
Para o ex-prefeito de Diadema e deputado federal José de Filippi Júnior (PT) a gestão Mário Reali terá inicio agora, na segunda metade de seu mandato, e deverá ganhar "personalidade própria" apenas após eventual reeleição. Filippi foi o principal cabo eleitoral de Reali em 2008, quando fez o sucessor, e deixou uma herança mista de projetos promissores e problemas financeiros ao companheiro.
Diadema sofreu sequestros de precatórios nominais de cerca de R$ 40 milhões entre 2009 e o inicio de 2010, colocado como fator para não conclusão de todas as promessas. "Eu vinha dizendo que o meu governo estava tendo muitos sequestros de precatórios. Mas que o governo seguinte seria pior ainda, porque a tendência era aumentar", explicou Filippi, que disse ter alertado Reali sobre o caos financeiro. Durante 2009 e 2010, o secretariado de Diadema trabalhou com a palavra de ordem de não criar mais nenhum gasto para a Prefeitura.
O deputado esboçou satisfação e esperança em relação ao prefeito. "Tenho a certeza que na segunda metade do governo ele vai fazer aquilo que eu acredito", disse. Filippi citou pontos positivos da gestão Reali como sementes de se governo. "Foram projetos que nasceram lá atrás, não tive a felicidade e oportunidade de concretizá-lo. Tivemos R$ 40 milhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) investidos na coleta de esgoto; a remoção da favela Naval; o boom imobiliário; a inauguração do shopping. Ele conseguiu coroar no governo dele projetos que nasceram no meu", lembrou.
Ainda destacando a gestão de continuidade, o deputado visou o crescimento econômico. "Diadema cresceu uma média de 10% ao ano na década passada, oito anos do nosso e dois do Mário", contabilizou.
APOIO - Para fundamentar a colocação de que Reali só ganhará corpo próprio em eventual segundo mandato, Filippi argumenta que Reali representa o sexto mandato do PT na cidade. "Nós temos que nos reinventar.
Quando fui prefeito pela primeira vez, a população achava que o prefeito era o José Augusto (da Silva Ramos prefeito petista em 1989-1992, hoje no PSDB). O Mário vai ganhar personalidade própria no segundo mandato. Pelas minhas informações ele tem avaliação acima da média na região. Ele é o meu candidato", declarou.
O deputado lembrou que o PT tem apoio da maioria na cidade, mas que já passou apertado em 2004, quando ele perdeu o primeiro turno para Zé Augusto. Hoje, Filippi vê a oposição enfraquecida. "Isso é ruim, precisamos ter disputas. A oposição não se renovou, parece que o Zé Augusto será candidato de novo",alfinetou.
‘Conta de Dilma foi mais facíl que de Lula'
Tesoureiro das duas últimas campanhas presidenciais do PT - Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e Dilma Rousseff em 2010 -, Filippi considerou a captação de recursos feita para Dilma mais fácil do que a do ex-presidente, recordista de popularidade com índices de aprovação superiores a 80%.
"Vocês lembram das pesquisas? Quinze dias antes da eleição a Dilma ganhava no primeiro turno. Pois é, os empresários confiavam nessa pesquisa e nós também achávamos", justificou.
O petista disse que fechou o primeiro turno do pleito do ano passado com superávit na arrecadação de verba e no primeiro turno da campanha de Lula com déficit. Por Dilma ser candidata de primeira viagem, o investimento na divulgação foi mais pesado e, de fato, tudo que foi captado foi desembolsado. Em 2005, o PT viveu o auge do escândalo do mensalão.
No balanço geral, no entanto, Filippi deixou despesas de R$ 27 milhões que só serão pagas em abril do ano que vem. "Já foi resolvida boa parte. O PT já pagou 60% (R$ 18 milhões). Isso aconteceu por conta do segundo turno. A prestação de contas da Dilma foi R$ 50 milhões mais alta do que a do adversário e nós não conseguimos arrecadar. Se tivesse encerrado no primeiro turno seria um exemplo de gestão financeira. Foram R$ 70 milhões em um mês e nós só arrecadamos R$ 50 milhões. Isso foi levado pela ausência das campanhas nos estados. Dos dez estados mais populosos, em oito as eleições acabaram no primeiro turno. Os governadores sustentavam as campanhas, depois não", explicou o deputado.
Sobre a responsabilidade de administrar campanha presidencial, o petista assumiu que é difícil ser tesoureiro. "Mas acho que é mais difícil ser da oposição. No nosso tempo de vacas magras ninguém queria falar com a gente. As pessoas deixam para depois, dizem ‘olha vou deixar para o mês que vem'. Teve um cara que me ligou e perguntou: ‘você que é o tesoureiro do Serra?' Eu disse, não, eu sou da Dilma. O cara errou até de tesoureiro", relatou Filippi.
Finanças de campanha presidencial em 2014 não estão nos planos do deputado. "Quero ser 100% candidato a deputado federal, quero ir às ruas. Eu fiquei muito ausente durante essa eleição. Não conversei com a população e mesmo assim fui muito bem votado", afirmou.
Petista apoia lista fechada no Legislativo
A reforma do sistema político eleitoral está sendo discutida por meio de uma comissão especial na Câmara Federal. A primeira prerrogativa definida pelo grupo é a implementação da lista fechada, que provocaria a adoção do financiamento público das campanhas. Quando o colegiado selar os trabalhos, as decisões serão submetidas à análise do plenário. O deputado federal José de Filippi Júnior (PT) defende o início dos diálogos, mas contesta os meios.
De acordo com ele, o ideal defendido pelo PT seria criar uma "constituinte exclusiva" para discussão da reforma. "O sistema atual já tem algumas defasagens, situações de subrepresentações de algumas regiões e super representações de outras. O próprio papel do Senado, se é Câmara revisora, se não é. Agora, não foi possível ter a constituinte e não será possível nesses dois anos que virão."
Apesar de discordar do modo como a reforma está ocorrendo, o petista rechaça a definição de "um grande remendo" feita por especialistas ao Diário na semana passada. "Não dá para colocar tudo na conta de PT e PMDB, porque o PSDB quando foi governo e teve o PMDB como parceiro não promoveu as reformas necessárias", afirmou.
O petista defende a lista fechada para eleições de legislativos e o financiamento público de campanha. "Poderíamos resolver a subrepresentação de alguns setores como jovens e mulheres. Faríamos uma prévia para definir a lista colocando as cotas em questão. O financiamento público de campanha precisa ser discutido e a maneira de fazer campanha também. A TV é supervalorizada e isso custa caro. Poderíamos ir para a rua e promover debates entre candidatos", pontuou.
Sempre em pauta, a obrigatoriedade do voto é uma bandeira defendida por Filippi. "Eu mudei. Achava que o voto deveria ser facultativo, mas no mundo ocidental temos 60% de abstenções. Mesmo assim, a votação funciona, mas com menos legitimidade. Conversando com gente da Europa e dos Estados Unidos, disse sobre a nossa obrigatoriedade de voto e eles disseram que este pode ser um caminho para a retomada da credibilidade."
O deputado também considerou que a bancada regional formada com William Dib (PSDB) e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT) pode vingar, com o trio unido pela população, sem ver cor partidária.
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