estaduais e nacionais, a Escola Municipal de Ensino Professora Alcina Dantas Feijão, no bairro Mauá, em São Caetano, tem agora uma mancha de sangue nesse caminho glorioso. Aluno do 4° ano do Ensino Fundamental, David Mota Nogueira, de apenas 10 anos, feriu ontem a bala a professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, e em seguida atirou contra a própria cabeça.

Era por volta das 15h50 e o intervalo do período da tarde havia terminado há pouco. Parte dos estudantes e docentes ainda se acomodava em suas salas de aula quando David pediu a Rosileide para ir ao banheiro. Segundo o capitão do 6° Batalhão de Polícia Militar, Robinson Castropil, quando voltou, já com o revólver calibre 38 em punho, a criança disparou contra a professora.

Rosileide foi atingida na região lombar, do lado esquerdo do corpo - 25 alunos estavam na sala. Socorrida por helicóptero da Polícia Militar, foi levada ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, e não corre risco de morrer, de acordo com a Prefeitura de São Caetano.

Após o primeiro tiro, David andou poucos metros até uma escada, apontou a arma contra a cabeça e puxou o gatilho. A criança foi levada com vida para o Hospital de Emergências Albert Sabin, mas não resistiu a duas paradas cardíacas, morrendo às 16h50.

O estampido dos disparos causou correria nos corredores. "Eu estava indo para a sala. Ouvi o primeiro barulho e pensei até que fosse de fora, mas, em poucos segundos, veio outro tiro. Fui ver o que havia e encontrei o menino no chão. Tinha bastante sangue", contou um aluno do 9° ano.

A notícia se espalhou e logo os pais estavam na porta da escola para buscar seus filhos. Apreensivos, muitos falavam ao celular para tranquilizar familiares ou mesmo para receber mais informações sobre o caso, a essa altura já noticiado por rádios, TVs e internet. Alguns estudantes deixaram a escola aos prantos e eram abraçados por pais em lágrimas.

A Alcina Dantas Feijão obteve a melhor nota no Exame Nacional do Ensino Médio de 2010 entre as escolas públicas não técnicas do Estado. O resultado saiu há 11 dias. Ano passado, a escola foi apontada como a melhor de São Paulo para alunos do 6° ao 9° anos pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. As aulas estão suspensas hoje.

 

Menino pegou revólver do pai para cometer o crime 

O revólver que David Mota Nogueira utilizou para atirar contra a professora e depois se matar pertence ao seu pai, o guarda-civil municipal de São Caetano Milton Evangelista Nogueira, que trabalha na GCM há 14 anos.

Segundo o secretário de Segurança da Prefeitura, Moacyr Rodrigues, a arma é particular e não da corporação. O revólver está registrado no nome de Nogueira, não tem numeração raspada e está licenciado até setembro de 2012.

Rodrigues garantiu ter reforçado as ações de segurança em todas as instituições de ensino da cidade, logo após o registro de casos de violência como o massacre de Realengo, quando em abril um atirador matou 12 crianças e feriu outras 12 no Rio de Janeiro.

"É uma tragédia que dificilmente poderíamos prevenir ou prever", disse o secretário. CW-23Delegado titular da Delegacia Sede de São Caetano, Francisco José Cardoso se impressionou: "Estamos diante de um caso anormal. Não se trata de adolescente ou adulto, mas de uma criança que atirou na professora e se matou."

Cardoso afirmou que o pai do aluno poderá ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar), se ficar comprovado que guardava a arma na residência de forma negligente ou imprudente. O pai teria dito que percebeu a falta da arma quando voltou para casa, logo após levar o filho à escola. Depois de procurar e não achar, foi à unidade e questionou os dois filhos, que disseram não saber do revólver.

À noite, na chegada ao Instituto Médico-Legal, o pai de David pediu que "respeitassem o momento difícil" e que preferia não se pronunciar. A investigação está a cargo do 3° Distrito Policial. "A primeira informação que obtivemos é que o garoto não gostava da professora", disse o delegado. Além das crianças, duas testemunhas adultas serão ouvidas nos próximos dias.

De acordo com Cardoso, na mochila do garoto foi encontrado desenho que pode auxiliar a polícia. Na primeira parte da folha há apenas a fachada da escola e a porta de entrada. Do outro lado há uma professora próxima à lousa, carteiras vazias e uma criança sentada em uma delas usando uniforme. Acima, a observação: "Eu com 16 anos."

O retrato será encaminhado para psicólogos e profissionais especializados para análise. (reportagens de André Vieira, Bruna Gonçalves, Camila Galvez e Maíra Sanches)




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Comentários

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Sonia Maria Carmo

27/09/2011 às 11:51

A perda é irreparável. Estou solidária com a vítima da tragédia, a professora. Que ninguém duvide: é bem provável que ela mesma seja responsabilizada pelo fato. Ninguém vai questionar a irresponsabilidade do pai! Ou da direção da escola. Não vasculharam a bolsa dele ou a escola quando o pai esteve lá?


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Raimundo Mendes Vasconcelos

26/09/2011 14:36

"Davi" onde estavam os olhos dos seus pais que nada percebiam? E no seu pequeno coração de tanto sofrimento o levou para uma tragédia irreparável. Pais fiquem atentos e observem seus filhos. Investiguem! Para não chorar depois...


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Diego

23/09/2011 às 21:26

Olha temos que agora rezar pela família desse pequeno, a família não tem culpa nenhuma nisso. Sou professor e temos que ter melhores escolas, salário e segurança na porta das nossas escolas. Lugar de ESCOLA é lugar de apredender e de brincar. Rezem por eles, eles estão precisando.


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ANDRÉA TAVARES

23/09/2011 20:39

é um momento de muita dor! mas temos que respeitar os pais desta criança, que não tem culpa pelo o que o filho fez. ninguém queira estar na pele deles, saber que um filho atirou na sua professora e se matou. "VAMOS RESPEITAR EM HOMENAGEM A TODOS OS PAIS QUE PASSARAM POR UMA TRAGÉDIA DESSE TIPO". não á apologia!


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Helena Ferraz

23/09/2011 às 18:07

sou professora de escola pública no interior de SP e leciono para crianças da mesma idade de David. Primeiramente gostaria de manifestar meus sentimentos à família do menino em decorrência de sua perda e, além disso, registrar meu apoio à Professora, que também é mais uma das inúmeras vítimas dessa violência.


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Eu li e concordo com o termo de responsabilidade

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