
Lideranças das seis principais centrais sindicais do País tiveram ontem a primeira reunião com a presidente Dilma Rousseff. O principal item negociado na pauta foi a correção na tabela do IR (Imposto de Renda). Sindicalistas pedem 6,47% - inflação acumulada em 2010. Porém, o governo estabeleceu patamar de 4,5% e anunciou, extraoficialmente, que usará esse percentual já para este ano.
As centrais, no entanto, têm esperança que na próxima semana, durante o anúncio oficial, venha reajuste maior. "A presidente nos explicou que o percentual é estabelecido com projeções de inflações futuras. Pedimos então que fosse adotada política idêntica de correções como a de valorização do salário-mínimo. Mas esperamos que haja um gesto por parte dela para que considere a inflação do ano passado. Acho que irá nos surpreender nos próximos dias e oferecer percentual maior", sustentou o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah. Ele conta que Dilma ficou "tocada" pelo assunto e que levará o ensejo à equipe econômica da União.
Apesar das tensões causadas pela derrocada das centrais frente o governo quanto ao salário-mínimo (que foi fixado em R$ 545, no mês passado), líderes classificaram o encontro como "excelente", por possibilitar a criação de vínculos dos representantes junto ao poder federal. Sindicalistas ouvidos pelo Diário disseram que Dilma se comprometeu em realizar eventos mensais com as centrais. A ideia é recolher reivindicações, que serão feitas por intermédio do secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho.
Também endossaram a agenda líderes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras Brasileiros), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores Brasileiros). Do lado governista, compareceram os ministros Carlos Lupi (Trabalho), além de Miriam Belchior (Planejamento).
O presidente da CGTB, Antônio Neto, defendeu a reativação da política adotada durante o governo Lula. Desde 2007 a tabela é reajustada em 4,5% ao ano. Mas o acordo morreu em 2010. O representante disse que enxergou compromisso da gestão com o tema. Dilma aproveitou as articulações para expor os planos e projetos em todos os setores do País, como Educação e Saúde.
O desfecho da rodada de discussão não deve tardar a acontecer. O Planalto deve divulgar, por meio de MP (Medida Provisória), os percentuais para o IR para os próximos anos da gestão. "Tem que fazer esse gesto para o trabalhador", reitera Neto.
Tema da próxima reunião será a desindustrialização do País
Outro item reforçado na pauta pelas centrais sindicais e a presidente Dilma Rousseff, na reunião de ontem, foi sobre desindustrialização do País. O coro fez com que o primeiro "fórum" entre as partes, com vistas a ocorrer dentro de um mês, segundo os presidentes das centrais, seja dedicado a debater o tema. O governo se propôs a apresentar na data políticas econômicas que favoreçam a indústria nacional. A meta é uma contrapartida à elevação da concorrência de importados.
"Tivemos um dezembro chinês. De lá para o Carnaval, 40% das vendas foram de quinquilharias chinesas", apontou Patah, da UGT.
Investimentos em Educação - ressaltados por Dilma - seriam forma de impulsionar o desenvolvimento do nicho para competir com os asiáticos, que atuam em diversas frentes. Entre elas, autopeças, têxtil e comércio. "É preciso proteger e fomentar a indústria daqui", disse Neto, da CGTB.
O chefe da entidade esclareceu que a intenção das centrais é analisar toda a cadeia produtiva do ramo, por meio do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
"Assim, será possível aprofundar essas questões com o ministro (Fernando) Pimentel (Indústria), para ver como interagir melhor", explicou Neto. Já Patah aproveitou para jogar na mesa mais reivindicações. No universo sindical, pediu pela extirpação do fator previdenciário, redução no expediente dos trabalhadores além do pedido de não encarecer remédios. "Como ela não deu aumento real do salário-mínimo, elevar (remédios) a 6% iria prejudicar aposentados", ressaltou Patah.
CONTRAPARTIDA - A abertura de diálogo em diversas frentes ocorre após o maior revés das centrais frente ao Planalto, ocorrido em fevereiro. À época, os congressistas aprovaram - sob vaias de manifestantes que assistiram à votação - a elevação de apenas R$ 5 no menor salário do País (para R$ 545), por meio de MP (Medida Provisória). A centrais pediram por semanas piso de R$ 580.
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