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O novo desafio do Jetta

Marcelo Monegato
Enviado a Mogi das Cruzes (SP)
30/03/2011 | 07:24
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Repleto de novidades que não se resumem apenas ao design, a Volkswagen traz para o Brasil a nova geração do Jetta com um objetivo muito simples: aumentar significativamente o número de vendas e não roubar, mas incomodar, a soberania dos japoneses da Toyota e da Honda no disputado - e sempre agitado - segmento dos sedãs médios.

Apresentado durante o Salão de Paris, em outubro, o modelo desembarca vindo do México nas versões Comfortline (R$ 65.755) - equipada com motor 2.0 Total Flex de 120 cv de potência (etanol) e transmissão manual de cinco ou automática Tiptronic de seis velocidades - e Highline (R$ 89.520) - alimentada com bloco 2.0 turbo com injeção direta de combustível e câmbio automático DSG (dupla embreagem) de seis marchas.

De cara, o que chama atenção nem é tanto o design, mas o porte do novo Jetta. Ele está maior. Mais encorpado. Com 4,64 m de comprimento e 2,65 m de distância entre os eixos, o modelo cresceu 9 cm e 7 cm, respectivamente, em relação à versão anterior. Resultado: maior conforto para os executivos grandalhões, que não enfrentam problemas com os joelhos ou a cabeça. Os baixinhos se dão ao luxo de cruzar as pernas.

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Segundo o designer brasileiro José Carlos Pavone, um dos responsáveis por criar a nova cara do modelo, foram "adotadas linhas horizontais para transmitir a impressão de que o Jetta é mais largo."

Os novos traços o colocam em sintonia com o DNA da Volkswagen. Para ser mais sincero, torna-o muito parecido - para não dizer idêntico - ao ‘irmão' Passat, o que reduz o teor de personalidade do sedã.

O conjunto óptico dianteiro tem formato trapezoidal e grade do radiador com filetes dourados - no caso da versão topo de linha. O capô ganhou em tamanho com o recuo da coluna ‘A'. As laterais trazem vincos marcantes próximos à linha de cintura e nas soleiras. A traseira, com linhas sóbrias - assim como todo o conjunto - adota conjunto óptico horizontal que invade a tampa do porta-malas (510 litros). Impossível não lembrar do ‘primo rico' Audi A4.

Em termos de acabamento interno, as primeiras decepções. O plástico emborrachado agradável ao toque que reveste a parte superior do painel não está disponível no painel das portas - substituído por plástico duro. Algumas peças, apesar dos encaixes justos e precisos, apresentam pequenas rebarbas. Um retrocesso em relação ao Jetta anterior. Talvez este tenha sido o preço pago para ter um veículo mais barato para brigar com os líderes Corolla, Civic e o futuro aposentado Vectra.

O painel de instrumentos, com computador de bordo entre o velocímetro e o conta-giros, tem fácil leitura e o acesso aos comandos é rápido. Ponto positivo para os detalhes cromados de bom gosto.

Em termos de equipamentos de série, a Volks caprichou. A versão de entrada Comfortline já vem com air bag duplo, freios com ABS (antitravamento) e ASR (antiderrapagem), rodas de alumínio de 16 polegadas, ajuste de altura dos bancos do motorista e passageiro, sensor de estacionamento traseiro e dianteiro, direção hidráulica, ar-condicionado manual e ajuste completo da coluna de direção. Na lista de opcionais da versão, rodas aro 17, bancos revestidos em couro, teto solar, sensor de chuva, entre outros mimos.

Já a Highline - além de todo o conjunto mecânico superior ao da Comfortline -, traz couro, ar-condicionado automático, seis air bags, ESP (controle de estabilidade), direção com assistência Servotronic, tela multifunção e ‘paddle shift'. Ajuste elétrico do banco do motorista e teto solar são opcionais. GPS chega no meio do ano e o ‘Park Assist', em breve.

DESEMPENHO - A geração anterior do Jetta tinha como qualidade o bom comportamento no asfalto. Agora, com tudo renovado - design e conjunto mecânico - a dúvida era: será que ele continuará prazeroso? Aceleramos em busca da resposta.

Avaliamos por cerca de 200 quilômetros todas as configurações do novo Volks entre Mogi das Cruzes e Juquehy, litoral norte de São Paulo. E a primeira impressão foi excelente, afinal, experimentamos a configuração Highline.

Com 200 cv e 28,5 mkgf de torque a rasos 1.700 rpm, o motor 2.0 TSI (turbo) com injeção direta de combustível (só gasolina) casou muito bem com os 1.375 quilos do Jetta. As acelerações e retomadas são vigorosas. Com a transmissão na posição ‘S' (Sport), as trocas de marchas da moderna caixa DSG (dupla embreagem) de seis velocidades (com ‘paddle shift') ocorrem de forma quase imperceptível e acima dos 6.500 rpm. A 120 km/h, o ponteiro do conta-giros ‘descansa' a 2.200 rpm.

Nas curvas, os elogios vão para o acerto firme da suspensão independente, que garante segurança nas curvas. Ponto positivo para o controle de estabilidade, que atua quando o motorista abusa.

As dúvidas (pessimistas) estavam em torno do motor 2.0 Total Flex de 120 cv e torque de 18,4 mkgf (etanol) da versão Comfortline. Primeiro avaliamos a opção manual de cinco marchas. E a surpresa foi positiva. Os engates são justos e, apesar do torque baixo para 1.311 quilos, é possível extrair bom rendimento do conjunto.

Na versão automática Tiptronic de seis velocidades, porém, a morosidade incomoda. Em certos momentos, a falta de fôlego é nítida. É necessário rever este motor, ultrapassado frente à concorrência.

RIVAIS - As francesas Renault e Peugeot apresentaram Fluence e 408, respectivamente. A Toyota, menos ousada, atualizou de leve o Corolla. A Chevrolet promete o Cruze (substituto do Vectra) e a Honda garante a chegada da nova geração do Civic no segundo semestre. Diante de tantas novidades, a Volkswagen ataca de Jetta ‘popular', aposentando de vez o Bora.

De acordo com Henrique Sampaio, gerente de marketing de produto da Volkswagen, a intenção é vender entre 18 mil e 20 mil unidades em 2011 - média de cerca de 2.000 unidades/mês. Nem de perto, porém, tal projeção ameaça o reinado da Toyota, que em fevereiro, por exemplo, emplacou 4.016 Corollas, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

No entanto, o Jetta se consolidaria na terceira posição, à frente do Kia Cerato (1.653 emplacamentos) e pouco atrás do Civic (2.145). Apenas como ponto de comparação, o Bora, que se aposenta com a chegada do novo Jetta, fechou fevereiro com míseras 57 unidades - fim melancólico de quem nunca embalou.

A aposta da Volkswagen para incrementar as vendas é a versão Comfortline, que deverá representar, de acordo com Sampaio, 70% das vendas. E a justificativa é o preço - R$ 65.755. O Corolla, que mudou pouco, é menor (10 cm), mas tem motor 1.8 mais potente (144 cv), parte de R$ 63.570. Já o Honda Civic, também desatualizado e menor (16 cm), mas também com motor 1.8 mais potente (140 CV), parte de R$ 66.660. Conclusão: o Jetta chega para incomodar.

 




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