
A Missa Afro, realizada hoje em comemoração a Consciência Negra, em São Bernardo, dividiu a opinião dos fiéis que lotaram a Paróquia São Geraldo Magella, no Jardim Petroni.
Dança e música marcaram a celebração e atraíram a atenção do motorista do Jardim Petroni José Carlos Costa dos Santos, 42 anos, que acredita que a iniciativa é importante para mostrar a cultura africana.
"Ninguém conhece o propósito da data. A missa desperta a curiosidade das pessoas", ressalta José.
A treinadora Silvana de Andrade, 27. do Baeta Neves, se sentiu um pouco perdida. "Não consegui acompanhar muito bem na hora da música, por ser diferente. Mas gostei. É questão de adaptação."
A manicure do bairro Boa Vista Ivonete Tomas, 36, notou diferença. "Não estou acostumada com canções e danças na igreja, mas achei interessante."
Quem participou da missa foram os integrantes do Grupo de Congada do Parque São Bernardo. "O objetivo é reunir a família e conscientizar a humanidade que não deve haver desigualdade", explica a dona de casa Maria Aparecida Lemes, 49, do Parque São Bernardo.
Para a outra integrante, a telefonista Cleonice Maria de Oliveira, 47, a igreja proporciona essa abertura e as pessoas têm a oportunidade de conhecer a cultura afro. "É importante passar o conhecimento de geração para geração e acabar com o preconceito. Passei para minha filha, que cresceu no grupo e que agora faz o mesmo com as minhas netas. Não podemos deixar acabar a essência da raça negra."
Há um ano no Congada, a dona de casa do Parque São Bernardo Joseti Pereira de Oliveira,40, sabe o que é o preconceito. "Minha filha me incentivou, agora nós duas fazemos parte e noto olhares diferentes de algumas pessoas brancas, que acham estranho. Fomos muito bem acolhidas pelo grupo."
Após a missa, os integrantes do grupo saíram dançando pela rua até o salão da Paróquia, onde houve almoço e atividades. Durante o evento, Benedito da Silva Lemes, 58, mais conhecido como Ditinho, ressalta a necessidade da reflexão. "Falta visibilidade do negro. Não podemos deixar que o assunto seja abordado apenas em novembro. E nos demais meses? Nada se discute. Temos que mudar. Quero fazer encontros como esse uma vez por mês."
A confraternização teve a presença do pedagago Adomair Ogunbiyi, 59, militante do MNU (Movimento Negro Unificado), que atuou em São Bernardo e há 13 anos vive no Maranhão. "Fizemos muitas ações políticas na região. Havia muita resistência, mas não desistimos de combater a discriminação no trabalho. Também tivemos conquistas, como a inclusão da História da África no currículo escolar", explica Adomair, que afirma que no Maranhão a situação é semelhante.