De um lado, o mandante Palmeiras. De outro, o visitante Corinthians. Os dois velhos inimigos do futebol brasileiro estão acostumados a esquentar a histórica rivalidade que os caracteriza. Agora, não é diferente. Apesar do intenso bate-boca que voltou a dividi-los nos últimos dias, a única unanimidade que não parece incomodá-los é o Pacaembu, uma espécie de reduto de ambos. Pelo menos aparentemente não há quem possa reclamar do cenário.
Mas, no momento em que a bola rolar, às 16h de hoje, na briga pela vaga nas finais do Campeonato Paulista, salve-se quem puder. As cenas da semana puderam antecipar alguns indícios do clima tenso que os aguarda na hora da batalha. O primeiro sinal da barulhenta troca de farpas aconteceu no instante da escolha do árbitro Paulo César de Oliveira para apitar o clássico da esperança para quem avançar e implacavelmente mortal para os eventuais derrotados no penúltimo degrau rumo ao título.
O Palmeiras logo reagiu à indicação. Mais do que isso: chegou a insinuar que o sorteio teria sido manipulado. A FPF precisou distribuir um comunicado para defender a suposta lisura testemunhada pelas gravações ao vivo no site da entidade. Já o Corinthians procurou tirar vantagem da chiadeira para elogiar os critérios utilizados.
Além disso, não faltaram as costumeiras provocações do meia Valdivia, o principal intérprete do ‘chute no vácuo' só para derrubar psicologicamente os adversários. A irrevererência do Mago não ficou sem a rápida resposta do atacante Dentinho, que não deixaria barato nenhum tipo de humilhação. O garoto jura que não pensaria duas vezes para pedalar se o chileno folgar além da conta na tentativa de menosprezar os alvinegros. Segundo ele, vale tudo no meio da guerra.
Dentinho topa o desafio, mas não admite que mexam na vida pessoal de quem participou recentemente do filme da ex-garota de programa Bruna Surfistinha e do seriado FDP. O namorado da modelo Danielle Souza (Mulher Samambaia) curte o romance, mas pede que não misturem as estações.
O lateral-direito Alessandro, que um dia vestiu a camisa alviverde, mas guarda só rancores do Palestra Itália, garantiu aos jornalistas que vai à luta preparado para possíveis represálias contra quem não respeitá-lo.
O diretor de futebol do Timão, Roberto Andrade, atento ao tiroteio, decidiu colocar mais lenha na fogueira ao afirmar que a suspeita levantada sobre Paulo César de Oliveira "é coisa orquestrada pelo Felipão". Seria um jeito, acredita o cartola, de miná-lo psicologicamente.
Os dois comandantes também assumem a estratégia das ironias ou do silêncio intrigante. Luiz Felipe Scolari e Tite usaram e abusaram das evasivas nas entrevistas coletivas. Na sexta-feira, porém, Felipão emudeceu para não expor as próprias armas. O capitão Kleber assumiu a responsabilidade na coletiva. Como se fosse o mais fiel dos porta-vozes, o Gladiador seguiu o ao misterioso chefe. O artilheiro não economizou frases feitas. Apesar de tudo, as evidências mostram que o ala Cicinho, o zagueiro Thiago Heleno e o meia Patrik, liberados pelos médicos, poderiam atuar normalmente. Agora, é ver quem pode mais na arena dos valentões.
Andrés Sanchez convoca imprensa para criticar o rival
A escolha de Paulo César de Oliveira para apitar Palmeiras x Corinthians gerou muita polêmica porque, antes do sorteio, já havia sido divulgada a presença dele no clássico de hoje à tarde.
Depois de ouvir as reclamações dos alviverdes e até mesmo pedidos de afastamento do juiz, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, disse, na coletiva de ontem, que o adversário já arruma desculpas capazes de justificar a derrota. "Sempre fomos beneficiados e prejudicados pelas arbitragens. Mas quem publicou isso (Jornal da Tarde) quis pressionar o Paulo César. O Palmeiras logo se aproveitou disso. O sorteio é público, meu Deus. Se o jornal sabia antes, precisaria denunciar na polícia. É crime", criticou Sanchez.
O presidente do Timão negou que houve acordo entre os dois clubes para sugerir o nome do juiz. No entanto, o mandatário teme que as pressões passem dos limites. "Ninguém combinou nada. Isso tudo é só um meio de pressionar o árbitro. Agora se ele errar em favor do Corinthians, tem de sair preso? Se errar para o Palmeiras, tem de sair detido?", perguntou o dirigente.
Kleber e Liedson querem dividir a responsabilidade
Gladiador e Levezinho. Os dois principais condutores do esquema ofensivo do Palmeiras e do Corinthians carregaram apelidos bem opostos. O primeiro também assume a tarja de capitão alviverde. É de liderar os companheiros em campo. Leva pancadas, reclama, distribui cotoveladas. Já o segundo, mais calado, quase não fala. É de se manifestar na ponta das chuteiras. Nos chutes indefensáveis concluídos nos lances de área. Se não fosse assim, não seria o insuperável artilheiro alvinegro na temporada estadual. É do jeito que a Fiel tanto gosta.
É natural que os torcedores do Palmeiras prefiram a rudeza e a sutileza misturadas ao talento de Kleber, que se impõe na raça e na força de quem não desiste nunca de perseguir sistematicamente o alvo dos rivais.
Os dois personagens do clássico mostram algo em comum na hora de analisar o papel reservado aos demais jogadores. Na opinião de ambos, é preciso que todos dividam a responsabilidade. Eles não querem que os vejam como salvadores únicos da pátria no duelo de matar ou de morrer no confronto de hoje Pacaembu.
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