
Meio de transporte relegado a segundo plano no Brasil durante as últimas décadas, o sistema ferroviário dá sinais de reaquecimento, com novos projetos em andamento espalhados pelo País, tanto para o transporte de cargas quanto de passageiros. Com isso, empresas do Grande ABC ligadas a essa cadeia de fornecimento de peças e matéria-prima observam crescimento na demanda.
É o caso, por exemplo, da MGE, que é especializada em manutenção de motores de tração de locomotivas e, desde 2003, é dedicada também à fabricação desses itens.
A companhia, localizada em Diadema, projeta crescimento de 35% em faturamento neste ano e, para o próximo ano, o ritmo de expansão pode chegar a 50%, prevê o diretor Carlos Alberto Roso.
Segundo o executivo, investimentos de grupos como Vale do Rio Doce, ALL (America Latina Logística) e MRS impulsionam os serviços de manutenção, que correspondem a 85% da receita da empresa.
A MGE fabrica em torno 200 por ano, mas já tem 160 em carteira só para o primeiro semestre de 2011. A quantidade é pequena, mas Roso cita que essas peças são de grande porte. Possuem mais de 2 toneladas e potência de mais de 500 hp.
Outra companhia da região que projeta expansão dos negócios nesse mercado é a Tenaz Têmpera, que faz tratamento térmico e usinagem de peças.
A empresa, que também fica em Diadema tem apenas 5% de seu faturamento proveniente desse ramo (atendendo a área de manutenção de equipamentos, fabricantes de compressores, de itens de fixação e engrenagens), mas a perspectiva é duplicar esse percentual em 12 meses. "Temos clientes em Natal, Recife e Fortaleza que estão demandando (os serviços)", assinala o diretor, José Gascon.
Fabricante de chapas e perfis de alumínio, a Alcoa, que tem unidade fabril em Santo André, fechou parceria comercial com a JMB Zeppelin, de São Bernardo. Um dos focos é o atendimento é ao segmento ferroviário.
Segundo o gerente de crescimento e estratégia de mercado da Alcoa, Anderson Oba, o objetivo foi se aliar a uma empresa especializada em processos de solda e usinagem de grandes peças para aproveitar o potencial de negócios na área de vagões. A utilização do alumínio é considerada tendência na Europa e tem como diferencial o fato de ser 40% a 50% mais leve que o aço.
INVESTIMENTOS
Os números do setor ferroviário mostram que, gradualmente, esse mercado começa a ganhar espaço no País. Dados da ANTF (Associação Nacional de Transporte Ferroviário), que congrega as concessionárias, apontam que os investimentos cresceram 77% entre 1997 e 2009. Neste ano, o montante deve chegar a R$ 2,8 bilhões, quase seis vezes mais que o valor aportado em 1999 (R$ 499 milhões).
Com isso, aos poucos a malha viária, que já chegou a ter 40 mil quilômetros, recupera parte do que foi perdido. Atualmente são cerca de 30 mil quilômetros. "E o sistema envelheceu, não foi renovado depois da Segunda Guerra Mundial", assinala Gerson Toller, que é diretor da feira Negócios nos Trilhos - evento que terá sua 13ª edição dos dias 9 a 11 no Expo Center Norte, em São Paulo (mais informações podem ser obtidas pelo site www.negociosnostrilhos.com.br)
Com o PNLT (Plano Nacional de Logística e Transporte), do Ministério dos Transportes, já estão em construção 11 mil quilômetros, de três novas ferrovias: a Ferronorte, a Transnordestina e a Ferrovia Centro-Oeste. Com isso, a indústria se aquece. A Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária) estima que neste ano serão produzidos 3.000 mil vagões e, em 2011, mais 4.000 a 5.000.
Para Toller, uma das razões da retomada é a saturação dos outros meios de transporte. Ele cita que 85% do volume de soja exportado por Santos já chega ao Porto por via férrea. "E o açúcar também está passando para o trem".
O potencial de negócios também passa, segundo o dirigente, pelo VLT (Veículos Leves sobre trilhos). Isso sem falar da expectativa gerada com o Trem da Alta Velocidade, que pode ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.
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