Por falta de acordo entre trabalhadores e empresas, a categoria de TI (Tecnologia da informação) decidiu encerrar greve um dia depois de ter começado. Agora o dissídio coletivo vai a julgamento.
Mais uma vez, as negociações entre as partes não andaram, por isso caberá à Justiça decidir sobre as reivindicações dos trabalhadores. A decisão judicial deve ocorrer em meados de abril. Até lá, as paralisações estão suspensas e os funcionários mantêm estado de greve, com estabilidade no emprego.
"Existem grandes possibilidades do tribunal conceder as principais reivindicações dos trabalhadores. A proposta (do tribunal) contempla o vale-refeição para toda a categoria, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) obrigatório e aumento de salário real", adianta o presidente do Sindpd (Sindicato dos Trabalhadores de Tecnologia da Informação), Antonio Neto.
Segundo ele, desde o início das negociações (em janeiro), houve avanços. "Estamos dando os passos corretos para chegarmos ao fim desta jornada com melhores condições de trabalho para o profissional".
No começo da reunião, o sindicato patronal tentou caracterizar a greve como abusiva, por supostamente não ter comunicado as empresas com 72 horas de antecedência do início das paralisações de segunda (28).
No entanto, o argumento foi arrebatado pelo Sindpd e pela procuradora do Trabalho, Marisa Marcondes Monteiro - que acredita que a greve deflagrada não apresenta nenhum desrespeito à lei.
De acordo com o sindicato dos profissionais, os empresários apresentaram as mesmas propostas feitas no Ministério Público do Trabalho, que ofereciam aumento linear de 7,5%; vale-refeição de R$ 8 para as empresas com mais de 200 empregados e aumento de 9% para os pisos.
No entanto, Neto argumenta que as companhias obtiveram lucro extraordinário no ano passado e que os índices oferecidos estavam muito abaixo das reivindicações da categoria e também da proposta conciliatória do Ministério Público.
Vale lembrar que as reivindicações iniciais feitas pelos trabalhadores foram de 11,9% de aumento salarial linear, desenvolvimento de plano de PLR, auxílio-refeição de R$ 15 por dia e ampliação de pisos.
A categoria é composta por 90 mil profissionais, sendo que cerca de 15 mil funcionários atuam em companhias localizadas no Grande ABC.
"Nosso dissídio está muito bem embasado tecnicamente. Agora o caso está nas mãos da Justiça e estamos confiantes que conquistaremos grande vitória", analisa o sindicalista.
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