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Hungria declara emergência após vazamento de lama tóxica

Da AFP
05/10/2010 | 15:12
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A Hungria declarou estado de emergência nesta terça-feira após um vazamento de lama tóxica que atingiu várias cidades, deixando quatro mortos e 120 afetados, no que as autoridades do país já consideram o pior acidente químico do país.

Oito pessoas se encontram em estado grave e outras seis pessoas estão desaparecidas, desde que os muros de um reservatório de resíduos de uma fábrica de alumínio cederam na tarde de segunda-feira.

As autoridades temem que o número de mortos possa aumentar.

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Três cidades foram invadidas por 1,1 milhão de metros cúbicos de lama vermelha tóxica do reservatório de Ajka, 165 km a oeste de Budapeste.

"É uma catástrofe ecológica", disse o secretário de Estado para o Meio ambiente, Zoltan Illes, que visitou a área esta terça, e descreveu o que viu de o pior acidente químico da história da Hungria.

O ministério do Interior declarou estado de emergência nos condados de Veszprem, Gyor-Moson-Sopron e Vas.

Entre os mortos estão duas crianças, de um e três anos de idade, disse Karoly Tily, prefeito de Kolontar, uma das cidades atingidas.

Um homem de 25 anos morreu quando seu carro foi revirado pela enxurrada e um idoso faleceu em casa, relatou o chefe das equipes de socorro, Gyorgy Bakondi.

Entre os afetados estão oito policiais, oito bombeiros e um soldado. Sessenta e duas pessoas estão hospitalizadas e os danos à saúde apresentados pelas vítimas incluem queimaduras.

Até 40 quilômetros quadrados foram atingidos pelo vazamento e há o temor de que parte dos sedimentos tenham atingido o rio Marcal, com risco potencial de contaminação dos afluentes Raba e Danúbio.

A lama tóxica poderia chegar ao Danúbio em quatro ou cinco dias, disse o subchefe da companhia de gestão de águas para o oeste da Hungria, Sandor Toth.

"Do ponto de vista da gestão hídrica, é uma catástrofe", disse Toth.

Cientistas afirmam que a lama poderia destruir o solo e as plantas pelo simples contato, e preveem mortandade de peixes se ela chegar aos rios.

Segundo Illes, para evitar a contaminação, helicópteros do exército lançaram agentes neutralizantes nas águas do Marcal.

A lama vermelha é um resíduo tóxico da produção de alumínio e contém substâncias danosas, tais como chumbo e elementos altamente corrosivos.

A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três de lama vermelha.

Proprietária do reservatório, a Companhia Húngara de Produção e Comércio de Alumínio (MAL) informou ter iniciado os trabalhos de reparos nos tanques danificados para evitar futuros vazamentos.

A companhia anunciou, em um comunicado, que mesmo depois do vazamento, até 98% da lama vermelha ainda permaneciam contidos no reservatório.

Segundo a secretaria de Estado de Meio Ambiente, a empresa aparentemente manteve sua produção mesmo depois do vazamento, embora recebido ordens para suspender a produção imediatamente. O órgão ambiental anunciou, ainda, as suspeitas de que mais lama vermelha estaria sendo armazenada no reservatório do que o permitido ou que os contêineres não teriam sido preparados adequadamente.

Mas a companhia informou que uma inspeção no local foi feita no dia do acidente e que os testes realizados não revelaram indícios de uma catástrofe, insistindo em que, segundo as diretrizes da União Europeia, a lama vermelha não é considerada resíduo perigoso e que seus componentes não são solúveis em água.

"Segundo exames diários e anuais, tudo estava indo bem, portanto gostaríamos de aguardar até o fim da investigação oficial" para ver o que saiu errado, disse o diretor da MAL, Zoltan Bakonyi, em entrevista coletiva.

O ministro do Interior, Sandor Pinter, que também visitou Kolontar, afirmou não haver risco imediato de futuros vazamentos.




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