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Conhecida por ser "braço direito" da presidenciável Dilma Rousseff, a advogada Erenice Guerra, sucessora da candidata petista no comando da Casa Civil, é acusada, em reportagem da revista Veja, de montar no Palácio do Planalto uma central de lobby que cobra de empresários interessados em fazer negócios com o governo propina de 6%. A reportagem revela que o filho de Erenice, Israel Guerra, que até pouco tempo atrás perambulava pela Esplanada em cargos comissionados de menor importância, tornou-se um próspero consultor de negócios.

No novo figurino, segundo a reportagem, Israel operou, pelo menos, a concessão de um contrato de R$ 84 milhões para um empresário do setor aéreo com negócios com os Correios. Chamada de "taxa de sucesso", a propina foi estimada em R$ 5 milhões e teria servido em parte para "saldar compromissos políticos".

Em abril do ano passado, quando a Casa Civil da Presidência ainda era comandada por Dilma, o empresário paulistano Fábio Baracat, dono da Via Net Express, empresa de transporte de carga aérea e então sócio da MTA Linhas Aéreas, queria ampliar a participação de suas empresas nos Correios. O objetivo era mudar as regras da estatal, de modo que os aviões contratados por ela para transportar material também pudessem levar cargas de outros clientes, arranjo que multiplicaria os lucros de Baracat e sócios.

DGABC

Para obter sucesso em suas pretensões, o empresário procurou a Capital Assessoria e Consultoria, uma firma pequena, cuja sede é uma casa numa cidade satélite de Brasília, mas que tem realizado grandes negócios. No papel, são sócios da Capital Saulo Guerra, outro filho da ministra, e Sônia Castro, mãe de Vinícius Castro, assessor jurídico da Casa Civil. São dois laranjas. Sônia Castro é uma senhora de 59 anos que reside no interior de Minas Gerais e vende queijo.

Estabelecido o canal, o empresário encontrou-se com Israel e Vinícius Castro, um subordinado de Erenice. Nesse contato, obteve a certeza de que o negócio sairia. "Bastava pagar", relatou o empresário à revista. Nos acertos seguintes, Israel mostrou que o sucesso empresarial estava em seu DNA.

"Minha mãe resolve", teria dito Israel, segundo o empresário. "Impressionou-me a forma como eles cobravam dinheiro o tempo inteiro. Estavam com pressa para que eu fechasse contrato", emendou, de acordo com a reportagem.

Prometido o dinheiro, feitos os contatos prévios, as "cláusulas", o contrato chegou à fase final e Bacarat foi convidado a se encontrar com Erenice.

"Está na hora de você conhecer a doutora", teria dito Israel ao empresário. Os sócios de fato da Capital levaram então Bacarat para o apartamento funcional onde Erenice morou até março deste ano, antes de mudar-se para a Península dos Ministros. Na ocasião, entre conversas amenas, Erenice foi amável e abriu um vinho. O negócio estava fechado.

Por e-mail dirigido à revista, Israel admitiu ter feito o "embasamento legal" para a renovação da licença da MTA na Anac, em dezembro.

Israel também admitiu ter apresentado o empresário Baracat à mãe, mas apenas "na condição de amigo". A ministra também reconheceu a existência do encontro, por meio de sua assessoria.

SERRA
O presidenciável José Serra (PSDB) considerou gravíssima a denúncia e criticou duramente a Casa Civil do governo Lula: "A Casa Civil tem sido um foco de problemas para o Brasil. Eu lembro que no caso do mensalão, na época do José Dirceu, foi o centro de escândalo. Depois, esteve a Dilma, que deixou seu braço direito, uma pessoa muito próxima, e hoje de novo o centro da maracutaia é a Casa Civil."

DILMA
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff rebateu a declaração do seu adversário tucano, de que a Casa Civil era "um foco das maracutaias do governo". "Meu adversário tem perdido todas as estribeiras. Tem feito, sistematicamente, acusações sem provas e levianas. Do jeito que vai, periga passar a eleição visto como um caluniador."

Presidente do PSDB pedirá investigação pela Procuradoria

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse ontem que o partido vai pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue os favorecidos pelo suposto esquema de cobrança de propina nos contratos do governo, que seria operado por Erenice Guerra. "Não vamos nos calar, não vamos nos omitir, não temos medo de retaliação e vamos à Justiça onde quer que seja possível", afirmou Guerra.

O senador disse que a cada reação do PSDB diante de denúncias de corrupção no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma e seus aliados se limitam a acusar o partido de adotar "ações ofensivas" e de se fazer de vítima para ganhar as eleições no tapetão. "Quando não existe mais dúvidas de que o tapetão nestas eleições é a própria candidatura da Dilma Rousseff", disse Guerra.

NOTA
A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, divulgou nota ontem rebatendo as informações divulgadas pela revista Veja. Segundo Erenice, a reportagem é "caluniosa" e busca atingir sua honra e de seus familiares.

Na condição de servidora pública, Erenice informou que colocou seus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de todos os integrantes da sua família, à disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias.(Da AE)




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