Diário do Grande ABC

CULTURA & LAZER


domingo, 29 de maio de 2011 8:27

Alta fidelidade

Luciane Mediato
Especial para o Diário

4 comentário(s)

Na era do MP3, símbolos como LPs e CDs resistem graças aos apreciadores de música que não se renderam ao apelo digital. No ano passado, houve crescimento de 14% nas vendas de vinil em relação a 2009, o maior índice desde que o CD foi lançado, há 20 anos.

Alguns locais resistem ao tempo e mantêm a tradição da compra e venda dos disquinhos e bolachas. É possível encontrar raridades como a primeiras edições de discos, bootlegs (gravações raras e geralmente não autorizadas em shows) e boxes de filmes.

"O diferencial está no nosso estoque. Temos produtos que estão fora de catálogo há anos", conta Sergio De Anúncio, proprietário da loja Merci, que funciona há 51 anos em São Bernardo e está na terceira geração da família.

Filmes e séries são outros atrativos para que os clientes matenham a fidelidade. "O fato de termos entrado para o mercado dos DVDs contribuiu muito para que a loja sobrevivesse", diz Anúncio. Nesse mercado de filmes as preciosidades também são o que chamam atenção. "Os longa-metragens de faroestes antigos são muito procurados. Todo dia algum sai. Os mais procurados são do Giuliano Gemma e do John Wayne", conta.

Já na loja Metal, em Santo André, a especialização no rock and roll é a garantia para o sucesso. "Quem costuma vir até aqui já sabe o que quer. As pessoas que curtem Iron Maden, Pink Floyd não vão querer comprar um álbum pirata", afirma o proprietário Jean Gantinis.

Outro fator que contribui para que as lojas de discos resistam ao tempo é o gosto pelo original. "Fã que é fã, que aprecia a boa música, não vai querer ouvir um MP3. A diferença do som é gritante. Os apaixonados gostam de qualidade. É assim com os selos. Na época do e-mail, mesmo que a comunicação seja digital, os colecionadores e que apreciam a arte ainda compram ele. Isso acontece com os vinis e os CDs", argumenta Carolina Calanca, sócia da loja Baratos e Afins, aberta desde 1978 na Galeria do Rock, em São Paulo.

A vendedora da loja London Calling, Leda Mizumoto, acredita que quem busca disco, hoje, são os fãs dos clássicos. "Ninguém que goste da Lady Gaga comprará um CD ou vinil dela. Acaba baixando na Mas se o cara é fã de Elvis, Johnny Cash, entre outros, ele vai querer ter", opina.

Coleções têm valor sentimental

Para os fãs que compram LPs e CDs, a música digital se assemelha à tentativa de cobrir uma área grande com uma imagem pequena. O desenho ou foto fica quadriculado e, a qualidade, ruim. O áudio de qualquer música, num bom toca-discos, é muito superior se comparado ao MP3. "Se fôssemos digitalizar o som do vinil, mantendo-se fiel à qualidade, 45 minutos de música não caberiam em uma mídia de DVD, com quase 5GB. O que fizeram? Pioraram - diminuíram a qualidade do som - pra caber no formato digital", explica o radialista Leonardo Engelmam.

Apreciador de boa música, costuma comprar as suas joias em sebos e, principalmente, na Feira Livre do Vinil em Santo André. "Não me considero colecionador. Gosto muito do movimento Clube da Esquina, que nasceu em Belo Horizonte nos anos 1960. Por isso, passei a comprar os LPs dessa turma. Tenho pouca coisa, mas são sentimentais", diz.

O gosto pelos discos vem de família. "Tenho alguns vinis muito antigos mesmo, coisas que eram de meus tios, de meus pais, e alguns discos em 78 rotações, daqueles que tocavam em gramofones", conta.

O radialista deixa um recado para os que só conhecem música no formato do MP3. "Chamem os colegas para casa e escutem uma boa música. Além de poder ouvir som de qualidade, vocês vão compartilhar o som com presença física, calor humano e estarão longe do padrão internet."




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Comentários

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Tania

08/06/2011 às 12:34

Com certeza o valor sentimental conta e muito, fora a qualidade do som! Muito boa a materia.


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Rodrigo

30/05/2011 7:53

Pois é .. me lembro muito bem quando fui apresentado ao Jean lá nos idos de 1990 +/-. A Metal era o lugar onde reuníamos para ouvir boa música, conversar sobre bandas, organizar excursões para shows, etc... Quanto tempo se passou e olha ele aí, firme e forte como sempre... Grande abraço Jean!!!


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Andreense

29/05/2011 às 16:47

Viva o Rock and Roll ! Viva o heavy metal !


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DIONEA BRITTO

29/05/2011 12:32

HI-FI ! LEMBRAM A CASA VELHA ,NA VILA EUCLIDES? ERA O REDUTO DOS AMANTES DA BOA MUSICA !NA "VITROLA",HAVIA UM "POR FAVOR NAO MEXA"! NO JARDIM ,E NO QUINTAL HAVIA AUTO_FALANTES(SPEEKERS!).ERA UMA ALEGRIA SO!ENQUANTO OS JOVENS OUVIAM LPS IMPORTADOS,D.MARIA OUVIA :LUIZ GONZAGA ! A BOA MUSICA NAO TEM FRONTEIRAS,TEMPO!CURTA


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Eu li e concordo com o termo de responsabilidade

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