O Dia da Consciência no Grande ABC foi marcado por diversas atividades para celebrar a data. Em São Bernardo, com uma hora de atraso, programada para às 10h, aconteceu a Caminhada da Consciência. Os terreiros tradicionais da cidade, entidades do movimento negro, como a Educafro (Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes), participaram da caminhada que iniciou na Praça Lauro Gomes, localizada na Rua Marechal Deodoro, até a Praça Matriz, onde houve cerimônia de cultos.
Antes do cortejo houve um ritual na própria praça, uma dança que é uma preparação para o início da caminhada. Para o gerente de Políticas Públicas para a Igualdade Racial de São Bernardo, Leon Santos Padial, a data tem um desafio que é fazer com as que as pessoas entendam o significado do feriado.
"A data coincide com a morte de Zumbi dos Palmares (líder de um dos maiores quilombos do tempo da escravidão no Brasil) e muitos não tem esse conhecimento. É preciso que tenha uma valorização da cultura negra no país e que seja um feriado não para os negros, mas para toda a sociedade", ressalta o gerente que acrescenta esse feriado não é considerado em todos os municípios do país.
Quem passava pela Praça Lauro Gomes ou fazia compras pela Rua Marechal Deodoro ficou surpreso com a caminhada. "Desperta a curiosidade de todos e acho importante que sejam feitas manifestações para que acabe o preconceito no nosso país", disse a dona de casa Adriana Moura Barbosa, 20, do Alvarenga.
Na Praça da Matriz houve uma cerimônia de cultos e também apresentações artísticas de capoeira. "Queremos que as pessoas comecem a ter uma outra visão das religiões, como o Candomblé e que tenha mais conscientização data, por isso, um local público como em frente a Igreja Matriz", explica a manicure do Jardim Leblon, Tânia Oxum, 33 anos.
Segundo estimativas do departamento de trânsito da cidade é que cerca de 300 pessoas participaram da caminhada.
Em Santo André, o público pode conferir apresentações musicais na Concha Acústica, no Centro. Grupos de pagode, forró e capoeira se apresentaram, além da participação da Escola de Samba Palmares. "O evento tem ligação com a origem das escolas de samba, que começou nas senzalas. Hoje a UESA (União das Escolas de Samba de Santo André) quer que as escolas reforcem no enredo a cultura. Antes falávamos dos negros na escravidão, enquanto que hoje os abordamos inseridos na sociedade", afirma o presidente da UESA, Valter Belber.
A família da dona de casa Tatiana Alves, 32, acordou para ir pagar contas no Centro e aproveitou para se divertir. "Quando vi as apresentações resolvemos parar se divertir com as crianças. Além disso, é bom que elas saibam que não pode se ter diferença entre raça e religião".
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