Diário do Grande ABC

CULTURA & LAZER


domingo, 4 de setembro de 2011 7:21

Escola Livre de Teatro pede socorro

Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

8 comentário(s)

É lamentável o estado da Escola Livre de Teatro, em Santo André, que sofre progressivo sucateamento. Demandas se arrastam de muitos anos, mas agora chegaram ao limite. Não bastam paliativos.

Conferido pela equipe do Diário, o piso do Teatro Conchita de Moraes apresenta riscos em virtude de infiltrações no telhado. "Se você coloca dez aprendizes para fazer movimentos em conjunto, o chão vai cedendo. Se colocar 30 andando ou correndo, dá medo daquilo cair no fosso", conta a mestre Lucia Gaioto.

Montado pelo Núcleo de Formação 12, o espetáculo "Um Homem é Um Homem", inclusive, teve sessão prejudicada entre maio e julho. "Chegamos a ter apresentação debaixo de goteiras na frente do espectador. É para lá de lamentável", afirma o mestre Rogério Toscano.

Neste caso, a Prefeitura não forneceu nem o material gráfico, responsabilidade que sempre assumiu. "Durante a temporada, a Prefeitura ficou dizendo que daria essa divulgação, que nunca saía concretamente. Então, decidimos coletivamente fazer por conta própria", conta a aprendiz Lilian Ganzerla.

As peças também exigem novos equipamentos de som e luz. Enquanto "Um Homem é Um Homem" recebeu iluminação alternativa para se resolver, a peça "Londres Ri de Nós", do Núcleo de Formação 13, só obteve iluminação parcial, porque toda a aparelhagem está obsoleta.

Também são poucos os equipamentos para as salas de aula. "Não conseguimos fazer aquisição de DVD. Se quisermos aparelho de som, também não há investimento", afirma Toscano. Segundo Lilian, é comum aprendizes levarem equipamento de som de casa para as aulas.

Falta vontade política para investir na manutenção do projeto que é referência em todo Brasil. Questionada sobre as deficiências, a Prefeitura não apresentou, sequer, um prazo de execução. "O Teatro Conchita de Moraes foi recebido pela atual gestão com sua manutenção totalmente comprometida, por conta de anos sem reformas e reparos", justificou o diretor de Cultura, Pedro Botaro.

Em seguida, citou alguns reparos feitos desde 2009 como se bastassem. Se mudanças não forem realizadas em breve, o prédio pode ficar inviável para uso. "Impressão que se tem é que, inclusive, não existe respeito pela vida humana", diz o mestre Pedro Mantovani.

Uma reforma no telhado está prevista para outubro, mas é insuficiente como ação isolada. "Tenho receio de que seja provisória ou não se efetue com a proximidade do fim do ano", diz Lucia.

Mestres e aprendizes ainda aguardam o livro "Cadernos da ELT", que celebrava os 20 anos da escola em 2010. "A Prefeitura apresentou o projeto de publicação ao Conselho do Fundo de Cultura para comemorar a data, disponibilizando recursos para esse fim", afirma o diretor de Cultura. Fala-se somente que está em processo de execução. Até quando?

O que incomoda mestres e aprendizes é que a Prefeitura sabe de todas as precariedades e ainda fez muito pouco. "Eu fico me perguntando: "Por que a Prefeitura não age de maneira a preservar as condições materiais do prédio? Por que esperar que as coisas se tornem inviáveis?"", conta Mantovani.

A coordenadora administrativa Eliana Gonçalves é apontada como pivô dos problemas desde 2009, quando ocorreu o movimento "ELT em Alerta". "O governo chega e coloca uma pessoa goela abaixo em uma comunidade sem dialogar com ninguém. Essa pessoa começa a atrapalhar todo projeto que existe e causar desavença terrível com toda escola", afirma o aprendiz Flávio Marin.

Toda essa situação provoca indignação e desejo de que os problemas sejam resolvidos urgentemente. Uma nova mobilização, inclusive, não é excluída. "Vai depender da boa vontade política da Prefeitura para que as coisas aconteçam de maneira em que haja diálogo", explica Mantovani.

Os mestres não se deixam abater. "Colocamos balde, puxamos água e tudo o que estiver ao nosso alcance. A despeito do que vem acontecendo, o que nos leva a estar ali é o projeto, é a filosofia da escola que vem sofrendo, mas que vem, também, procurando se manter", afirma a coordenadora pedagógica Juliana Monteiro.




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Comentários

pedro

10/09/2011 às 23:28

MINHA SOLIDARIEDADE AO CONCHITA DE MORAIS E MINHA REPULSA A ATUAL ADMINISTRAÇÃO

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Emerson "SOM"

06/09/2011 12:35

_O que esta bem nítido aos olhos de todos nós cidadãos, são as intenções corrosivas de políticos sem escrúpulos e sem um pingo de vergonha na cara; Essa administração atual de Santo André já mostrou de A á Z para que veio; (Fazer do povo massa de manobra com estratégias perversas;)_ Sucatear a ELT é um crime cruel,

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Rosana Mannsperger

04/09/2011 às 22:45

Triste ver mais um simbolo de cultura ser desprezado. Fiz parte do primeiro grupo da ELT e tenho boas recordacoes. Mas, teatro nao vale a pena ser preservado,pois nao gera votos!

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Mario

04/09/2011 22:16

Governo se faz com atitude e não apenas gastando milhões com propaganda para auto promoção e conquistar os votos de desavisados. Vejo os funcionários públicos insatisfeitos e acuados, se nos manifestamos somos abandonados. Que fazer? O prefeito nunca pisou na ELT, mesmo quando fizemos um evento para recebe-lo. Chega!!!

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Marcos

04/09/2011 às 21:57

Infelismente não é só o teatro,é a cidade inteira,graças a Deus 2012 esta ai,vamos colocar esse bando de lixos e vagabundos do poder,tenho até vergonha de dizer que resido em santo andré.

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Murilo Thaveira

04/09/2011 18:55

Só é importante dizer que o material de iluminação não foi cedido pela prefeitura foi realizado através do APOIO CULTURAL que ouve a gentileza da empresa Lampadas & Cia, a prefeitura cedeu somente 100 metros de cabo e alguns plugs, o restante foi adquirido pela formação 12

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Luiza Helena

04/09/2011 às 15:59

Queridos Andreenses, as Eleições serão no ano que vem, sejamos conscientes, vamos juntos colocar novos representantes para nossa querida cidade. O Sr Pedro Botaro deveria deixar de palavras evasivas e mostrar serviço ao invés de se esquivar aja, "abra o olho" Botaro, se algo trágico ocorrer a culpa será sua!

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Andreense

04/09/2011 13:34

Povo andreense, não é com propagandas espalhadas por uma cidade que se faz um bom governo. Milhões de reais são gastos, pois cada banner destes que estão espalhados pela cidade custam uma fortuna, enquanto a ELT não tem nem um aparelho de som para ser usado nas aulas, atenção... Esta forma de governo cheira a Goebbels

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