Para cada ônibus ou caminhão velho que for retirado das ruas, 38 novos veículos pesados poderão circular em seu lugar emitindo, juntos, o mesmo nível de poluição. Este é um dos principais resultados da implantação das normas ambientais (Proconve P-7), que entraram em vigor em janeiro.
Conhecidas também como Euro 5, estas normas obrigam que as montadoras construam novos motores e sistemas que diminuam as emissões, tornando o ar das grandes cidades brasileiras menos poluído.
A Mercedes-Benz foi a primeira montadora a apresentar à imprensa especializada sua proposta tecnológica, que é parecida com a que já oferece na Europa, mas com algumas adaptações para atender às condições brasileiras de clima, rodagem, relação peso-potência, além do combustível.
No Brasil, a montadora batizou a tecnologia de BlueTec 5. Ela só estará disponível em veículos fabricados a partir de 2012 com PBT (Peso Bruto Total) acima de 3,5 toneladas. Até 31 de dezembro, os caminhões continuam sendo produzidos dentro do conceito Euro 3, que emitem mais poluentes.
A atual frota brasileira também é composta por caminhões Euro 0, que têm mais de 20 anos de uso e emitem 38 vezes mais poluentes que o futuro Euro 5.
Para reduzir o volume de emissões de óxidos de nitrogênio e obter menor consumo de combustível, a tecnologia BlueTec 5 inclui a adição do Arla 32 (agente redutor líquido de NOx - óxidos de nitrogênio) no escapamento do veículo para pós-tratamento dos gases de escape pelo que engenheiros chamam de "redução catalítica seletiva".
Devido a esse processo, pode-se alcançar otimização da combustão no motor, o que resulta em queima mais eficiente e menor emissão de material particulado e fumaça - uma das principais fontes de poluição, que será reduzida em 80% com esta nova tecnologia.
Com a melhor queima, o bloco emite menos gás carbônico, contribuindo para a diminuição do efeito estufa e o consequente impacto no aquecimento global.
O Arla 32, que é armazenado em um reservatório específico no veículo, converte o NOx em nitrogênio puro e em vapor d'água, que são inofensivos à natureza, melhorando a qualidade do ar.
Outro grande benefício da tecnologia BlueTec 5 é sua total adequação ao diesel de petróleo, também ao diesel de cana e ao biodiesel. O uso destes biocombustíveis alternativos, que vêm sendo amplamente testados pela empresa, potencializa as vantagens ambientais e econômicas propiciadas por essa nova solução da Mercedes-Benz.
Além do pós-tratamento dos gases de escapamento, a eficiência dos motores Provoconve P-7 passa também pelo cuidado com demais componentes e com a qualidade do combustível, que terá de ser o diesel com 50 ou 10 ppm (partícula por milhão) de enxofre. Atualmente, o Brasil oferece diesel entre 1.800 e 500 ppm.
Postos se preparam
Com a entrada do Proconve P-7 (Euro 5) em vigor a partir de janeiro, a grande preocupação é saber se a Petrobras disponibilizará o diesel correto para que os novos caminhões possam rodar e poluir menos. Com o atual combustível fornecido pela estatal - diesel S 1800 e S 500 -, os futuros motores não funcionarão adequadamente.
A direção da Mercedes diz estar confiante na disponibilidade do combustível S 50 ou S10, que também serve para os motores dos atuais caminhões, ônibus e vans. "Por todas as informações que tivemos do governo até agora, o diesel mais limpo estará pronto em janeiro", afirmou Gilberto Leal, gerente de desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz do Brasil.
Segundo dados da marca, existe atualmente rede de 22 mil postos de combustíveis em todo o território nacional. Destes, 7.000 já realizam investimentos para terem tanques extras para armazenar o combustível com menor teor de enxofre. Cerca de 2.000 não têm interesse e o restante irá aguardar a demanda.
A ureia, que será imprescindível para o funcionamento da tecnologia, será produzida pela Petrobras, que repassará o material para que empresas privadas façam o tratamento e envasamento do produto, além da distribuição para postos de combustíveis e grandes frotistas espalhados pelo País. Com a tecnologia, os preços dos caminhões devem ser reajustados entre 8% e 15%, dependendo do tamanho e potência.
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