
A nova aposta do Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000. Tel.: 3397-4002), na Capital, será o universo dos livros e dos poemas. Além de apresentar as mais diversas atrações de qualidade em relação a artes como música, teatro e dança, o espaço agora busca disponibilizar ao público programas de excelência em relação a essa vertente a partir deste mês.
O projeto foi iniciada com a contratação do poeta, tradutor e ensaísta Claudio Daniel como novo curador de literatura e poesia do local. "O CCSP irá comemorar 30 anos no ano que vem, mas não tem uma programação de literatura específica e profissional. Estamos desenvolvendo uma série de atividades para dar mais ênfase a esse tipo de arte", explica Daniel, que deixou o trabalho como diretor adjunto da Casa das Rosas, também em São Paulo, para assumir o cargo. Recitais, exposições, palestras e workshops gratuitos estão na lista de serviços a serem oferecidos.
Entre as primeiras ações tomadas por ele está o Clube de Leitura de Poesia, que ocorre no dia 10, na sala de debates do CCSP, a partir das 19h. A ideia é que a cada encontro um poeta convidado possa ler algumas de suas criações e conversar com os presentes sobre a profissão e suas dificuldades. Quem abre o evento é o paulista Cláudio Willer. Um sarau livre também está programado para ocorrer durante a noite.
Outro atividade é o ciclo mensal Poetas de Cabeceira, no qual uma personalidade terá a oportunidade para falar sobre seu poeta favorito, tanto sobre sua vida pessoal quanto a obra do homenageado. A atração deste mês ocorre no dia 22, também às 19h. O primeiro convidado a estrear o encontro será Ademir Assunção, que irá comentar sobre a trajetória de Torquato Neto. É uma ótima oportunidade para que amantes da poesia possam conhecer mais sobre grandes nomes nacionais e internacionais do gênero. Segundo Daniel, "o CCSP pode contribuir para a divulgação de poetas pouco lidos e também revelar outros tipos de produção".
Também estão programadas a atração "Poesias dos Quatro Cantos", com temática sobre a produção poética em diferentes cantos do mundo. Em 7 de abril, a cultura árabe abre as atividades e, em maio, é a vez do público conhecer mais sobre a poesia italiana. Em setembro, o local abriga "2011 Poetas Por Quilômetro Quadrado".
O objetivo não é que o espaço cultural se torne um centro de referência na área, mas sim se tornar mais um local no qual as pessoas possam recorrer para ter conhecimento. "Temos diversos pontos culturais por toda a cidade. A questão não é ser um ponto de referência. Queremos democratizar o acesso à informação", explica o curador.
Um dos grandes obstáculos das ações é quebrar a máxima de que o brasilerio não lê. Na verdade, a preocupação gira em torno do material que é lido. "É difícil encontrar leitores de clássicos. Não é algo comum. Seria possível ampliar esses leitores com mais atrações diferentes."
O gosto pela leitura de grandes títulos e de poesia deve ser plantado no períoso escolar e, para Daniel, precisa do apoio dos centros culturais e da maior divulgação de obras e atividades específicas por parte da imprensa. "O jovem precisa descobrir a diversão dos livros e não apenas lê-los por obirgação", diz. As oportunidades começam a surgir.
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