Fernando Nonato/DGABC

Os integrantes da escola de samba Tradição da Ponte, de São Caetano, começaram o ano com o desafio de lutar contra o tempo e acelerar a produção para o dia do desfile. Tudo por causa do sumiço de quatro carros alegóricos no fim do ano, de um terreno na esquina das avenidas Goiás e Guido Aliberti, onde foram guardados após o desfile do ano passado.
O presidente da agremiação, Milton Pereira Júnior, o Miltão, estima que o gasto excedente para compensar o prejuízo seja de até R$ 20 mil. Apenas para cada carro novo foram gastos R$ 3.500, além de R$ 6.000 na aquisição de ferros que compõem a estrutura dos carros. "Sou obrigado a pôr o Carnaval na rua. Estou mais preocupado com isso, depois irei atrás do que aconteceu. Já era para estarmos no final dos preparativos", lamentou.
Para a escolha do samba-enredo, o presidente e a comissão da escola basearam-se na origem do povo brasileiro. "Todo mundo tem o pé na raça branca, negra ou índia. Então, vamos retratar nos três carros alegóricos a chegada dos portugueses, no segundo a cultura indígena e no terceiro os negros escravizados", detalhou.
Apesar das dificuldades, o presidente encara a rotina de lidar com o Carnaval como uma espécie de religião. "Tem de ter amor, carinho e devoção."
A escola deve entrar na avenida com 400 componentes distribuídos em 12 alas, além dos três carros alegóricos. Em média 20 pessoas trabalham nos bastidores da produção. As fantasias já estão todas confeccionadas, e as atenções, voltadas para a conclusão do trabalho nos carros alegóricos.
Miltão pensa alto e revela os planos do futuro para a escola. "Nossa ideia é pleitear uma vaga no Carnaval de São Paulo e levantar o desfile da nossa região. Queremos levar ao conhecimento o nome de São Caetano."
AÇÃO SOCIAL
A agremiação também é responsável por alguns projetos sociais de sucesso, que tiveram início em 2008 e duraram dois anos. A escola de capoeira foi um dos programas pioneiros realizados com apoio da Tradição da Ponte. Neste período, dois simpósios sobre a ação do hip hop também foram realizados, em parceria com a FAPSS (Faculdade Paulista de Serviço Social).
Carnavalesco atua na festa de Parintins
Francivaldo de Alencar Dias, 37 anos, é mais conhecido como Loro do Parintins. Ele e mais dois ajudantes vieram direto do Estado do Amazonas para trabalhar na confecção dos carros alegóricos.
O Festival Folclórico de Parintins é uma apresentação a céu aberto, realizada geralmente na última semana de junho, onde competem duas agremiações, o Boi Garantido, de cor vermelha, e o Boi Caprichoso, de cor azul.
Em São Caetano, Loro é o responsável pela montagem dos três carros alegóricos que entrarão na avenida no dia 5. Ele traz a experiência de ter iniciado a carreira nos preparativos do Boi Garantido, além de ter atuado seis anos na Gaviões da Fiel, com passagens pela X-9 Paulistana, Nenê de Vila Matilde e Vai-Vai, escolas que desfilam no Grupo Especial do Carnaval paulistano.
Para a maioria dos carnavalescos a recompensa pelo trabalho árduo nos bastidores da escola é o reconhecimento popular durante a festa. “O maior pagamento de um artista é na hora do desfile, com as arquibancadas cheias e todos vibrando com aquele momento”, disse o carnavalesco, que trabalha pelo quarto ano seguido na Tradição da Ponte.
O presidente da escola também partilha da opinião. “Nossa maior emoção é ver tudo pronto para entrar na avenida. Temos a sensação de primeira missão cumprida. Na avenida captamos a energia positiva que é a magia de desfilar. É um elo de alegria.”
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