Marina Brandão/DGABC

Oficialmente, a Escola de Samba Unidos da Vila Nogueira tem três títulos - um do Grupo 2, e dois do Grupo 1 -, mas as integrantes da escola garantem que são mais. "Se tivesse valido o título no ano passado (quando só houve desfile, sem competição), teríamos vencido: nós ganhamos sete estandartes de ouro, os três restantes foram para as outras escolas", disse a aderecista Cláudia Silvia dos Santos.
Para o desfile deste ano, a escola traz o enredo: Terra, mãe de todos que nela habitam: devemos preservar para não acabar. O carro abre-alas, que simboliza as criações do Todo-Poderoso, vem trazendo a tradicional águia da escola. "Nossos gastos vão além da subvenção da Prefeitura. O restante, nós conseguimos doações fazemos bazar e vendendo bebida e refrigerante nos ensaios."
A grande aposta são as fantasias elaboradas pelo carnavalesco, mas, mesmo assim, a escola teme perder pontos e integrantes por conta da maratona carnavalesca imposta pela Prefeitura.
Há cerca de dez dias a administração confirmou que os desfiles de todas as nove escolas acontecerão no sábado, dia 5 de março. As escolas do Grupo 2 começarão a desfilar por volta das 21h, e as do Grupo 1, à 0h.
"Nosso carnavalesco desenvolveu fantasias de magnitude, que era para causar impacto, mesmo", disse Silvia. "O problema é que preparamos um Carnaval de muito brilho e vamos desfilar com o raiar do sol. Isso pode prejudicar o visual do nosso desfile."
A primeira porta-bandeira da Vila Nogueira, Pâmela Yuri, 18, disse que da última vez que a Prefeitura decidiu abreviar os desfiles para apenas um dia, houve atraso de sete horas na entrada da escola na avenida. Destaque da ala das baianas, Waldeth do Nascimento, 72, também não gostou da ideia. "Fica muito mais cansativo, a gente vai desfilar com o sol pincelando o rosto."
Destaque das baianas herda lugar da mãe
Aos 72 anos de idade, Waldeth do Nascimento herdou o cargo de destaque da ala das baianas de sua mãe, Joana Evangelista, a popular Dona Joaninha.
Figura carimbada no bairro, ela faleceu aos 89 anos e era conhecida pela sua alegria e seu amor pelo samba.
O último Carnaval em que a Unidos da Vila Nogueira contou com o brilho de Dona Joaninha foi o de 2007.
"Nós pedimos autorização aos médicos que cuidavam dela e eles a deixaram desfilar, contanto que fosse uma fantasia leve e que ela não se cansasse muito", contou Waldeth, orgulhosa.
Assim, o carnavalesco enfeitou sua cadeira de rodas e desenhou uma fantasia especialmente para ela. "Ela desfilou mesmo depois de ter uma perna amputada: saiu de destaque da ala das baianas, jogando beijos para o público."
Waldeth contou que até hoje as pessoas falam de sua mãe e comentam o quanto elas são parecidas. "Ela tinha muito amor pela escola. Acho que por isso ela não é esquecida." Dona Joaninha faleceu em 2007 e deixou seis filhos.
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