
A falta de medicamentos na Farmácia de Alto Custo do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, novamente afeta pacientes que fazem tratamentos de doenças graves. Desta vez, o Sifrol (Dicloridrato de Pramipexol), utilizado por quem sofre de mal de Parkinson, e o Zoladex 10.8 mg, para tratamento de câncer de próstata, não estão nas prateleiras da farmácia. No começo do mês foi a vez do Calcitriol, utilizado por pacientes com problemas renais.
De acordo com a dona de casa Roseli Pinheiro, 50 anos, da Vila Vitória, em Mauá, a medicação que previne sua mãe contra o mal de Parkinson está com problemas de reabastecimento desde o fim do ano passado. "Ela tem 80 anos e toma o remédio há quatro. Sempre peguei no Mário Covas. Nunca faltou, mas de três meses para cá está difícil encontrar. Ninguém nos dá previsão de quando terá o remédio", declarou. Cada caixa da medicação, que age como inibidor de deficiências motoras, custa cerca de R$ 72, e vem com 30 comprimidos.
Um drama semelhante é vivido pelo aposentado Terushi Suzuki, 65. Ele esteve ontem à tarde no hospital, mas teve de voltar para casa, no bairro Paulicéia, em São Bernardo, novamente sem o remédio. Com dificuldades para andar, Suzuki e sua mulher retornaram para casa sem previsão de normalização no abastecimento.
Já para quem trata contra o câncer de próstata, mais problemas. Está em falta no hospital há pelo menos um mês e meio a dose da injeção Zoladex 10.8 mg, que custa R$ 1.500 e pode ser utilizada para amenizar as oscilações hormonais. Pedro Saragioto, 79, toma a medicação há cinco anos, a cada três meses. "Já estou pensando em como farei para comprar o remédio", planejou a filha, Elaíde Geraldo, 49. Ela adiantou que o problema de abastecimento já aconteceu outras vezes.
Procurada, a Secretaria Estadual da Saúde esclareceu que o estoque do medicamento contra o câncer de próstata acabou antes do prazo. O procedimento atrasou devido à demanda não prevista de pacientes que precisavam do medicamento com urgência. O Estado afirmou que já foi solicitada ao laboratório uma nova remessa, e que a regularização na entrega deve ser feita na terça-feira. No caso da medicação contra mal de Parkinson, a Pasta esclareceu que o lote distribuído teve reação entre o alumínio da embalagem. A medicação foi retirada das farmácias e a nova remessa está prevista para chegar em 1º de abril.
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