Diário do Grande ABC

SETECIDADES


quinta-feira, 1 de setembro de 2011 7:30

Famílias do Rodoanel ganham outra chance

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

12 comentário(s)

O imbróglio que envolve moradores do entorno do Jardim Oratório, em Mauá, em função das obras do Trecho Sul do Rodoanel, está mais próximo do fim. Na terça-feira, a Frente Parlamentar de Acompanhamento das Obras do Rodoanel se reuniu com representantes da Dersa, Artesp (agência que regula as concessões rodoviárias) e SPMar (concessionária do trecho) e definiu cronograma para regularizar a situação das famílias afetadas, que começaram a ser desapropriadas no início de 2008.

Segundo a presidente da frente, a deputada estadual Vanessa Damo (PMDB), as cerca de 400 famílias que receberam, há cerca de um ano e meio, carta de crédito que daria direito a um apartamento de Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano terão até outubro para decidir se realmente querem ir para a unidade ou receber a indenização de R$ 60 mil. Procurada, a companhia não confirmou o acordo.

"É uma grande vitória para estes moradores, já que, na época das obras, muitos acabaram assinando documentos sob pressão, sem saber direito do que se tratava", justificou a deputada.

O cronograma prevê ainda que, a partir do dia 1º de outubro, a Dersa irá iniciar a remoção de entulho no Oratório e nos arredores. A empresa se comprometeu também a enviar engenheiros ao Jardim Santa Cecília, bairro vizinho às obras, para avaliar se as casas remanescentes sofreram abalos por conta do trânsito do maquinário envolvido na construção da via. As visitas técnicas terão início a partir do dia 15. No dia 1º de dezembro começarão as obras de reurbanização do bairro. Serão feitos reparos nas casas, além de pavimentação e reconstrução de guias e sarjetas. O investimento previsto é de R$ 4 milhões. A estatal confirmou as informações fornecidas pela deputada.

Na reunião, também foi abordada a situação das 68 famílias que, na época das desapropriações, não fecharam acordo com a Dersa. A deputada informou que irá a Brasília em setembro para cobrar do Ministério das Cidades agilidade na acomodação das famílias em unidades habitacionais.

Na ocasião, os proprietários dos imóveis rejeitaram as propostas oferecidas. "A Dersa ofereceu R$ 26 mil na minha casa, que vale R$ 40 mil", criticou o vendedor Sebastião Tibúrcio dos Santos, 66 anos. Apesar da negativa, ele garante que, se pudesse voltar atrás, aceitaria a proposta.

A Prefeitura de Mauá informou que as 68 famílias remanescentes serão contempladas por moradias populares que estão sendo erguidas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento. Somente na primeira etapa das obras, já iniciadas, serão construídos 720 apartamentos.

As unidades ainda não têm prazo de entrega; porém, ainda neste mês, as famílias serão incluídas no bolsa aluguel e passarão a receber R$ 450.

 

‘Isso aqui parece uma cidade fantasma', diz líder

Entulho, escombros, pouco movimento. As imagens, que parecem cenário de filme de guerra, fazem parte do cotidiano das 68 famílias que permaneceram na área do Jardim Oratório vizinha às obras do Trecho Sul do Rodoanel. "Isso aqui está parecendo uma cidade fantasma", define o líder comunitário João Lopes.

As casas que já foram desapropriadas foram parcialmente destruídas para evitar novas ocupações. No entanto, as paredes ainda ficaram espalhadas pelos terrenos, o que, segundo a vizinhança, atrai a criminalidade e usuários de drogas. "Agora só fica viciado. Dá até medo de passar por aqui", conta o eletricista João Bosco, 53 anos.

A diarista Maria Ferreira da Rocha, 48, conta que o entulho está espalhado pelas ruas há pelo menos dois anos. Ela duvida que a promessa da Dersa, de remover a sujeira, seja concretizada. "O que o pessoal do Rodoanel tinha que fazer aqui já está feito. Duvido que voltem para consertar alguma coisa."

Para a empregada doméstica Izabel Pereira Queiróz, 50, o problema do acúmulo de lixo está na concentração de insetos e outras pragas, como mosquitos, baratas e ratos. "Isso sem contar quando chove, que tudo isso escorre para o rio e causa enchente", reclama. A moradora criticou o prazo fornecido pela Dersa, que garantiu começar a limpeza em outubro. "Mesmo que inicie no prazo, já será tarde. Deviam ter feito isso muito antes."




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Comentários

Valquíria

02/09/2011 às 13:51

Posto que, ao invés dos nossos governantes investirem na população de classe baixa eles optam por construir grandes shoppings e Center e áreas de lazer, pois é cômodo ter um lugar para passear aos finais de semana a classe média e alta necessita de amplos divertimentos , mas e a periferias o que fazer?

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Valquíria

02/09/2011 13:48

È muito fácil criticar uma realidade sem passar por ela! Venham nos visitar e conhecer a nossa realidade e depois postem os seus comentários.

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Valquíria

02/09/2011 às 13:46

Como qualquer outros cidadões também pagamos nossos impostos e temos nossos direitos, mas se torna cômicos alguns tipos de comentários postados . Muito me indigna ainda existirem seres humanos que pensam desta forma, pois no país que vivemos temos que procurar sempre estar atualizados referente a realidade proposta .

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Valquíria

02/09/2011 9:36

Saibam que os moradores do Jardim Oratório são pessoas honestas e lutam por sua sobrevivência como qualquer cidadões e não querem ficar ricos a custa do Rodoanel, porque a indenização que estão oferecendo não da nem para compra uma casa fora de área de risco quanto mais enriquecer

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Albert

01/09/2011 às 16:50

Para os que acham que é só passar o trator e derrubar que esta resolvido. Cheguem em casa, olhe para o rostinho de seu filho e perguntem-se: É justo meu filho dormir comigo na rua, com frio e chuva, só porque sou desafortunado e por falta de opção me apossei desta área inútil para abrigá-los? É fácil escrever aqui né?

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MARIA CONCEICAO SILVA

01/09/2011 14:14

MINHA RESPOSTA É P/ DONA ALESSANDRA: NÓS MORADORES DO J. ORATÓRIO PAGAMOS E MUITO CARO DE IPTU SIM SENHORA QUE FOI 440,00 EM JAN.2011 E PARA NÃO TER REGISTRO EM CART. DE IMOVEL COMO 80% DOS BAIRROS DE MAUA QUE NÃO TEM ESCRITURA OK, MAS TEMOS OUTRAS VANTAGENS QUE SÃO MORAMOS PERTO DO CENTRO, DO EXTRA, SHOPPING,..

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Re

01/09/2011 às 14:10

Vamos ser realistas, a pessoa que compra em local invadido sabe perfeitamente que não tem posse real do imóvel/ terreno, daí em diante é tudo incerto, ou sai sem nada ou acaba sendo indenizado.

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du

01/09/2011 11:47

INDENIZAÇÃO DO QUE? TERRENO INVADIDO,AVISA UMA VEZ NÃO SAIU: PASSA O TRATOR,DERRUBA TUDO E PRONTO,PESSOAL FOLGADO,QUER TUDO DE GRAÇA!!!

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Valdecir

01/09/2011 às 10:53

Nossa é de ficar indignado com uns comentarios desses.As familias que moram lá são familias humildes que se´pudessem teriam casa em bairros "nobres" da cidade,tenho certeza de que pessoas como essas não tem coragem de ir visitar essas familias por medo.,mais saibam que sao familias onestas que tive a honra de conhecer.

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alessandra

01/09/2011 10:42

Esse é o Brasil! O povo invade, não paga IPTU e ainda recebe indenização?!!! Fala sério hem....e ainda estão reclamando do que?

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Henrique

01/09/2011 às 9:07

O problema de quem invade é que pensa que é dele, mas não é, o terreno é público, pertence a todos, o cara só está usando (e sem pagar0, as paredes é dele, isso ele fez (sem autorização), deve reber só pela benfeitoria e não pelo terreno, mas querem tudo, quer dinheiro pra compra 2 ou 3 imoveis pra viver encostado

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TUCA

01/09/2011 9:01

Estas pessoas que estão reclamando são as mesmas que não aceitaram o acordo e por isso continuam lá, é bem facil reclamar, mas ter direito a indenizações por areas invadidas e ainda exigir o quanto quer receber ja é demais, não aceitaram o acordo agora não reclamem, querem ficar ricos as custas do dinheiro publico...

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