
Sem alarde e de maneira simples, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhou, ao lado da mulher Marisa Letícia, o enterro da irmã Marinete Leite Cerqueira da Silva, 72 anos, no Cemitério da Paulicéia, em São Bernardo. Irmã mais velha entre oito, ela sofria de câncer no pulmão há nove meses e estava internada no Instituto do Câncer do Estado.
Marinete, que se dizia segunda mãe de Lula, morreu na noite de sexta-feira. Sete anos mais velha que o ex-presidente, em período de eleição, afirmava que era ela quem cuidava do irmão quando a mãe, dona Lindu, saía para trabalhar na roça. Dona de casa, era viúva há três anos, tinha dois filhos e vivia em São Bernardo. Não tinha ligação político-partidária. Assim como os demais Silva, viajou de Pernambuco para Santos em 1952.
A discrição do ato foi tanta que apenas o Diário esteve no enterro, no qual o vereador Ary de Oliveira (PSB) era o único político presente. Na companhia da família e de amigos, Lula compareceu ao velório no início da tarde e acompanhou o sepultamento até o fim, inclusive, ajudando a levantar o caixão. O ex-presidente demonstrou grande pesar e falou sobre a perda. Disse ser difícil comentar devido ao forte carinho apresentado pela irmã, um exemplo de humildade.
"Por ser caçula, o sentimento sempre foi muito próximo. Fiz visita há dez dias na casa dela, na Paulicéia. É uma pena, mas descansou, pois estava sofrendo demais, com metástase. Chega hora que, por mais que a gente goste, a morte acaba sendo alento", alegou Lula, bastante emocionado. Porém, com o carisma peculiar, Lula cumprimentou todos.
Segundo Lula, a dor é conectada ao resgate histórico da migração sob dificuldade financeira. "Quando viemos para São Paulo, ela ficou em Santos trabalhando como doméstica e casou por lá. Só que houve crise na pesca - área de atuação do marido - e saíram do Litoral. Ele veio para cá também para ser metalúrgico, primeiro da Villares e depois da Chrysler."
MÃEZONA
José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão que levou Lula ao sindicalismo, conta que Marinete estava bastante debilitada, pois o estágio da doença era avançado. Para ele, o que fica é a mulher de fibra. "Mais velha, era respeitada por todos."
Vizinho de porta e irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, disse que o convívio vai deixar saudades. "Cuidou de todos quando éramos menores. Espécie de ‘mãezona' mesmo. Pena que aconteceu assim."
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