* Consultoria de Luiz Henrique Paschoal, médico integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e Daniela Assis, fisioterapeuta especializada em eliminação de tatuagem
Desenhos incríveis, cores lindas; o gato do colégio e a garota popular têm. Isso faz com que a vontade de exibir tatuagem cresça cada vez mais. E quem faz a primeira, já quer a segunda. É fato. Mas, antes de ter desenhos pelo corpo, é bom pensar mil vezes antes. Tatoo não é como tinta de caneta que sai com água e sabão (a não ser a de hena!). Fica para sempre, da juventude à velhice. Doa a quem doer. E dói muito para tirar, viu!
Há alguns tratamentos a laser que, aos poucos, eliminam a tinta. O número de sessões depende do tamanho, da profundidade do pigmento, das cores usadas (vermelho e amarelo são difíceis de sair), da região do corpo e do tempo em que está na pele (a partir de cinco anos, torna-se mais complicado retirar).
A remoção total das imagens é difícil e demorada; pior ainda se for colorida. Além da dor, há a possibilidade de ficar marcas para sempre (como queloide, tipo de cicatriz alta e grossa) e de não sair tudo. Os procedimentos de qualquer técnica podem ser feitos no consultório médico. Mas o preço é muito mais alto do que se paga para fazer a tão desejada tatuagem.
Desenhos realizados por amadores podem dar ainda mais dor de cabeça. A tinta acaba sendo injetada com mais profundidade na pele e o laser não alcança. Fazer tatoo e colocar piercing com quem não é profissional qualificado ainda pode virar uma porta aberta para infecções.
FUROS
Piercings deixam marcas. Quando a pele é furada, forma-se um tipo de canal onde a joia fica. Quando é retirada, a pele entende que precisa fechar aquele buraco, mas não consegue preencher o espaço por inteiro de novo, ficando uma marca ou cicatriz. Furos de até 10 mm de alargadores fecham com o tempo, mas acima disso é preciso cirurgia.
Arrependimento é pouco
Marina, 20 anos, de Santo André, escreveu família em árabe no pulso esquerdo. A tatoo, feita há um ano, tem 15 centímetros e é preta. Embora discreta, ela resolveu tirá-la após passar em um concurso público e não ser aprovada no exame médico por causa do desenho. "Fiquei muito arrependida, ainda mais por estar em lugar visível. Hoje não faria de jeito nenhum", diz.
A garota procurou uma clínica especializada e acabou de fazer a segunda sessão de remoção a laser. Ainda faltam duas (tem de dar intervalo de um mês para a pele cicatrizar). "Demora cinco minutos, mas dói demais, absurdamente mais do que fazer a tatoo." Cada sessão é formada por cinco séries de três ‘tiros' de laser, totalizando 15 ‘tiros'. "Meu medo mesmo é não sair tudo."
O preço? "Gastei R$ 70 na tatuagem e R$ 600 para tirá-la; isso porque tive desconto", conta Marina, que só se submeteu ao laser porque a tatoo é bem pequena. "Sei de gente que desistiu de tirar depois de ter feito algumas sessões. Fica pior."
Quem pode?
No Estado de São Paulo, a lei 9.828 (de 1997) proíbe que menores de 18 anos façam piercings, tatuagens e outros adornos, mesmo com permissão dos pais. Algumas cidades, como Porto Alegre e Brasília, permitem a partir de 16 anos com autorização dos responsáveis.
Lazer expulsa a tinta
A agulha atinge a camada intermediária da pele, a derme, penetrando cerca de 2 milímetros no tecido. Então, a tinta é injetada lá. Acima dela, a camada mais superficial, a epiderme, é a única que está em constante renovação. É por isso, que a tinta da tatuagem não sai de jeito nenhum, nem quando a área descama após tomar sol.
O laser também penetra na derme e até um pouquinho mais fundo. A luz causa uma inflamação no local, forma-se uma bolha e a tinta acaba ‘expelida' do organismo. Em alguns casos, o laser não deixa cicatriz, mas a recuperação precisa ser cuidadosa: sol nem pensar. Só com proteror solar por, pelo menos, um ano.